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Q4038953 Medicina
Um paciente de 62 anos, com histórico de infarto agudo do miocárdio (IAM) com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST) há 10 meses, submetido a angioplastia com stent farmacológico na artéria descendente anterior, está em uso de AAS e clopidogrel. Ele necessita de cirurgia eletiva não cardíaca de médio risco. Considerando o tempo decorrido desde o IAMCSST e a necessidade de cirurgia, qual a conduta mais apropriada em relação à terapia antiplaquetária dupla (DAPT)?
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é o manejo perioperatório da antiagregação em cirurgia eletiva não cardíaca após PCI prévia: em paciente com IAMCSST tratado com stent farmacológico há 10 meses, a diretriz perioperatória citada na base orienta suspender o inibidor de P2Y12, no caso o clopidogrel, cerca de 5 dias antes, e usualmente manter AAS quando não há risco hemorrágico extremo; por isso, a melhor conduta entre as opções é suspender clopidogrel e manter AAS.

Tema central: DAPT no perioperatório
Análise das alternativas
A
Errada
Manter AAS e clopidogrel preserva DAPT completa durante cirurgia eletiva de médio risco, o que aumenta o risco hemorrágico perioperatório sem corresponder à conduta padrão neste momento evolutivo após o stent. O critério decisivo aqui é que, no perioperatório eletivo, quando a cirurgia precisa ser feita, o P2Y12 é o fármaco que se interrompe; manter DAPT integral é conduta mais ligada a período muito precoce pós-PCI ou a situação de risco trombótico excepcional, o que não foi descrito.
B
Errada
Suspender AAS e clopidogrel retira toda a cobertura antiplaquetária de um paciente com stent coronário prévio. A base é explícita ao dizer que, na ausência de procedimento com risco hemorrágico muito alto ou contraindicação específica, a estratégia usual é manter AAS e suspender apenas o clopidogrel. Portanto, esta opção erra por excesso de suspensão e aumenta desnecessariamente a exposição a trombose de stent e eventos isquêmicos.
C
Errada
Trocar clopidogrel por ticagrelor não resolve o problema perioperatório, porque ticagrelor também é um inibidor de P2Y12 potente e também eleva risco de sangramento. O ponto médico da questão não é escolher outro antiagregante, e sim reconhecer que, para cirurgia eletiva, o P2Y12 deve ser interrompido. A base ainda alerta que supor ticagrelor como opção 'mais segura' no perioperatório é uma confusão comum, mas incorreta.
D
Errada
Reverter clopidogrel com transfusão de plaquetas imediatamente antes da incisão não é preparo padrão de cirurgia eletiva. A base define que essa lógica pertence a contexto de urgência ou sangramento grave, não ao planejamento habitual. Em cenário eletivo, a conduta tecnicamente correta para reduzir o efeito antiplaquetário do clopidogrel é suspendê-lo com antecedência adequada, em geral 5 dias antes.
E
Certa
A alternativa E está correta porque faz o balanço adequado entre risco trombótico e risco hemorrágico no cenário descrito. A base informa que, em cirurgia eletiva não cardíaca de médio risco após PCI, não se mantém DAPT completa de rotina quando já é possível interromper o P2Y12. O clopidogrel deve ser suspenso previamente, em geral 5 dias antes, porque sua inibição plaquetária é irreversível e o efeito aumenta o sangramento perioperatório. O AAS costuma ser mantido em paciente com stent prévio para não retirar toda a proteção antiplaquetária. Esse é exatamente o raciocínio respaldado pelas diretrizes perioperatórias citadas na base.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de aplicar mecanicamente a ideia de 12 meses de DAPT após IAMCSST, como se isso obrigasse manter AAS e clopidogrel mesmo diante de cirurgia eletiva; o critério real da questão é o manejo perioperatório, no qual se suspende o P2Y12 e usualmente se mantém AAS.
Dica para questões semelhantes
  • Se a pergunta for perioperatória em paciente com stent prévio, não decida apenas pela duração ideal da DAPT após ACS; faça o balanço entre risco trombótico e hemorrágico no contexto da cirurgia.
  • Para clopidogrel em cirurgia eletiva, a base decisiva é suspensão pré-operatória em torno de 5 dias, porque a inibição plaquetária é irreversível.
  • Na ausência de risco hemorrágico extremo descrito, a estratégia mais típica em paciente com stent é manter AAS e interromper o inibidor de P2Y12.
  • Não confunda manejo eletivo com emergência: transfusão de plaquetas não é reversão programada de rotina para clopidogrel antes de cirurgia eletiva.

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