Uma mulher de 70 anos, com estenose mitral reumática grave,...

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Q4038946 Medicina
 Uma mulher de 70 anos, com estenose mitral reumática grave, apresenta dispneia progressiva e episódios de fibrilação atrial. O ecocardiograma mostra área valvar mitral de 0,9 cm², pressão sistólica da artéria pulmonar (PSAP) de 60 mmHg e átrio esquerdo dilatado. O escore de Wilkins é 8. Considerando a gravidade da estenose mitral e a presença de fibrilação atrial, qual a melhor opção terapêutica para essa paciente?
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A estenose mitral reumática é grave e sintomática (área valvar de 0,9 cm², dispneia progressiva, PSAP de 60 mmHg e átrio esquerdo dilatado), e o caso ainda apresenta fibrilação atrial. O tratamento clínico e as medidas voltadas apenas para a arritmia não corrigem a obstrução valvar; embora o Wilkins 8 possa sugerir anatomia potencialmente favorável, ele não basta sozinho para indicar valvoplastia por balão sem excluir trombo em átrio esquerdo e insuficiência mitral significativa. Assim, a alternativa que melhor se sustenta na questão é a troca valvar mitral cirúrgica.

Tema central: Estenose mitral grave
Análise das alternativas
A
Errada
A valvoplastia mitral por balão não pode ser tomada como melhor opção apenas com Wilkins 8. Esse escore pode sugerir anatomia potencialmente favorável, mas não autoriza sozinho a indicação percutânea. Faltam dados essenciais de elegibilidade, especialmente ausência de trombo em átrio esquerdo e ausência de insuficiência mitral significativa. Sem essas informações, a escolha percutânea não fica sustentada com segurança.
B
Errada
Anticoagulação e controle de frequência são medidas importantes na fibrilação atrial e na prevenção tromboembólica, mas não corrigem a obstrução valvar. O quadro sintomático e a PSAP elevada decorrem da estenose mitral grave; portanto, tratamento clínico isolado é inadequado como melhor terapêutica porque deixa sem correção a causa anatômica da dispneia e da repercussão hemodinâmica.
C
Errada
Ablação por cateter atua sobre a arritmia, não sobre a valva mitral estenosada. Nesta paciente, a fibrilação atrial é consequência do remodelamento atrial associado à valvopatia e ao átrio esquerdo dilatado, não o problema principal a ser tratado primeiro. Além disso, doença valvar reumática com átrio esquerdo dilatado sinaliza cenário em que abordar apenas o ritmo não resolve a limitação clínica dominante.
D
Errada
Fechamento percutâneo do apêndice atrial esquerdo associado a diurético não trata a estenose mitral grave. O diurético é apenas medida sintomática adjuvante, e o fechamento do apêndice não substitui a abordagem adequada da FA valvar nem corrige a obstrução mitral. Essa alternativa erra o alvo terapêutico porque propõe medidas acessórias para um problema que exige correção valvar.
E
Certa
A troca valvar mitral cirúrgica está correta porque trata a lesão mecânica responsável pelo quadro: estenose mitral reumática grave, sintomática e com repercussão hemodinâmica importante. A paciente não tem apenas fibrilação atrial; ela tem obstrução valvar com dispneia progressiva, hipertensão pulmonar e dilatação de átrio esquerdo. Na lógica da questão, a cirurgia é a opção definitiva e mais abrangente, além de não depender dos critérios adicionais indispensáveis para afirmar elegibilidade segura para valvoplastia por balão.
Pegadinha da questão
A banca explorou a tendência de marcar valvoplastia mitral por balão só porque o escore de Wilkins é 8, esquecendo que esse dado isolado não basta sem excluir trombo em átrio esquerdo e insuficiência mitral significativa; também induz ao erro de focar na fibrilação atrial e não na obstrução valvar grave.
Dica para questões semelhantes
  • Em estenose mitral grave sintomática, primeiro identifique se a alternativa escolhida realmente remove a obstrução valvar.
  • Não indique valvoplastia por balão com base apenas no escore de Wilkins; confirme se o enunciado exclui trombo em átrio esquerdo e insuficiência mitral importante.
  • Fibrilação atrial, anticoagulação, controle de frequência e diuréticos são medidas complementares; não substituem intervenção valvar quando a lesão é grave e sintomática.

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