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Q4038945 Medicina
Um paciente de 40 anos, com histórico de uso de cocaína, é admitido com dor torácica aguda, elevação de marcadores de necrose miocárdica e supradesnivelamento do segmento ST em parede inferior. A coronariografia de emergência revela artérias coronárias sem lesões obstrutivas significativas. Qual a fisiopatologia mais provável do infarto agudo do miocárdio nesse contexto e qual a conduta terapêutica inicial mais apropriada, além das medidas de suporte?  
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Em paciente com uso de cocaína, IAM com supra de ST e coronariografia sem obstrução significativa, o mecanismo mais provável é vasoespasmo/vasoconstrição coronariana induzida pela cocaína; isso sustenta a alternativa que propõe nitratos e bloqueadores de canais de cálcio.

Tema central: IAM por cocaína
Análise das alternativas
A
Errada
Dissecção coronariana espontânea é causa possível de síndrome coronariana com coronárias não obstrutivas, mas não é a etiologia mais sugerida pelo dado dominante do enunciado, que é o uso de cocaína, classicamente associado a vasoespasmo. Além disso, anticoagulação plena não é conduta inicial universal na dissecção e pode ser inadequada pelo risco de expansão do hematoma intramural.
B
Certa
A cocaína aumenta catecolaminas sinápticas, intensifica estímulo alfa-adrenérgico, eleva frequência cardíaca e pressão arterial e provoca vasoconstrição coronária importante. Esse mecanismo pode gerar isquemia transmural e infarto com supradesnivelamento do ST mesmo quando a angiografia não mostra obstrução coronária significativa. Nitratos promovem vasodilatação e aliviam o espasmo; bloqueadores de canais de cálcio reduzem a vasoconstrição coronária e a recorrência do vasoespasmo. Isso alinha mecanismo fisiopatológico e tratamento da alternativa B.
C
Errada
Tromboembolismo coronariano pode entrar no diferencial de IAM sem obstrução persistente, mas perde força diante do antecedente causal mais típico de espasmo coronariano induzido por cocaína. No cenário específico da questão, a trombólise sistêmica não é a melhor escolha porque o quadro favorece vasoespasmo como mecanismo principal, e não uma oclusão trombótica tratável dessa forma.
D
Errada
Miocardite aguda pode mimetizar infarto, mas o enunciado ancora a interpretação em IAM no contexto de cocaína e não traz dados que sustentem miocardite como hipótese principal, como síndrome infecciosa, disfunção miocárdica difusa ou confirmação por métodos específicos. Além disso, corticosteroides não são tratamento inicial empírico da miocardite aguda inespecífica.
E
Errada
Ponte miocárdica é uma causa anatômica de isquemia, mas não é a fisiopatologia mais provável diante da forte pista etiológica de cocaína com mecanismo vasoespástico. A proposta de intervenção coronária com stent também não se justifica aqui, porque não há demonstração dessa anomalia no enunciado e a questão pede a conduta inicial mais apropriada para o mecanismo provável.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre coronariografia sem obstrução e exclusão de infarto, ou entre cocaína e trombose obrigatória; aqui, o achado angiográfico sem lesão significativa, somado ao uso de cocaína, aponta para espasmo coronariano como mecanismo principal.
Dica para questões semelhantes
  • Em síndrome coronariana associada à cocaína, valorize vasoconstrição/espasmo coronariano como mecanismo central quando a angiografia não mostra obstrução significativa.
  • Coronárias sem lesão importante não excluem IAM; em contexto compatível, isso favorece mecanismo dinâmico ou transitório.
  • Quando a fisiopatologia provável é vasoespasmo, procure a alternativa que trate diretamente esse mecanismo com vasodilatadores como nitratos e bloqueadores de canais de cálcio.

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