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Q1051926 Português

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       Emoções são uma construção social. Essa é, numa frase, a tese central de Lisa Feldman Barrett em “How Emotions Are Made” (“Como são feitas as emoções”). Não haveria nada de surpreendente se Barrett fosse professora em algum departamento de estudos de gênero, mas ela é uma neurocientista e afirma que suas conclusões estão amparadas em sólida evidência empírica.

      O ponto forte do livro é justamente a parte em que Barrett mostra que há problemas nos modelos tradicionais que fazem com que cada emoção corresponda à ativação de um circuito neural específico. Por esse paradigma, emoções seriam universais e teriam uma assinatura biológica inconfundível.

      O problema, diz Barrett, é que ela passou anos num laboratório em busca dessas assinaturas e não as encontrou. Não temos dificuldade para reconhecer a emoção medo num ator fazendo uma careta estereotipada, mas isso não passa de uma convenção cultural. Nem todos que sentem medo apresentam as mesmas expressões faciais e nem sequer os mesmos sinais fisiológicos.

      A partir daí — e essa é a parte em que o livro fica aquém do que promete —, Barrett conclui que o modelo tradicional está errado e propõe outro no qual as emoções são construídas pelo cérebro no instante em que ele classifica as sensações positivas ou negativas que experimenta. A cultura e a própria linguagem seriam parte indispensável desse processo.

      Minha impressão é de que Barrett foi com muita sede ao pote. Seus achados fragilizam as versões mais fortes do modelo tradicional, mas não bastam para pôr abaixo um edifício construído com a colaboração da maior parte dos filósofos ocidentais, do próprio Charles Darwin e de um número ainda maior de neurocientistas contemporâneos. Até pode ser que Barrett tenha razão, mas ainda é cedo para decretá-lo.

(Hélio Schwartsman. “Como são feitas as emoções”. Folha de S.Paulo. 04.03.2018. Adaptado) 

A expressão destacada no trecho “suas conclusões estão amparadas em sólida evidência empírica” pode ser corretamente substituída, com o sentido preservado e conforme a norma-padrão, por
Alternativas

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Tema central da questão:
Esta questão exige compreensão semântica e domínio dos mecanismos de substituição de termos no texto, considerando sinônimos e regência nominal/verbal conforme a norma-padrão. O candidato precisa identificar a melhor expressão para manter o sentido original no contexto, analisando a relação adequada entre o verbo e a preposição utilizada.

Análise da alternativa correta (D):
A alternativa “resguardadas por” é a resposta correta. O termo “amparadas em” (no contexto: “suas conclusões estão amparadas em sólida evidência empírica”) significa que as conclusões se baseiam, se apoiam, são protegidas ou defendidas por evidências. O verbo “resguardar” é sinônimo de “amparar” (ambos significam proteger, defender), e a preposição “por” é aceita conforme a regência pronominal resguardar-se por, expressando a base de apoio das conclusões. Essa equivalência mantém perfeitamente o sentido proposto pela autora.

Análise das alternativas incorretas:

A) embasadas ante – “Embasadas” é aceitável como sinônimo de “amparadas”. Contudo, a preposição “ante” significa “diante de”, não expressando a relação de apoio/fundamentação exigida pelo contexto. O correto seria “embasadas em”.

B) escoradas de – Além de “escoradas” ser um termo informal e sugerir apoio físico, a preposição “de” está inadequada; na norma padrão, diz-se “escoradas em/por”, nunca “de”.

C) protegidas de – Embora “protegidas” possa ser próximo de “amparadas” em alguns contextos, “protegidas de” muda o sentido: seria “protegidas contra algo” e não “protegidas por algo”. Não traduz a ideia de baseamento em evidência.

E) fundamentadas a – “Fundamentadas” é sinônimo pertinente, porém a preposição “a” não é aceita na norma-padrão. O correto seria “fundamentadas em” ou “fundamentadas por”.

Fundamentação gramatical:
Segundo Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e Cunha & Cintra (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”), a escolha de preposição após verbos como “amparar”, “resguardar” e “fundamentar” define a relação semântica entre termos. A correspondência “amparadas em” → “resguardadas por” é a que melhor preserva sentido e estrutura oficial.

Dica de prova:
Sempre avalie não só o sinônimo, mas a preposição exigida pelo verbo. Fazendo isso, você elimina facilmente opções que violam a norma culta e a precisão semântica.

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Comentários

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GABARITO: LETRA D

A) embasadas ante. ? embasadas em alguma coisa e não "ante".

B) escoradas de. ? escoradas em alguma coisa e não "de".

C) protegidas de. ? incorreto, não é protegidas "de" algo (sentido que algo pode causar um dano), mas sentido de algo estar protegendo (=protegidas POR algo ? por + a= pela sólida).

D) resguardadas por. ? correto, resguardadas por alguma coisa, sentido semelhante também.

E) fundamentadas a. ? fundamentadas em alguma coisa e não "a".

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FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

Gabarito D

embasadas ⇢ em

escoradas ⇢ em

protegidas ⇢ por

resguardadas ⇢ por

fundamentadas ⇢ em

Pelo amor de Deus velho, pelo amor de Deus, a maioria das palavras se fazer a substituição não mantém o mesmo sentido. E outra, eu vou adivinhar que o exercício é de regência krl?

Gabarito (d).

Questão difícil.

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