Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com as ideias defe...

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Q3834329 Português
Texto 01


Dezembrite

Chega dezembro e, com o calor, as luzinhas piscando nas janelas, o Papai Noel em todos os lugares e as músicas natalinas que fazem a trilha sonora das compras, aparece uma sensação difícil de nomear. Para muita gente, o período entre o Natal e o Réveillon não é só festa. É cansaço acumulado, é a grama do vizinho mais verde, são as cobranças pelas metas que não foram cumpridas e a impressão de que todo mundo está celebrando, menos você. Não à toa, essa depressão sazonal ganhou até apelido: “dezembrite”. Antônia Burke, psicanalista e educadora socioemocional, comenta que o calendário tem um efeito psicológico poderoso.

“O fim do ano funciona como um espelho cheio de luz, iluminando aquilo que não deu certo, o que está faltando, o que a gente não conseguiu controlar”, diz. Nesse cenário, as redes sociais lotadas de fotos de viagens aparentemente incríveis e conquistas editadas podem fazer com que a pessoa conclua que é uma fracassada. “Ficamos com a impressão de que nossa vida é horrível, de que a gente é incompetente”, afirma.

A médica psiquiatra Vanessa Fávaro, assistente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, lembra que esse momento mistura fechamento de ciclo, reuniões familiares, festas da firma e expectativas em relação ao futuro. “É uma época em que as pessoas ficam muito emotivas e emocionadas, às vezes até apresentam um quadro de mais tristeza mesmo, de desânimo”, observa.

Isso não significa que toda tristeza que chega em dezembro seja um episódio depressivo. A diferença, resume Fávaro, está na intensidade, na duração e no quanto esse estado passa a prejudicar a rotina. [...] Há caminhos possíveis para atravessar esse período com menos opressão e mais autocuidado com a saúde mental. Eles não anulam a melancolia, o luto ou a frustração, mas ajudam a reorganizar, com carinho, a maneira como olhamos para os doze meses que passaram e para os que vêm pela frente — afinal, é como canta Simone: “O ano termina e nasce outra vez”. Porém, “A esperança não é um botão que a gente aperta, é consequência de pequenas reorganizações internas e externas”, sintetiza Burke. [...]


Disponível em: https://gamarevista.uol.com.br/semana/. Acesso: 21 dez. 2025. Adaptado. 




Texto 02 


Ano Novo

Ficção de que começa alguma coisa!

Nada começa: tudo continua.

Na fluida e incerta essência misteriosa

Da vida, flui em sombra a água nua.

Curvas do rio escondem só o movimento.

O mesmo rio flui onde se vê.

Começar só começa em pensamento.


Disponível em: https://www.pensador.com/poemas_de_ano_novo/. Acesso em: 22 dez. 2025. 

Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com as ideias defendidas no texto. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a preservação da tese do Texto 01 sem absolutização: o período de fim de ano é apresentado como momento que expõe faltas, cobranças e desânimo, como mostram os trechos “Para muita gente, o período entre o Natal e o Réveillon não é só festa. É cansaço acumulado [...] são as cobranças pelas metas que não foram cumpridas” e “Isso não significa que toda tristeza que chega em dezembro seja um episódio depressivo.” Assim, a alternativa correta é a que mantém essa associação entre fim de ano e sofrimento emocional em muitas pessoas.

Tema central: sofrimento no fim do ano
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque afirma surgimento espontâneo da esperança, o que o texto nega expressamente. O texto diz: “A esperança não é um botão que a gente aperta, é consequência de pequenas reorganizações internas e externas”. Portanto, não há esperança automática com a chegada do fim do ano.
B
Errada
Está errada por generalização absoluta e por contrariar afirmação explícita do texto. O texto registra: “Isso não significa que toda tristeza que chega em dezembro seja um episódio depressivo.” Logo, tristeza no fim do ano não é, inequivocadamente, sinal de depressão.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque conserva o sentido do texto ao relacionar o fim do ano com reflexões, cobranças e sofrimento emocional, sem transformar isso em regra absoluta. A formulação se ajusta às marcas textuais “Para muita gente” e “às vezes”, que indicam alcance parcial, e dialoga com a ideia de que o fim do ano evidencia “o que não deu certo” e pode levar a “mais tristeza mesmo, de desânimo”.
D
Errada
Está errada porque inverte o sentido global do texto. Em vez de dizer que o fim do ano faz abandonar tristeza, frustração e desânimo, o texto afirma que esse período pode intensificar exatamente esses estados emocionais: “às vezes até apresentam um quadro de mais tristeza mesmo, de desânimo”.
E
Errada
Está errada por exagerar o efeito das estratégias mencionadas. O texto não fala em eliminação definitiva da tristeza, do luto ou da frustração; ao contrário, afirma: “Eles não anulam a melancolia, o luto ou a frustração, mas ajudam a reorganizar”. A alternativa troca efeito de ajuda e reorganização por efeito curativo absoluto.
Pegadinha da questão
A banca explora formulações absolutas que parecem plausíveis pelo tema do fim do ano, como esperança espontânea, depressão inequívoca e eliminação definitiva do sofrimento. O texto trabalha com possibilidade, frequência parcial e gradação, não com universalização.
Dica para questões semelhantes
  • Prefira a alternativa que parafraseia a tese central sem usar palavras totalizantes como “sempre”, “inequivocadamente”, “definitivamente” ou equivalentes.
  • Quando o texto usa marcas como “para muita gente”, “às vezes” e “isso não significa que toda”, elimine opções que transformam possibilidade em regra geral.
  • Confira se a alternativa mantém o mesmo valor semântico do texto: “ajudam a reorganizar” não autoriza concluir “eliminam definitivamente”.

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