Paciente, 45 anos, com histórico de doença de Chagas, aprese...
Gabarito comentado
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Tema central: megacólon chagásico (lesão do plexo mioentérico pelo Trypanosoma cruzi), cursando com hipomotilidade/aperistalse do cólon, constipação grave, fecaloma, dilatação e risco de obstrução/vólvulo.
Alternativa correta: D. A manometria anorretal avalia a função do esfíncter, reflexo inibitório retoanal (RAIR) e a coordenação evacuatória. Em Chagas, é frequente disfunção do esfíncter interno e alteração/ausência do RAIR, o que ajuda a distinguir dissinergia do assoalho pélvico de inércia colônica distal e a planejar o tratamento (biofeedback, medidas clínicas ou indicação cirúrgica). Usualmente é combinada a estudos de trânsito colônico e defecografia para compor a avaliação motora. Referências: UpToDate (Gastrointestinal Chagas disease), Harrison’s.
Raciocínio clínico e manejo: o tratamento é escalonado. Inicia-se com medidas clínicas: hidratação, ajuste dietético (fibras solúveis com cautela), laxativos osmóticos (polietilenoglicol), estimulantes em esquema cíclico, enemas programados, e, quando indicado, prucaloprida (agonista 5-HT4) e biofeedback para dissinergia. Cirurgia (p.ex., sigmoidectomia/colectomia com anastomose) é reservada a refratariedade ou complicações (vólvulo, obstrução recorrente, fecaloma complicado). Complicações mais comuns: fecaloma, obstrução e vólvulo de sigmoide. Perfuração é menos frequente e geralmente precedida por distensão/isquemia. Diretrizes: PAHO/OMS sobre doença de Chagas; protocolos nacionais.
Análise das alternativas incorretas:
A – “Sempre ressecção cirúrgica”: incorreta. A conduta inicial é conservadora; cirurgia fica para falha terapêutica ou complicações. Afirmativas absolutas (“sempre”) costumam ser armadilha.
B – “Laxantes e procinéticos são ineficazes”: incorreta. Laxativos (especialmente PEG) são pilares do manejo e reduzem fecaloma/obstrução. Procinéticos colônicos como prucaloprida podem ajudar em constipação crônica refratária. Evidências: UpToDate; diretrizes de constipação crônica.
C – “Principal complicação é perfuração, frequentemente sem sinais prévios”: incorreta. A complicação mais comum é vólvulo/fecaloma; perfuração não é a principal e geralmente há sinais de obstrução/distensão e inflamação.
D – Correta. A manometria anorretal esclarece função esfincteriana e dinâmica evacuatória, orientando biofeedback vs intervenção cirúrgica, sobretudo quando combinada a estudo de trânsito e defecografia. Em Chagas, alterações do RAIR e do tônus esfincteriano são típicas.
Diagnóstico prático: radiografia/enema opaco mostrando dilatação e alongamento colônicos, retenção fecal; estudo do trânsito com marcadores; manometria anorretal; defecografia quando suspeita de dissinergia. Critérios de diâmetro colônico auxiliam a caracterização de megacólon.
Dica de prova: desconfie de termos absolutos (“sempre”, “geralmente ineficaz”, “principal”) e privilegie alternativas que integram diagnóstico funcional ao planejamento terapêutico.
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