Há no texto
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu chamava
para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim: -
Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Alguma Poesia
Carlos Drummond de Andrade
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Tema central da questão: Morfologia – classificação dos verbos quanto à flexão. O objetivo da questão é avaliar se você reconhece, no texto poético, as diferentes classes de verbos: regulares, irregulares, anômalos, defectivos e auxiliares, segundo a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Alternativa correta: A) mais verbos regulares.
Justificativa: Pela gramática normativa (conforme Evanildo Bechara, Cunha & Cintra, Rocha Lima), verbos regulares seguem os paradigmas regulares das conjugações, mantendo o radical invariável. No poema, localizamos, por exemplo, “montava”, “ficava”, “cosendo”, “dormia”, “chamava”, “aprendeu”, “campeava”, “pousou”, “suspirar”, “acabar” — todos exemplos típicos de verbos regulares. Ao contar, nota-se que eles predominam em relação aos verbos irregulares ("dar", “ler”, “saber”) e anômalos ("ser", "ir").
Dica valiosa: Em provas, atenção ao conceito — regularidade se dá pelo radical inalterado em todas as flexões. Leia os verbos atentamente, conjugando mentalmente, para verificar mudanças.
Análise das alternativas incorretas:
B) Incorreta. Existem sim verbos irregulares (“dar” – “dava”; “ler” – “lia”; "saber" – "sabia"), que apresentam alteração no radical.
C) Incorreta. Apenas dois verbos anômalos: “ser” (“era”) e “ir” (“ia”). Verbos anômalos sofrem alterações radicais profundas, e não há três no texto.
D) Incorreta. Não há verbos defectivos como “falir”, “colorir” ou “abolir” no poema. Todos os verbos ali podem ser conjugados normalmente.
E) Incorreta. Não há três exemplos de verbos auxiliares (como “ser”, “estar”, “ter”, usados para compor locuções). Nenhum aparece com função auxiliar.
Estratégia para questões do tipo: Identifique o radical do verbo, tente mentalmente conjugá-lo nos principais tempos e pessoas; perceba se o radical se mantém (regular), muda levemente (irregular), muda profundamente (anômalo) ou não se conjugam em todas as formas (defectivo). Questões de concursos cobram atenção ao texto e à definição clássica gramatical.
Resumo da regra: “Verbos regulares mantêm o radical fixo. Irregulares alteram radical/desinências. Anômalos mudam radical de maneira intensa. Defectivos não se conjugam em todas as formas pela norma. Auxiliares compõem locuções.”
Portanto, a alternativa correta é a A, pois o poema traz maior número de verbos regulares.
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Comentários
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GABARITO: LETRA A
→ temos mais verbos regulares (não apresentam alteração no seu radical ao serem conjugados), no texto a maioria são verbos dessa forma, localizei somente o verbo "ser" como um verbo irregular (alteração em seu radical ao ser conjugado: era mais bonita que a de Robinson Crusoé).
FORÇA, GUERREIROS(AS)!! ☺
Complementando a resposta do Arthur, o verbo ser também é considerado um verbo anômalo.
O verbo Ir, na segunda oração, também é irregular
Verbos Regulares: são aqueles em que o radical permanece o mesmo em toda a conjugação.
Exemplo: verbo cantar.
Verbos Irregulares: são os verbos cujos radicais se alteram ou cujas terminações não seguem o modelo da conjugação a que pertencem.
Exemplo: verbo ouvir.
Verbos Anômalos: verbos que apresentam mais de um radical ao serem conjugados.
Exemplo: verbo ser e ir.
No verbo ser ocorrem radicais diferentes, note pela diferença entre: seja, era.
No verbo ir, da mesma forma: vou, fui, irei.
Verbos Defectivos: não se apresentam em todas as flexões.
Exemplos: verbo abolir e verbo reaver.
Fonte: Marina Cabral
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura
Podemos dizer que os verbos irregulares e anômalos são a mesma coisa, porém com diferença no grau de modificação no radical ? Ou seja, ambos sofrem alteração no radical, só que o anômalo sofre uma alteração fodástica, muito mais grave.
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