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Q2520614 Português
     Pra lhes dizer a verdade, não sei onde meu pai arranjou aquele almanaque, velharia do século passado, e que catalogava os municípios das Minas Gerais, um por um. Tenho de confessar que, como aquele, ainda não vi outro, tão bem arranjado e consciente das coisas que deviam ser preservadas para a posteridade. Tanto assim que, além de exaltar as belezas do lugar e as excelências do clima, descrevia o povo, listando os vultos mais ilustres, começando, como era de se esperar, pelos capitalistas, fazendeiros e donos de lojas, passando então aos médicos, boticários, bacharéis e sacerdotes, sem se esquecer, ainda que no fim, dos mestres-escolas. Lá, bem no começo, seguindo a ordem alfabética, estava Boa Esperança, terra de meu pai, e ele ajeitou os óculos para ver se descobria naquele registro do passado a informação de algum antepassado ilustre, quem sabe alguma glória de que se pudesse gabar! E o dedo indicador foi percorrendo o rol dos importantes pelo sobrenome, pois que de primeiro nome todas as memórias já tinham sido apagadas. Até que parou. Lá estava. Não podia haver dúvidas. O sobrenome era o mesmo: Espírito Santo. Profissão: tropeiro. Tropeiro? Isto mesmo. E com a tropa de burros e o barulho imaginário dos sinos da madrinha, pelas trilhas da serra da Boa Esperança que o Lamartine Babo cantou, foram-se também as esperanças de um passado glorioso.



(Rubem Alves, Conversas com quem gosta de ensinar. Adaptado)

Sem prejuízo de sentido ao texto original e em conformidade com a norma-padrão, a passagem – ... sem se esquecer, ainda que no fim, dos mestres-escolas. – está adequadamente reescrita em:
Alternativas

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Tema central: Esta questão explora conjunções concessivas e regência verbal, conteúdos frequentes em provas para o magistério. Avalia o domínio do candidato sobre a escolha do conectivo adequado (manutenção de sentido) e o uso normativo do verbo “esquecer”.

Justificativa da alternativa C (correta):

A alternativa “... sem esquecer, embora no fim, os mestres-escolas.”, está plenamente de acordo com a norma-padrão. O termo “embora” é uma conjunção concessiva, expressando ideia de ressalva ou oposição leve, sem impedir o fato principal. Tal conectivo é denominado por Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo) como a escolha adequada para construir sentidos de concessão: “Embora esteja no fim, não se esqueceu dos mestres-escolas.”

Já o verbo esquecer, quando usado sem pronome reflexivo, é transitivo direto, conforme Bechara (“Esquecer algo”, não “esquecer de algo”), por isso não há preposição antes de os mestres-escolas.

Análise das alternativas incorretas:

A) “uma vez que” é causal, altera o sentido (“dado que estava no fim”) — não há concessão.
B) Embora “mesmo que” seja concessivo, o uso de “dos mestres-escolas” fere a regência (com o verbo esquecer, sem pronome, não se usa “de”).
D) “Todavia” é adversativo, não concessivo, e também erra na regência com “dos”.
E) “Como” exprime comparação ou conformidade, alterando totalmente a relação de sentido original.

Dica de prova e pegadinhas: Atenção para trocas de conectivos (concessão x adversidade x causa) e para a preposição indevida após o verbo “esquecer” transitivo direto. Sempre verifique na frase original se a relação semântica é mantida.

Resumo da regra: Conjunções concessivas (“embora”, “mesmo que”, “ainda que”) indicam contraposição sem impedir o fato principal. Esquecer (transitivo direto, sem pronome) não admite preposição antes do complemento.

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Comentários

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C

up

Gente, qual o erro da letra B?

Conjunções concessivas

São as conjunções que indicam uma oração em que se admite um fato contrário à ação principal, mas incapaz de impedi-la:

Embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, bem que, se bem que , apesar de que, nem que, que.

Entre as opções, as alternativas B e C são as que melhor mantêm o sentido original da frase enquanto estão gramaticalmente corretas. A escolha entre elas pode depender da preferência por "mesmo que" (opção B) ou "embora" (opção C). No entanto, ambas são aceitáveis como reescritas adequadas.

Complementando a explicação do amigo Henrique Teles, o que pode ajudar, caso fiquem entre as alternativas (B) e (C), é que os verbos ESQUECER e LEMBRAR, quando desacompanhados dos pronomes ME,SE,NOS, não usaremos a preposição DE. Com isso, foi determinante para que eu marcasse a C.

Espero ter ajudo.

"É justo que muito custe o que muito vale"

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