Na frase "O esporte vende narrativa identidade e pertencime...
Torcedor vira operador de mídias, e o consumo de esportes muda para sempre
Aline SordiliColunista do UOL 01/04/2026 05h30
1 Durante décadas, a indústria esportiva funcionou em um modelo relativamente estável: a partida em campo, a
transmissão empacotada para a TV e o público como audiência passiva. Mas esse arranjo deixou de ser
suficiente. Nesta terceira e última coluna-reportagem sobre esportes, mídia e IA, o espectador — ou fã —
surge como peça central e operador da experiência da competição.
2 A audiência escolhe tela, ângulo, ritmo, contexto, comunidade, estatística e até a camada de informação que
deseja consumir. O esporte, nessa nova configuração, deixa de ser apenas um evento e vira interface. E a
mídia esportiva, cada vez menos um canal linear de distribuição, torna-se um sistema navegável de dados,
vídeo, conversa e participação.
3 Esse movimento se sustenta em três eixos. O primeiro é o das interfaces de controle da experiência:
multiview, segunda tela, streaming personalizado, streaming interativo e realidade aumentada.
O segundo é o da arquitetura da jornada do fã, que passa a ocorrer em múltiplas plataformas, com conteúdo
vertical, creators e comunidades, antes, durante e depois do apito final.
4 O terceiro é o da economia do fandom, em que o valor deixa de estar apenas no alcance bruto e passa a se
estender à intensidade do vínculo, à recorrência da atenção e à disposição para agir — seja para comprar,
comentar, compartilhar ou se identificar com uma marca.
5 A mudança fica evidente quando se olha para a atuação da Fifa na Copa do Mundo do Qatar de 2022. Durante
o torneio, a entidade lançou o Fifa+, que virou o "companheiro digital" do evento, com clipes de melhores
momentos poucos minutos após o apito final, estatísticas oficiais em tempo real e cobertura editorial direta
dos estádios e das fan fests. A plataforma permitia personalização, com escolha de time preferido, notificações
e replays em língua de sinais.
O ponto mais relevante, no entanto, foi a Fifa+ Stadium Experience, uma experiência de segunda tela com
realidade aumentada dentro do estádio. Pelo aplicativo, o torcedor podia apontar o celular para o gramado e
visualizar, em tempo real, overlays com estatísticas dos jogadores, mapas de calor, velocidade, alinhamentos
táticos, replays de múltiplos ângulos e decisões do VAR.
O torcedor na arquibancada passou a acessar, ali mesmo, uma camada de leitura do jogo antes restrita à
transmissão e aos analistas. Para quem estava em casa, um aplicativo de realidade aumentada transformava a
sala de estar em um centro de dados 3D, onde o fã interagia com tabelas de estatísticas e informações ao
redor do ambiente.
6 A Fifa forneceu ainda às emissoras parceiras serviços de multiângulo, estatísticas sincronizadas, clipes near-live
e gráficos interativos para seus próprios aplicativos. O resultado é uma mudança que deixa de empurrar uma
narrativa única para todos e passa a oferecer uma infraestrutura capaz de sustentar experiências sob
demanda, imersivas e moduladas pelo próprio usuário.
(...)
7 O esporte vende narrativa, identidade e pertencimento. E a indústria que entender isso definirá o próximo ciclo
da economia esportiva. Para isso, será preciso medir intensidade emocional em vez de impressões brutas,
desenhar interfaces em vez de grades lineares e tratar o torcedor como operador, e não apenas como
espectador.
Extraído de: https://economia.uol.com.br/colunas/aline-sordili/2026/04/01/torcedor-vira-operador-de-midias-e-o-consumo-de-esportesmuda-para-sempre.htm
Gabarito comentado
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: Na frase "O esporte vende narrativa identidade e pertencimento", o critério decisivo é que "esporte" e "narrativa" têm valor nominal no contexto: "esporte" aparece antecedido por artigo e "narrativa" integra a sequência de elementos nomeados no trecho. Isso conduz à identificação de ambas como substantivos.
- Classifique a palavra pelo funcionamento no contexto, não por usos possíveis em outras frases.
- Se a palavra estiver nomeando algo e não exprimindo ação, circunstância ou característica, a tendência é de valor substantivo.
- A presença de artigo antes da palavra, como em "O esporte", é um indício objetivo de emprego nominal.
- Em frases com enumeração, verifique se a palavra entra como item nomeado, como ocorre com "narrativa identidade e pertencimento".
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Substantivos são palavras variáveis que nomeiam seres, lugares, objetos, sentimentos, fenômenos e conceitos. Eles formam a classe central da comunicação e podem ser classificados de acordo com sua origem, forma e significado.
Artigos são palavras que acompanham os substantivos para determiná-los ou indeterminá-los.
Adjetivos são palavras que caracterizam os substantivos, atribuindo-lhes qualidades, estados, defeitos ou origens. Eles são termos variáveis, o que significa que se flexionam para concordar com o substantivo em gênero (masculino/feminino), número (singular/plural) e grau (comparativo/superlativo
Verbais são palavras que indicam ação, estado, mudança de estado ou fenômeno da natureza. Eles se flexionam em tempo (passado, presente, futuro), modo, pessoa e número
Advérbios são palavras invariáveis que modificam o sentido de um verbo, de um adjetivo ou de outro advérbio, indicando a circunstância (como tempo, lugar ou modo) em que algo ocorre
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