Em relação ao distúrbio eletrolítico apresentado, qual é a ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3613108 Medicina
Caso clínico para responder à questão.

Um paciente de 67 anos de idade, com diagnósticos prévios de diabetes, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e gota, ficou confuso com as próprias medicações e acabou suspendendo todas elas. Após dois meses sem as medicações ele procurou o pronto-socorro com queixa de edema em membros inferiores e dispneia progressiva, piorada nos últimos dois dias, associada a expectoração rósea. À avaliação clínica, apresentava-se taquidispneico, com crepitação em todos os campos pulmonares à ausculta. Quanto aos sinais vitais: PA = 195 mmHg x 100 mmHg, FC = 102 bpm, FR = 28 irpm, SatO2 = 80% em ar ambiente. Foi passada sonda vesical de demora, sem débito urinário. Os exames laboratoriais indicaram valor de creatinina = 6,5 mg/dL, ureia = 204 mg/dL, gasometria arterial com pH = 7,23, pO2 = 61 mmHg, pCO2 = 56mmHg, HCO3 = 26mEq/L, SatO2 = 79% e K = 6,2 mEq/L.
Em relação ao distúrbio eletrolítico apresentado, qual é a medida que estaria indicada para redução do potássio sérico?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Comentário do Gabarito

Tema central: O paciente apresenta hipercalemia (K+ = 6,2 mEq/L), complicação comum em quadros de insuficiência renal aguda, frequentemente agravada pela suspensão das medicações. O distúrbio hidroeletrolítico é grave, pois eleva o risco de arritmias fatais e necessita de abordagem imediata.

Justificativa da Alternativa Correta (A): Poliestirenossulfato de cálcio, também conhecido como Sorcal®, é uma resina trocadora de cátions que liga-se ao potássio no trato gastrointestinal, promovendo sua eliminação fecal e, assim, reduzindo seus níveis séricos. Segundo o Protocolo do Hospital Universitário Lauro Wanderley (2021, pág. 1-2): “No Brasil, o mais utilizado e disponível no nosso meio é o poliestirenossulfonato de cálcio (Sorcal®). A dose é de 30-60 g, via oral, de 8/8 horas ou até 4/4 horas.” Assim, é a única alternativa entre as opções que efetivamente reduz o potássio circulante no organismo.

Alternativas incorretas:

  • B) Sulfato de magnésio: É indicado para pré-eclâmpsia, eclâmpsia e torsades de pointes, não para hipercalemia. Não reduz potássio sérico.
  • C) Gluconato de cálcio: Fundamental para estabilizar a membrana cardíaca em hipercalemia grave, mas NÃO reduz o potássio sérico, apenas previne arritmias enquanto outras terapias agem.
  • D) Espironolactona: Diurético poupador de potássio; pode piorar a hipercalemia, sendo inclusive contraindicado nesse contexto.

Dicas e estratégias de prova: Quando a banca questionar como reduzir efetivamente o potássio, procure sempre por medicamentos remotores (ex: resinas), não apenas protetores cardíacos. Atenção a termos como “estabilizar” versus “remover”. Pegadinhas comuns incluem uso de opções que apenas previnem complicações (como gluconato de cálcio), mas não tratam a causa.

Diretrizes: Segundo os Manuais MSD e protocolos hospitalares, resinas trocadoras como o poliestirenossulfato de cálcio são primeira linha para redução do potássio em hipercalemia leve a moderada, especialmente quando diálise imediata não está disponível.

Resumo: A alternativa A) Poliestirenossulfato de cálcio é a correta, pois remove potássio do organismo, enquanto as demais são inadequadas para esse objetivo.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo