Mulher de 80 anos, com fibrilação atrial nos últimos 18 mese...

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Ano: 2005 Banca: FCC Órgão: TRE-RN
Q1230259 Medicina
Mulher de 80 anos, com fibrilação atrial nos últimos 18 meses, apresentou há 3 dias isquemia cerebral com hemiparesia esquerda. O doppler de carótidas revelou placas obstruindo 45% da luz de ambas as artérias. A melhor conduta para evitar novos episódios de acidente vascular cerebral isquêmico é
Alternativas

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Tema central: O enfoque da questão é a prevenção secundária de AVC isquêmico em idosa com fibrilação atrial (FA) crônica e obstrução moderada de carótidas (45%), identificando o tratamento mais eficaz para evitar novos eventos tromboembólicos.

Análise da alternativa correta – E) varfarina:
A fibrilação atrial aumenta substancialmente o risco de formação de trombos no átrio esquerdo, predispondo a embolias sistêmicas, como AVC. A conduta clássica e respaldada por diretrizes para prevenção secundária de AVC em paciente com FA é a anticoagulação oral.

Segundo as Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial:
“A anticoagulação oral (RNI entre 2,0 e 3,0) é recomendada [...] em todos os pacientes com FA e história de AVC ou AIT, para prevenção de novos eventos.”

A varfarina (antagonista da vitamina K) é a droga de escolha principalmente onde os anticoagulantes orais diretos (DOACs) não são disponíveis ou viáveis. Estudos mostram que anticoagulantes orais diminuem em até 64% a chance de novo AVC em FA (BJCMR, 2023).

Análise crítica das alternativas incorretas:

A) Dexametasona: Corticosteroides não têm papel na prevenção de AVC em FA. Podem, inclusive, aumentar risco trombótico. Terapeuticamente, são restritos a situações inflamatórias, neoplasias ou edema cerebral.

B) Ácido acetilsalicílico: Embora antiagregante, o AAS é muito menos eficaz que anticoagulantes na prevenção de AVC em FA. Não é indicado como monoterapia para paciente já com AVC e FA.

C) Endarterectomia carotídea: Intervenção considerada para estenoses ≥ 70% e sintomáticas. No caso, obstrução é moderada (45%), sem indicação cirúrgica pelo protocolo.

D) Pentoxifilina: Vasodilatador, pouco utilizado e sem evidência para tromboprofilaxia em FA ou prevenção secundária pós-AVC.

Pontos-chave para a prova: Leia atentamente se o paciente tem FA, grau das obstruções carotídeas, e foco em prevenção (anticoagulação > antiagregação em FA).
Evite cair em “pegadinha” de indicar cirurgia por qualquer porcentagem de estenose!

Resumindo: Varfarina é a escolha na prevenção de novo AVC em FA, respaldada por diretrizes nacionais (SBC, PCDT-MS, UpToDate, Harrison’s), principalmente em obstrução carotídea <50%.

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