Analise as afirmativas a seguir: I. A neuroesquistossomose ...
I. A neuroesquistossomose pode resultar numa grande variedade de complicações. Seu diagnóstico é difícil, podendo ser confundido com o de outras etiologias.
II. A suspeita clínica da mielorradiculopatia esquistossomótica (MRE) não traz grandes dificuldades, apesar do diagnóstico, na maioria das vezes, ser presuntivo.
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Tema central: Neuroesquistossomose, especialmente a mielorradiculopatia esquistossomótica (MRE), quadro em que ovos de Schistosoma mansoni provocam reação granulomatosa na medula/cone medular e raízes, simulando outras mielopatias inflamatórias/infecciosas.
Alternativa correta: A (as duas afirmativas são verdadeiras)
Por que a I é verdadeira: A neuroesquistossomose apresenta variedade de manifestações (déficits motores e sensitivos, dor radicular, disfunção esfincteriana, convulsões quando cerebral) e o diagnóstico é desafiador. A RM e o LCR são pouco específicos; fezes podem ser negativas; diferencia-se de tuberculose, neurocisticercose, mielite transversa, esclerose múltipla e neoplasias. Referências: Harrison’s, UpToDate, Ministério da Saúde (PCDT Esquistossomose) e OMS.
Por que a II é verdadeira: Em áreas endêmicas, em jovem com quadro subagudo de dor lombossacra, parestesias, fraqueza em MMII, retenção urinária/urgência e disfunção erétil, a suspeita clínica de MRE é relativamente direta. Contudo, o diagnóstico é majoritariamente presuntivo, pois a confirmação histopatológica é rara; utiliza-se combinação de clínica, achados de RM/LCR e evidência parasitológica/serológica. (UpToDate; MS/PCDT)
Como interpretar a questão: Palavras-chave como “variabilidade clínica”, “dificuldade diagnóstica” e “presuntivo” apontam para a necessidade de reconhecer que a suspeita é possível, mas a confirmação definitiva nem sempre é factível.
Achados úteis no diagnóstico:
- RM de coluna: aumento do cone medular, hiperintensidade em T2, realce nodular/linear das raízes e leptomeninges.
- LCR: proteinorraquia elevada, eosinofilorraquia (quando presente, sugere helmintíase), celularidade moderada.
- Parasitologia/serologia: ovos em fezes ou biópsia retal; sorologia positiva (soro/LCR) como apoio.
Conduta recomendada (quando suspeita forte): corticoterapia precoce (ex.: metilprednisolona em pulso seguida de desmame) + praziquantel (40–60 mg/kg/dia em 1–2 doses), além de reabilitação. O tratamento precoce melhora o prognóstico neurológico. (MS/PCDT; UpToDate)
Análise das alternativas incorretas:
- B: Errada porque a II também é verdadeira; em contexto endêmico, a suspeita clínica é plausível, embora a confirmação seja presuntiva.
- C: Errada porque minimiza a complexidade diagnóstica geral da neuroesquistossomose afirmada em I.
- D: Errada porque nega tanto a dificuldade diagnóstica (I) quanto a natureza presuntiva com suspeita factível (II).
Pegadinha: “A suspeita clínica não traz grandes dificuldades” deve ser lida à luz de epidemiologia e quadro típico. Fora de áreas endêmicas ou em apresentações atípicas, a suspeita torna-se mais difícil.
Fontes: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Schistosomiasis; Neuroschistosomiasis); Ministério da Saúde – PCDT Esquistossomose; OMS – Diretrizes de Esquistossomose.
Gabarito: A
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