Gestantes podem e devem ser atendidas por cirurgiões-dentis...

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Q3947723 Odontologia
Gestantes podem e devem ser atendidas por cirurgiões-dentistas durante todo o período gestacional, no entanto alguns cuidados são necessários. A respeito do atendimento a gestantes, assinale a alternativa correta. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério médico decisivo é a imunomodulação da gestação: há modulação da imunidade celular e da função de neutrófilos e linfócitos, com maior resposta inflamatória gengival e maior suscetibilidade à doença periodontal na presença de biofilme. Esse achado sustenta a alternativa A e exclui as demais, que trazem erros objetivos de cronologia clínica ou de segurança farmacológica.

Tema central: Gestante no consultório
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque descreve um mecanismo reconhecido da gestação sobre o periodonto: há modulação da resposta imune do hospedeiro, com prejuízo funcional de neutrófilos e mudanças na imunidade celular, e isso, em conjunto com estrogênio, progesterona e alterações vasculares, favorece resposta inflamatória gengival mais exuberante na presença de biofilme. A redação simplifica um processo multifatorial, mas o núcleo fisiopatológico está correto.
B
Errada
O erro está na cronologia clínica. O granuloma gravídico é realmente lesão relativamente comum na gestação, mas seu aparecimento é mais tipicamente relacionado ao segundo trimestre, não ao terceiro trimestre como marco usual de surgimento. Pode ser percebido mais tarde ou persistir até o parto, mas isso não valida a afirmação da alternativa.
C
Errada
A alternativa erra a escolha farmacológica. Mepivacaína 3% sem vasoconstrictor não é o anestésico local de escolha para gestantes; a escolha clássica em odontologia é lidocaína 2% com epinefrina em doses usuais. Além disso, justificar a escolha pelo maior tempo de analgesia de um anestésico sem vasoconstrictor não responde ao critério decisivo de segurança na gestação.
D
Errada
A alternativa contraria a segurança medicamentosa na gestação. Ibuprofeno não é analgésico nem anti-inflamatório de escolha para gestantes, especialmente no terceiro trimestre, quando deve ser evitado por riscos fetais como fechamento prematuro do ducto arterioso e oligodrâmnio. Também é incorreto afirmar, de forma geral, que deve ser evitado durante a amamentação.
E
Errada
O erro é a generalização indevida de risco hepático. Penicilinas, cefalosporinas e clindamicina são geralmente consideradas opções aceitáveis na gestação; portanto, não se pode dizer que cefalosporinas e clindamicina devam ser evitadas por hepatotoxicidade materna. Quanto à eritromicina, a preocupação hepática clássica recai sobre formulação específica, não sobre toda eritromicina indistintamente.
Pegadinha da questão
A banca misturou uma afirmação fisiopatológica correta com alternativas farmacológicas e clínicas contendo erros objetivos, explorando confusões frequentes: achar que anestésico sem vasoconstrictor é automaticamente mais seguro, tratar ibuprofeno como fármaco de escolha na gestação e generalizar restrições antibióticas que não existem em bloco.
Dica para questões semelhantes
  • Em gestante, diferencie alteração fisiopatológica verdadeira de simplificação farmacológica errada: periodonto sofre influência de biofilme, hormônios e imunomodulação ao mesmo tempo.
  • Em anestésico local na gestação, não use o critério 'sem vasoconstrictor = mais seguro' como regra; a base clássica aponta lidocaína com vasoconstrictor como escolha habitual.
  • Para AINEs, o ponto de corte decisivo é lembrar que ibuprofeno não é de escolha e deve ser evitado especialmente no terceiro trimestre.
  • Em antibióticos, desconfie de alternativas que proíbem várias classes de uma vez; cefalosporinas e clindamicina não devem ser excluídas rotineiramente na gestação.

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