De acordo com o texto, a anestesia emocional é um transtorno...

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Texto 01


A vida em “fogo baixo”


       Os dias parecem todos iguais. Até mesmo as coisas que antes encantavam ou entristeciam, agora já não afetam mais. Acordar, trabalhar, comer e dormir. Tudo no modo automático. Você está ali, mas parece que não. Funciona, mas não sente. É como se uma névoa tivesse se instalado diante do mundo. Esse sentimento, quando prolongado, tem nome: anestesia emocional.

       Essa condição é mais discreta que outros transtornos, como a depressão. Ela não nos impede de viver, mas suga o sentido da vida. É nesse momento que muitas pessoas se veem presas em uma rotina que “dá certo”, mas não satisfaz. O relacionamento está ok. O trabalho, estável. A família, bem. Mas algo por dentro parece gritar em silêncio. Às vezes, é bom não colocar tanto peso em tudo, mas se anestesiar emocionalmente do mundo ao seu redor é um quadro sensível.

      Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Marcos Torati explica que um dos indicadores da anestesia emocional é a ausência do sentido de vida. “Há a sensação de que ela não vale a pena e parece uma repetição eterna”, diz. “A pessoa perde a dimensão profunda dos seus erros e acertos, então se torna funcional, vivendo em ‘fogo baixo’. Não há tanta alegria, mas também não há grande tristeza ao ponto de incapacitar a vida, como na depressão”, complementa.

       Existe uma diferença sutil, mas importante, entre uma apatia passageira e uma anestesia emocional profunda. A primeira costuma estar associada a um evento reconhecível, como o fim de relacionamento, uma demissão no trabalho ou o estresse da rotina. A segunda, por sua vez, parece surgir “do nada”. “Na apatia pontual é mais fácil identificar uma relação de causalidade. Já a anestesia prolongada tem uma base inconsciente que a pessoa não consegue reconhecer tão prontamente”, explica o psicólogo.

      Além disso, nem sempre os sinais de anestesia emocional são óbvios. Em muitos casos, esse sentimento se manifesta de forma silenciosa, disfarçado em rotinas que funcionam, mas não preenchem. Para Torati, essa sensação pode ser resultado de um mecanismo de defesa comum, mas perigoso. “A pessoa pode entrar em um estado emocional apático para se defender contra a possibilidade de se frustrar. Porém, é justamente essa defesa contra a dor que pode levar à depressão”, afirma. Ele ressalta um tipo de paradoxo dessa postura: “É como se a pessoa colocasse a vida no modo econômico para evitar o sofrimento, mas isso também a impede de viver com intensidade.”

     No fim das contas, a anestesia emocional pode ser um pedido silencioso de ajuda. Não para voltar a ser como antes, mas para descobrir um novo jeito de sentir. [...]


BRITO, Diego. A vida em “fogo baixo”. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/. Acesso em: 22 jan. 2026. Adaptado. 
De acordo com o texto, a anestesia emocional é um transtorno que 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a identificação de informação explicitamente afirmada no texto: “Essa condição é mais discreta que outros transtornos, como a depressão.” Trata-se de um dado textual direto, suficiente para sustentar a alternativa correta sem extrapolação.

Tema central: caracterização da condição
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao atribuir à anestesia emocional causas que o texto reserva à apatia passageira. O texto distingue explicitamente as duas condições: “A primeira costuma estar associada a um evento reconhecível, como o fim de relacionamento, uma demissão no trabalho ou o estresse da rotina. A segunda, por sua vez, parece surgir “do nada”.” Portanto, há transferência indevida de causas de uma condição para outra.
B
Errada
A alternativa contradiz diretamente o texto. A anestesia emocional não é apresentada como quadro que paralisa a vida, porque o texto afirma: “Ela não nos impede de viver” e também que a pessoa “se torna funcional”. Logo, o erro está em transformar esvaziamento afetivo em incapacidade de realizar atividades.
C
Errada
A alternativa iguala a anestesia emocional à depressão quanto à intensidade do sofrimento, mas o texto faz justamente a distinção entre elas: “Não há tanta alegria, mas também não há grande tristeza ao ponto de incapacitar a vida, como na depressão”. O erro é uma equiparação semântica indevida entre dois quadros que o texto contrasta.
D
Certa
A alternativa D está correta porque retoma a caracterização dada pelo texto e a aplica com fidelidade à questão: a anestesia emocional é apresentada como uma condição “mais discreta que outros transtornos”, ou seja, menos perceptível. Essa formulação a distingue das demais, que atribuem causas, efeitos ou intensidade emocional não afirmados pelo texto.
E
Errada
A alternativa distorce o sentido do início do texto. Quando aparecem “Acordar, trabalhar, comer e dormir. Tudo no modo automático”, o ponto não é a impossibilidade de realizar essas ações, mas sua vivência esvaziada de sentido. Isso é confirmado pelos trechos “Funciona, mas não sente” e “Ela não nos impede de viver”. Portanto, o texto descreve automatização, não impedimento das atividades cotidianas.
Pegadinha da questão
A banca explora três confusões reais: transferir para a anestesia emocional as causas da apatia passageira, igualar esse quadro à depressão e interpretar rotina automática como incapacidade funcional. A palavra que decide a questão é “mais discreta”.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto traz comparação entre duas condições, não transfira automaticamente causas ou efeitos de uma para a outra.
  • Se houver expressão literal decisiva no texto, como “mais discreta”, priorize a alternativa que a parafraseia com fidelidade sem ampliar o sentido.
  • Diferencie cuidadosamente perda de sentido subjetivo e impedimento objetivo de agir; o texto pode afirmar uma coisa e negar a outra.

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