O delírio é um dos fenômenos principais da psicopatologia, ...

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Q4372323 Psicologia
O delírio é um dos fenômenos principais da psicopatologia, contudo não existe nenhuma teoria que elucide suficientemente sua gênese. De toda sorte, foram levantadas várias hipóteses sobre o que ocasionaria esse fenômeno. Dos modelos teóricos cognitivos relevantes, este afirma que os delírios poderiam ser atrelados a processos distorcidos de imputação de causas, ações e intentos; este modelo passa a existir a partir da constatação de que grande parte das pessoas afere causas aos acontecimentos que beneficiariam a si mesmas, e tal perspectiva serviria para a ampliação ou a manutenção da autoestima. Descreve -se:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A finalidade de ampliar ou manter a autoestima por meio dessas imputações direciona o gabarito para A.

Tema central: Viés atributivo nos delírios
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o viés atributivo diz respeito ao modo enviesado de explicar as causas dos acontecimentos. Na hipótese apresentada, essas explicações podem favorecer a autoimagem: atribuir resultados negativos a causas externas, por exemplo, pode exercer uma função de defesa da autoestima. O benefício está na interpretação causal construída pelo indivíduo, não em o acontecimento ser objetivamente favorável. Esse mecanismo sustenta a identificação do modelo, sem significar que sua função defensiva seja uma explicação definitivamente comprovada para todos os delírios.
B
Errada
O viés atencional envolve a seleção ou a interferência diferencial de informações na atenção, como ocorre com conteúdos ameaçadores. O mecanismo solicitado não é dar atenção diferenciada a certas informações, mas explicar as causas dos acontecimentos de modo favorável à própria imagem.
C
Errada
O procedimento probabilístico distorcido remete a alterações no raciocínio sobre probabilidades e na obtenção de evidências para decidir, como a tendência a tirar conclusões precipitadas. A descrição não trata da quantidade de evidências considerada antes de uma conclusão nem do julgamento de probabilidades; trata da direção autoprotetora das explicações causais.
D
Errada
A hipótese da experiência anômala parte de alterações da experiência perceptiva e da explicação construída para elas. Aqui, o elemento decisivo não é uma percepção incomum que exige explicação, mas o favorecimento da autoimagem ao atribuir causas aos acontecimentos.
E
Errada
O déficit de teoria da mente corresponde à dificuldade de inferir estados mentais de outras pessoas. Embora o enunciado mencione intentos, não descreve essa dificuldade: destaca explicações causais que beneficiam o próprio indivíduo e preservam sua autoestima. Inferir estados mentais alheios e atribuir causas de forma autoprotetora são operações distintas.
Pegadinha da questão
A palavra “intentos” pode atrair para a teoria da mente, mas não deve ser interpretada isoladamente: a pista discriminante é a finalidade de preservar a autoestima por meio das atribuições.
Dica para questões semelhantes
  • Ao comparar modelos cognitivos, identifique qual operação está alterada e qual função lhe é atribuída; a simples presença de uma distorção cognitiva não distingue os modelos.
  • Não transforme uma hipótese explicativa em critério diagnóstico: atribuições favoráveis à própria imagem, por si sós, não bastam para caracterizar delírio.

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