Paciente de 62 anos, com diabetes mellitus tipo 2 há 18 ano...

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Q3367313 Medicina
Paciente de 62 anos, com diabetes mellitus tipo 2 há 18 anos, apresenta queixas de formigamento, queimação e dormência progressiva nos pés, que agora se estendem até a região dos tornozelos. Ele também relata dificuldades para manter o equilíbrio, principalmente no escuro, e episódios ocasionais de dor lancinante nos membros inferiores. O exame neurológico revela redução da sensibilidade vibratória nos maléolos mediais, hiporreflexia aquileia bilateral e força preservada nos membros inferiores.
Com base nesse quadro clínico, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Tema central: quadro clássico de polineuropatia diabética distal simétrica (DSPN), sensitivo-predominante e de padrão “em bota”: dor em queimação/lancinante, parestesias, perda de vibração nos maléolos, hiporreflexia aquileia e marcha pior no escuro (perda de propriocepção). Força preservada sugere acometimento sensitivo > motor.

Alternativa correta: C — O único tratamento com efeito modificador da doença é o controle glicêmico (reduz risco de surgimento/progressão de neuropatia, sobretudo em DM1; em DM2 o benefício é menor, mas recomendado). Para alívio da dor neuropática, usam-se gabapentinoides (pregabalina, gabapentina) e antidepressivos tricíclicos (amitriptilina); também há evidência para duloxetina e venlafaxina. Fontes: ADA Standards of Care 2024; AAN 2022; UpToDate; Harrison’s.

Por que as demais estão incorretas

A) Descreve neuropatia focal/motora. O caso é distal, simétrico e sensitivo. Neuropatias focais no DM incluem mononeuropatias (III par, radial, peroneal) ou amiotrofia diabética (proximal, motora), o que não ocorre aqui.

B) Chamar de “vasculopática” e “desmielinizante” é inadequado. A DSPN é axonal, length-dependent, por mecanismos metabólico-tóxicos (via do poliol, estresse oxidativo); isquemia microvascular pode contribuir, mas o padrão histológico e eletrofisiológico predominante é axonal, não desmielinizante (este sugere CIDP).

D) Disautonomia (hipotensão ortostática, gastroparesia, bexiga neurogênica) pode coexistir, mas não é típica em quase todos e não costuma preceder os sintomas sensitivos. Na DSPN, o usual é dor/parestesias distais e perda sensitiva precedendo sinais autonômicos.

E) LCR com dissociação albuminocitológica sugere CIDP/GBS, não DSPN diabética. O diagnóstico da DSPN é clínico, eventualmente confirmado por estudos de condução nervosa; LCR não é exame de rotina.

Diagnóstico prático: história de DM, sintomas distais simétricos, perda de vibração e reflexo aquileu diminuído. Testes à beira-leito: diapasão 128 Hz, monofilamento 10 g, pin-prick/temperatura. Considerar exclusões: B12, TSH, função renal, álcool, fármacos; ENMG se atípico.

Conduta/Tratamento: metas glicêmicas individualizadas; educação e cuidado dos pés (prevenir úlceras), controle de PA/lípides, atividade física. Dor: primeira linha com duloxetina ou pregabalina; alternativas: gabapentina, TCA. Evitar opioides crônicos.

Estratégia de prova: procure por “distal, simétrico, sensitivo”, perda de vibração e reflexos, com força preservada. Desconfie de opções que citem dissociação liquórica, demyelinização como padrão principal, ou autonomia precedendo sintomas.

Referências: ADA Standards of Care 2024; AAN Practice Guideline 2022 para dor neuropática; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: C

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