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Q3367305 Medicina
Paciente de 45 anos, previamente hígido, apresenta há 7 dias quadro progressivo de fraqueza em membros inferiores, evoluindo para os membros superiores. Relata parestesias nos pés e dificuldade para caminhar. Ao exame físico, observa-se arreflexia generalizada, fraqueza muscular proximal e distal, além de sinais de disfunção autonômica, como episódios de hipertensão e taquicardia. O LCR revela dissociação albuminocitológica.
Diante desse quadro clínico, assinale a alternativa correta sobre o manejo dessa condição.
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Tema central: quadro típico de Síndrome de Guillain-Barré (SGB), polirradiculoneuropatia inflamatória aguda com fraqueza ascendente, arreflexia, parestesias e disfunção autonômica. O LCR com dissociação albuminocitológica (proteína alta com poucas células) reforça o diagnóstico.

Raciocínio clínico e diagnóstico: a SGB costuma iniciar em membros inferiores, evolui em dias a semanas, é simétrica e pode cursar com taquicardia/hipertensão. Exames úteis: LCR (proteína elevada; células normais ou discretamente aumentadas <10-50/mm³), eletroneuromiografia (padrão desmielinizante/axonal). Monitorar função respiratória (CVF < 20 mL/kg ou NIF > -30 cmH₂O indica risco de ventilação). Referências: Harrison’s, UpToDate, diretrizes AAN/Cochrane.

Alternativa correta – B: Plasmaférese e imunoglobulina intravenosa (IVIg) são eficazes e devem ser iniciadas precocemente em casos moderados a graves (ex.: não deambula, progressão rápida, bulbar/respiratória ou autonômica significativa). Não combinar IVIg e plasmaférese em sequência rotineira. Doses usuais: IVIg 0,4 g/kg/dia por 5 dias; plasmaférese 4–6 trocas. Evidência: AAN 2011, Cochrane, UpToDate – ambas reduzem tempo até deambulação e necessidade de ventilação.

Por que as demais estão incorretas?

A. Corticoides não são tratamento de escolha. Ensaios e metanálises demonstram ausência de benefício dos esteroides isolados em SGB (Cochrane; AAN). Podem até atrasar a recuperação.

C. LCR com “pleocitose intensa” não é típico. O padrão clássico é alta proteína com poucas células. Pleocitose moderada/alta sugere diagnóstico alternativo (HIV, meningorradiculites, neoplasias, Lyme) – pega-ratão frequente em provas.

D. A fraqueza na SGB é geralmente simétrica e inicia-se nas pernas (ascendente). Forma assimétrica que poupa MMII não corresponde ao padrão típico.

E. Biópsia de nervo não é essencial e raramente é necessária. O diagnóstico é clínico, apoiado por LCR e eletroneuromiografia. Biópsia se reserva a neuropatias vasculíticas/atípicas.

Conduta prática resumida: internar para monitorização respiratória e autonômica; iniciar IVIg ou plasmaférese nos casos indicados; cuidados de suporte (analgesia, profilaxia de TEV, fisioterapia, prevenção de úlceras); evitar corticoide isolado. Considerar UTI se bulbar/respiratório.

Dicas de prova: associe “fraqueza ascendente + arreflexia + dissociação albuminocitológica” à SGB; lembre que esteroide não ajuda; IVIg = plasmaférese em eficácia; pleocitose acentuada afasta SGB típica.

Referências rápidas: Harrison’s Principles; UpToDate (2024) – Guillain-Barré syndrome; AAN Practice Parameter; Cochrane Reviews sobre IVIg/plasmaférese e corticoides na SGB.

Gabarito: B.

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