O Brasil registra, no início do século XXI, um quadro epidem...
Gabarito comentado
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Tema central: Uso de fluoretos na prevenção da cárie. O flúor atua principalmente de forma tópica, mantendo baixas concentrações na saliva e biofilme, o que inibe a desmineralização e favorece a remineralização do esmalte. Esse é o pilar das políticas populacionais (água e dentifrícios) e explica a queda de cárie em crianças e adolescentes no Brasil.
Gabarito (INCORRETA): C
Justificativa da alternativa C: Afirmar que o uso de bochechos/géis/vernizes junto ao dentifrício fluoretado gera “aumento considerável” na redução de cáries é generalização incompatível com o Guia de Recomendações para o Uso de Fluoretos no Brasil (MS/CFO, 2009). O Guia orienta que o dentifrício fluoretado diário é a base e que métodos tópicos profissionais ou complementares têm benefício incremental modesto e são indicados prioritariamente para indivíduos de alto risco (múltiplas lesões ativas, hipossalivação, ortodontia, necessidades especiais). Revisões sistemáticas Cochrane (Marinho et al.) mostram benefício adicional, porém contexto-dependente e não “considerável” para toda a população. Assim, a redação da alternativa extrapola a evidência.
Análise das demais alternativas:
A – Correta. Independentemente da via (água, dentifrício, tópicos), o mecanismo efetivo é o tópico: eleva-se a concentração de F− na saliva/biofilme, modulando os ciclos de des/remineralização. Mesmo o “sistêmico” resulta em efeito local via saliva. (Guia MS/CFO 2009; WHO – Fluoride and Oral Health)
B – Correta. A presença constante de baixas doses de flúor no biofilme desloca o equilíbrio para a remineralização e reduz a solubilidade do esmalte por formação de apatita enriquecida com flúor na superfície. É o principal mecanismo preventivo. O termo “saturação” é didático para indicar maior disponibilidade iônica no meio. (Fejerskov & Kidd; MS 2009)
D – Correta. A fluoretação das águas é medida de saúde pública efetiva e segura, realizada na estação de tratamento/captação, com impacto populacional consistente na redução de cárie. (Ministério da Saúde; CDC/WHO)
E – Correta. A obrigatoriedade de fluoretação “onde exista estação de tratamento” é prevista pela Lei Federal 6.050/1974 e normatizada por portarias federais. Alinha-se ao SUS e à estratégia populacional.
Como interpretar e evitar pegadinhas:
- Desconfie de termos absolutos como “considerável” ou “sempre” quando a evidência é contextual.
- Lembre: base populacional = água e dentifrício; tópicos complementares = sobretudo alto risco.
- O mecanismo-chave do flúor é tópico, mesmo quando a via de entrada é “sistêmica”.
Referências-chave: Ministério da Saúde/CFO. Guia de Recomendações para o Uso de Fluoretos no Brasil, 2009; WHO – Fluoride and Oral Health; Marinho VCC et al., Cochrane Reviews (mouthrinses, gels, varnishes, toothpastes).
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