As vírgulas na passagem do 2º parágrafo “… como reforça o...

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Q3834677 Português
A tempestade da desigualdade climática

        Em todo o mundo, há cerca de 1,1 bilhão de pessoas vivendo em condições de “pobreza multidimensional aguda” – aquela que define a pobreza não só pela falta de renda, mas por um conjunto de privações, como saúde, educação, habitação, saneamento básico, energia elétrica, água potável e acesso à informação. Desse número gigantesco, quase 900 milhões de pessoas, ou cerca de 80%, estão diretamente expostas a riscos climáticos, por viverem em regiões mais suscetíveis ao impacto, por exemplo, do calor extremo, inundações, seca ou poluição do ar. Esse cruzamento entre índices de pobreza e risco climático, feito de maneira inédita, é um dos méritos de um relatório divulgado pela ONU e pela Iniciativa Pobreza e Desenvolvimento Humano de Oxford, da Universidade de Oxford.

        Intitulado “Índice de Pobreza Multidimensional Global de 2025 – Dificuldades sobrepostas: pobreza e riscos climáticos”, o documento não só reafirma o quanto a pobreza está longe de ser um problema socioeconômico isolado, como reforça o que a ciência vem alertando, isto é, sua conexão direta com instabilidades planetárias. Afinal, efeitos climáticos extremos são parte da rotina dos mais vulneráveis e integram o conjunto de alertas de especialistas para tentar tornar mais ambiciosos os compromissos em negociação durante a COP-30, em Belém.

        A constatação reforça uma verdade incômoda: o aquecimento global é também um problema de desigualdade. A pobreza e o clima formam um círculo perverso, pois a escassez de recursos obriga milhões a depender de atividades frágeis, como a agricultura de subsistência e o trabalho informal, justamente as mais afetadas por eventos extremos. Quando secas e enchentes se alternam com frequência, tanto comprometem o sustento quanto destroem o pouco que resta. O relatório mostra a África Subsaariana e o sul da Ásia como regiões especialmente críticas. Mas o Brasil também faz parte desse retrato. Enchentes no Rio Grande do Sul, deslizamentos em Petrópolis e no litoral paulista, estiagens no Nordeste e queimadas na Amazônia revelam um mesmo padrão: são os mais pobres que mais perdem.

(https://www.estadao.com.br/opiniao, 30.10.2025. Adaptado)
As vírgulas na passagem do 2º parágrafo “… como reforça o que a ciência vem alertando, isto é, sua conexão direta com instabilidades planetárias.” são empregadas pelo mesmo motivo que as vírgulas presentes em:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: No trecho “como reforça o que a ciência vem alertando, isto é, sua conexão direta com instabilidades planetárias.”, as vírgulas isolam a expressão intercalada “isto é”, de valor explicativo/reformulador; por isso, a alternativa correta é a que reproduz esse mesmo emprego, em “ou seja”, na alternativa E.

Tema central: vírgula em expressão explicativa
Análise das alternativas
A
Errada
As vírgulas isolam “às vezes”, que é adjunto adverbial intercalado. Não há expressão explicativa/reformuladora equivalente a “isto é”; o motivo da pontuação é outro.
B
Errada
As vírgulas isolam “em 1965”, adjunto adverbial de tempo intercalado na oração temporal “Quando construíram a casa”. Não se trata de esclarecimento ou reformulação do conteúdo anterior.
C
Errada
As vírgulas isolam “símbolo de inovações tecnológicas”, que funciona como aposto explicativo. Embora haja valor de explicação, a estrutura é nominal-apositiva, não uma expressão conectiva reformuladora como “isto é”.
D
Errada
As vírgulas isolam a oração subordinada adjetiva explicativa “que trabalhava em um jornal”. O segmento entre vírgulas acrescenta informação sobre “O filho mais velho”, mas não reformula a informação anterior por meio de conector explicativo.
E
Certa
Na alternativa E, as vírgulas isolam “ou seja”, expressão explicativa/reformuladora equivalente a “isto é” no texto-base. Em ambos os casos, a pontuação serve para esclarecer ou reformular a informação anterior por meio de conector explicativo intercalado.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre qualquer elemento isolado por vírgulas e o mesmo motivo de pontuação. O ponto decisivo não é haver duas vírgulas, mas identificar que, no texto-base, elas isolam uma expressão reformuladora (“isto é”), reproduzida apenas por “ou seja” em E.
Dica para questões semelhantes
  • Não compare só a presença de vírgulas; compare a função do trecho isolado.
  • Se o segmento intercalado equivaler a “ou seja” ou “isto é”, há forte indicação de expressão explicativa/reformuladora.
  • Diferencie expressão reformuladora de adjunto adverbial, aposto explicativo e oração adjetiva explicativa.
  • Em pontuação, o critério decisivo é sintático-semântico, não apenas a pausa na leitura.

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Comentários

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As vírgulas isolam a expressão “isto é”, que funciona como expressão explicativa, introduzindo uma reformulação/esclarecimento do que foi dito antes. “Ou seja”, típico de aposto explicativo ou comentário.

Alternativa A

“A rua, às vezes, parecia estar fechada…”

As vírgulas isolam um adjunto adverbial intercalado (às vezes), com valor circunstancial de tempo (uma hora sim, outra não), não explicativo.

Alternativa B

“Quando construíram a casa, em 1965, o filho mais novo…”

As vírgulas isolam um adjunto adverbial de tempo, também intercalado, sem função explicativa.

Alternativa C

“A cidade onde ela morava, símbolo de inovações tecnológicas, era assunto de revista.”

Aqui as vírgulas isolam um aposto explicativo, mas não esclarece, explica ou reformular o enunciado anterior.

Alternativa D

“O filho mais velho, que trabalhava em um jornal, sonhava…”

As vírgulas marcam uma oração subordinada adjetiva explicativa, caracterizando o substantivo, não reformulando a ideia anterior.

Alternativa E

“A casa que ele comprou era muito antiga, ou seja, foi construída no século passado.”

As vírgulas isolam a expressão “ou seja”, que exerce exatamente a mesma função de “isto é”: esclarecer, explicar e reformular o enunciado anterior.

O foco aqui é a Sintaxe da Pontuação, especificamente o uso da vírgula para isolar elementos explicativos ou retificativos.

  • Pobreza Multidimensional: Conceito sociológico citado no texto que amplia a visão de pobreza para além do dinheiro (inclui saúde, educação, etc.).
  • Expressões Expletivas ou Explicativas: São termos que servem para esclarecer, retificar ou enfatizar o que foi dito anteriormente. Exemplos comuns: isto é, ou seja, aliás, por exemplo, ou melhor.

2. Definições Importantes

Para resolver esta questão, você precisa identificar a função gramatical do trecho entre vírgulas:

"...como reforça o que a ciência vem alertando, isto é, sua conexão direta..."

A expressão "isto é" é uma conjunção explicativa/denotativa. Ela tem a função de introduzir uma explicação ou esclarecimento sobre o termo anterior. Na norma culta, essas expressões devem vir obrigatoriamente isoladas por vírgulas.

3. Análise das Alternativas e a "Pegadinha"

A grande "armadilha" em provas de concursos e vestibulares é confundir os diferentes motivos do uso da vírgula. Vamos ver por que as outras estão incorretas:

  • A) Adjunto Adverbial Intercalado: "às vezes" indica tempo.
  • B) Adjunto Adverbial de Tempo: "em 1965" isola uma data.
  • C) Aposto Explicativo: "símbolo de inovações tecnológicas" explica o substantivo "cidade". (É parecido, mas não usa expressão denotativa).
  • D) Oração Subordinada Adjetiva Explicativa: "que trabalhava em um jornal" traz uma informação adicional sobre o filho.

E) Expressão Explicativa (CORRETA): A expressão "ou seja" possui exatamente a mesma função gramatical de "isto é". Ambas são locuções explicativas que conectam duas ideias para esclarecer o sentido da primeira

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