O primeiro e segundo parágrafos do texto III apresentam uma ...
Texto para responder as questões 13 a 15.
Texto III – Para que ninguém a quisesse...
Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos altos.
Dos armários tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos. Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras. Uma fina saudade começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite, tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos. Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
https://www.pensador.com/autor/marina-colasanti/ Acesso em 09/03/18
O primeiro e segundo parágrafos do texto III apresentam uma intenção comunicativa que revela um(a)
( ) discurso autoritário, que não permite ponderações ou mediações, sem qualquer possibilidade de interferência do receptor.
( ) linguagem que se fecha, por meio da flexão verbal imperativa, cujo locutor se considera dono da verdade.
( ) discussão na relação entre os interlocutores, em que uma voz tenderá a derrotar a outra.
O preenchimento CORRETO dos parênteses está na alternativa
Gabarito comentado
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Gabarito: B) V V F
Tema central: Interpretação de texto, especialmente sobre características do discurso autoritário e o uso do modo imperativo como manifestação de poder na linguagem.
No texto, o comportamento do marido em relação à mulher é o foco dos dois primeiros parágrafos. Ele toma decisões unilaterais, exigindo posturas e imposições, sem espaço para diálogo. Essa conduta é típica do chamado discurso autoritário.
Análise das afirmações:
1. Discurso autoritário... (V)
A imposição de ordens e proibições pelo marido demonstra claramente o discurso autoritário, sem abertura para ponderações. De acordo com a “Moderna Gramática Portuguesa” (Bechara), tal discurso caracteriza-se pela impossibilidade de interferência do receptor.
2. Linguagem fechada por meio do imperativo... (V)
A linguagem empregada utiliza verbos imperativos/ordens (“mandou que descesse”, “exigir que eliminasse”) — fenômeno que, segundo Cunha & Cintra, é norma do modo imperativo: expressão de ordens e vontades de quem fala, reforçando a ideia de verdade absoluta do locutor.
3. Discussão com vozes rivais... (F)
Não há debate ou troca de argumentos entre marido e esposa: ela aparece como destinatária passiva das imposições, sem reagir nem contra-argumentar. Portanto, é falsa a ideia de que ocorre discussão, já que só uma voz predomina.
Análise das alternativas incorretas:
- A, C, D, E: erram ao considerar falsa uma das duas primeiras sentenças ou considerar verdadeira a terceira. O erro comum é ignorar a unilateralidade do discurso e o uso de ordens, pontos centrais do texto.
Resumo da estratégia: Ao analisar questões de interpretação, atente-se ao tipo de relação comunicativa (colaborativa, conflitante, autoritária) e à presença de emissões unilaterais (ordens, ausência de diálogo etc). O entendimento do modo imperativo auxilia a identificar o caráter das falas.
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