"Mesmo com tantos esforços, a jiboia-do-ribeira continua am...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3995044 Português
O mistério da jiboia-do-ribeira


Essa cobra é tão misteriosa que passou mais de 60 anos sem ser encontrada viva. Trata-se da jiboia-do-ribeira. Discreta e preciosa, essa serpente é tão rara e, naturalmente, camuflada que passou todo esse tempo pouco conhecida pela ciência. Ela vive no Vale do Ribeira, região no sul do estado de São Paulo. Durante pouco mais de seis décadas, tudo o que se sabia sobre ela vinha da análise de alguns animais mortos encontrados ao acaso. Mas isso começou mudar com a ajuda dos moradores da região!

Bem disfarçada


A jiboia-do-ribeira é maior até que muitos humanos adultos: pode medir até um metro e setenta centímetros! Apesar disso, ela é quase invisível na floresta, porque seus hábitos a ajudam a se esconder. Vive no alto das árvores e costuma sair para caçar ou para se reproduzir durante a noite.


Além disso, sua camuflagem é perfeita! Sua pele traz uma mistura de tons marrons e verde oliva, com losangos irregulares pretos e barriga amarela, que se confundem com os galhos e as folhas das árvores. E tem mais: ela rasteja bem devagar, o que a deixa ainda mais difícil de ser encontrada.


Sem veneno, com abraço


Ao contrário de cobras venenosas, como jararacas, cascavéis e corais-verdadeiras, a jiboia-do-ribeira não tem veneno. Para conseguir se alimentar, ela dá um "abraço apertado" em pequenos ratos e marsupiais (como os gambás) que se movem pelas copas das árvores à noite. Com um bote rápido, ela se enrola no corpo do animal até que ele pare de respirar e ela consiga comê-lo. É também desta forma que outras cobras da família das jiboias, como as sucuris e as suaçuboias, capturam suas presas.


Antes que desperte medo, vale sempre reforçar que a jiboia-do-ribeira não representa perigo para as pessoas. Ela prefere fugir a ter que se defender. Claro que, se você encontrar uma e não estiver na companhia de um especialista em cobras, o melhor é manter distância e só observar!


Parceria na proteção


Não foi por acaso que moradores do Vale do Ribeira encontraram uma jiboia-do-ribeira viva. O encontro foi resultado da parceria entre pesquisadores do Projeto Jiboia-do-Ribeira e moradores do bairro Guapiruvu, no município de Sete Barras, em São Paulo. Depois de conversas e palestras sobre a conservação da natureza e a importância dessa rara espécie, cinco moradores avistaram uma cobra diferente na estrada, e logo desconfiaram que poderia ser a tal espécie rara de que os pesquisadores tanto falavam. Acertaram em cheio! 


Desde esse encontro, os moradores passaram a ajudar os pesquisadores. Eles tiram fotos, avisam sobre encontros com animais e até participam do monitoramento na natureza com radiotransmissores. Esse trabalho conjunto entre cientistas e moradores é chamado ciência cidadã e tem sido essencial para desvendar os segredos dessa espécie.


Informação ajuda


Mesmo com tantos esforços, a jiboia-do-ribeira continua ameaçada de extinção. Ela depende de florestas bem conservadas para sobreviver, mas o desmatamento e a degradação vêm reduzindo seu hábitat. Além disso, quando as árvores não entrelaçam suas copas, as jiboias precisam descer até o chão para seguir seu caminho, e é aí que mora o perigo! As estradas que cortam a região representam risco de atropelamentos, uma das principais causas de morte da espécie nos últimos anos.


O Projeto Jiboia-do-Ribeira, em parceria com a comunidade do Vale, busca atrair cada vez mais pessoas interessadas em apoiar na conservação dessa rara serpente. Você não imagina o quanto pode ajudar contando a história do animal para seus amigos e familiares, além de sugerir que sigam o projeto Jiboia-do-Ribeira nas redes sociais.


A jiboia-do-ribeira é mais um exemplo de como a biodiversidade brasileira é única e precisa ser protegida. Assim como ela necessita das árvores para se abrigar, nós precisamos das florestas para manter a vida na Terra. Proteger a jiboia-do-ribeira é também proteger rios limpos, ar puro e um futuro mais equilibrado para todos os seres vivos.


https://chc.org.br/artigo/o-misterio-da-jiboia-do-ribeira/
"Mesmo com tantos esforços, a jiboia-do-ribeira continua ameaçada de extinção."
Com base no trecho e no texto-base, é CORRETO afirmar que:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a relação semântica explícita entre a sobrevivência da espécie e a preservação do hábitat. O trecho obrigatório é: "Ela depende de florestas bem conservadas para sobreviver, mas o desmatamento e a degradação vêm reduzindo seu hábitat." Assim, a alternativa correta é a que retoma essa dependência direta das florestas para a conservação da jiboia-do-ribeira.

Tema central: preservação do hábitat
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao falar em adaptação ao espaço urbano. O texto afirma o contrário: a jiboia-do-ribeira depende de florestas bem conservadas para sobreviver e vive no alto das árvores. A participação de moradores e pesquisadores na proteção da espécie não significa adaptação da espécie ao ambiente urbano.
B
Certa
A alternativa B está correta porque parafraseia fielmente a informação central do texto: a jiboia-do-ribeira depende de florestas bem conservadas para sobreviver. Portanto, sua conservação está diretamente ligada à preservação das florestas onde vive.
C
Errada
A alternativa contradiz o texto em vários pontos. O texto afirma expressamente: "Ao contrário de cobras venenosas, como jararacas, cascavéis e corais-verdadeiras, a jiboia-do-ribeira não tem veneno." Também diz: "Antes que desperte medo, vale sempre reforçar que a jiboia-do-ribeira não representa perigo para as pessoas." Além disso, o trecho destacado fala em espécie "ameaçada de extinção", não extinta, e não há informação de que a principal causa seja caça humana.
D
Errada
A alternativa substitui a causa textual por outra não mencionada. O texto atribui a ameaça ao desmatamento, à degradação do hábitat e ao risco de atropelamentos em estradas: "As estradas que cortam a região representam risco de atropelamentos, uma das principais causas de morte da espécie nos últimos anos." Não há indicação de predadores naturais como principal causa da ameaça.
Pegadinha da questão
A banca explora confusões por extrapolação: trocar a ajuda humana na proteção da espécie por adaptação ao espaço urbano, supor que toda cobra é venenosa e perigosa e substituir as causas ambientais explicitadas no texto por causas genéricas não mencionadas.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando manda considerar trecho destacado e texto-base, procure a alternativa que reproduz a explicação causal explícita do texto, sem acrescentar hipótese nova.
  • Elimine opções que trocam informação textual por suposição genérica, como associar cobra automaticamente a veneno ou periculosidade.
  • Observe palavras decisivas do texto, como "depende", "ameaçada" e "hábitat": elas delimitam o sentido correto e impedem extrapolações como "extinta" ou "adaptada ao espaço urbano".

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo