Uma paciente idosa, com histórico de dispneia crônica e ort...
Gabarito comentado
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Tema central: quadro típico de insuficiência cardíaca congestiva (ICC) descompensada por retenção hídrica.
Justificativa da alternativa correta (B): Os marcadores-chave são: dispneia crônica e ortopneia (piora ao deitar por aumento do retorno venoso), ganho de peso e edema periférico (sobrecarga volêmica), estertores pulmonares (congestão/alvéolos com líquido) e terceira bulha – B3 (enchimento rápido de ventrículo dilatado, típico de IC com sobrecarga de volume). Esse conjunto direciona fortemente para ICC. Critérios de Framingham: ortopneia, estertores e B3 são maiores; edema e ganho de peso ajudam na suspeita. Diretrizes SBC 2021 e AHA/ACC/HFSA 2022 reforçam esses achados clínicos.
Fisiopatologia essencial: Aumento das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo → congestão pulmonar (estertores) e dispneia/ortopneia; retenção renal de sódio/água por ativação neuro-hormonal → edema e ganho de peso; B3 indica sobrecarga volêmica e disfunção sistólica/ventricular.
Exames que confirmam/avaliam: BNP/NT-proBNP elevados; radiografia com congestão/cefalização; ecocardiograma (fração de ejeção, função diastólica, valvopatias); ECG; função renal/eletrólitos; pesquisa de desencadeantes (isquemia, arritmia, infecção) [Harrison’s, UpToDate, SBC].
Conduta resumida (fase aguda): diurético de alça IV (furosemida) para descongestão, oxigênio se hipoxemia, vasodilatadores se hipertensão, tratar causas precipitantes. Manutenção: terapia dirigida por diretrizes (IECA/ARNI, betabloqueador, antagonista de aldosterona, iSGLT2), conforme perfil clínico (SBC 2021; AHA/ACC/HFSA 2022).
Por que as demais estão incorretas?
A) Síndrome nefrótica: cursa com proteinúria maciça, hipoalbuminemia e edema mole/periorbitário. Não explica B3 e estertores típicos de congestão cardíaca; ortopneia é menos característica.
C) Cirrose com ascite: edema por hipoalbuminemia/hipertensão portal, sinais de hepatopatia (aranhas vasculares, eritema palmar) e ascite. B3 e estertores não são achados centrais; dispneia costuma ser por ascite volumosa, não por congestão pulmonar.
D) DPOC em fase infecciosa: espera-se tosse, chiado sibilante, roncos e hiperinsuflação; B3 não é típico. Edema pode ocorrer em cor pulmonale, porém não justificaria ortopneia e estertores alveolares clássicos.
Estratégia para a prova: destaque termos gatilho: ortopneia + estertores + B3 + edema/ganho de peso → pense em ICC. B3 é um “sinal de ouro” de sobrecarga de volume cardíaco. Edema isolado sem sinais cardiopulmonares sugere rim/fígado; com B3/estertores, priorize coração.
Referências: Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca (SBC, 2021); AHA/ACC/HFSA 2022; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Heart failure: clinical manifestations and diagnosis).
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