Num debate com estudantes, me perguntaram o que
faltava para que o homem, a história, o mundo, enfim, tivessem
um sentido. Sinceramente, eu nunca me fizera essa indagação e
me considero a pessoa menos indicada para uma resposta que
não seja demente, como as que costumo dar quando não
entendo ou não estou por dentro de um assunto.
A circunstância de estar sentado atrás de uma mesa,
com um microfone e um copo d’água à frente, me impedia
de dar um vexame, respondendo com honestidade: não sei.
Afinal, aquelas pessoas ali estavam para saber o que julgo
saber. E não para saber que eu nada sei.
Disse que falta à história e ao mundo uma edição final, a
mesma edição que é feita no cinema, nos espetáculos, nos
documentários e nos textos publicados na mídia. O mundo, a
história e o homem não passam de um making of, uma sucessão
atabalhoada de cenas, frases, personagens, emoções, pontos de
vista (ou de câmera) que necessitam de uma montagem posterior, na mesa de edição ou nas antigas moviolas dos laboratórios de cinema.
(CONY, Carlos Heitor. Edição Final. In: PINTO, Manuel da Costa (Org.).
Crônica brasileira contemporânea. São Paulo: Moderna, 2005, pp. 28-29.
Fragmento.)
Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido do trecho do texto em: