Uma paciente de 73 anos apresenta histórico de abuso de álco...

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Q2700227 Medicina

Uma paciente de 73 anos apresenta histórico de abuso de álcool.Com o envelhecimento, aumenta a sensibilidade ao álcool, enquanto a tolerância diminui, e o álcool leva mais tempo para ser metabolizado. Muitas medicações prescritas aumentam os efeitos negativos do álcool. A paciente foi medicada recentemente com nortriptilina 25mg/ dia. Sobre quais efeitos colaterais a paciente deve ser alertada ao combinar esta medicação com álcool, particularmente no início do tratamento?

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Comentário da Questão – Gabarito:

Tema central: A questão aborda um aspecto crítico do manejo farmacológico em idosos com histórico de abuso de álcool: a interação entre antidepressivos tricíclicos (exemplo: nortriptilina) e álcool, que pode potencializar riscos ao sistema nervoso central.

Justificativa da alternativa correta (C):

O álcool age como depressor do SNC e, quando combinado com fármacos como a nortriptilina, há soma dos efeitos sedativos, risco de confusão mental, sonolência, diminuição do alerta e principalmente do retardo psicomotor. Em idosos, esses riscos se agravam pela redução natural da tolerância ao álcool e pelas alterações do metabolismo hepático próprias da idade, o que aumenta o tempo de ação das substâncias.

Segundo a bula da nortriptilina: “O uso associado ao álcool pode potencializar o efeito depressor sobre o sistema nervoso central, aumentando a sedação e o prejuízo das funções cognitivas e motoras”. O Manual “Atenção à Saúde do Idoso”, do Ministério da Saúde, reforça que idosos têm risco elevado de quedas, confusão mental e delírio por interações medicamentosas.

Análise das alternativas incorretas:

A) Hepatotoxicidade grave: Nem a nortriptilina nem o álcool, nas doses usuais, causam esse efeito de forma típica ou rápida. Quadros graves de hepatotoxicidade são raros e não representam o principal risco da interação.

B) Aumento de efeito anticoagulante: Não há mecanismo farmacológico que relacione nortriptilina ou álcool ao aumento significativo de anticoagulação. Essa associação está equivocada.

D) Sinais mascarados de delirium tremens: Delirium tremens ocorre principalmente na abstinência do álcool e não pela combinação ativa com antidepressivo. A preocupação maior deve ser a sedação excessiva, não o mascaramento de sintomas de abstinência.

Estratégia de prova: Atenção a termos-chave (“idosa”, “histórico de abuso”, “início do tratamento”), que orientam para o risco de efeitos colaterais centrais e potencialização de sedação, e não para complicações hepáticas ou de coagulação.

Em resumo, a melhor conduta é orientar sempre quanto ao perigo da associação, sobretudo em pacientes idosos, reforçando risco aumentado de depressão do SNC e retardo psicomotor.

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