Os AINEs são frequentemente prescritos em odontologia para c...

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Q3367569 Odontologia
Os AINEs são frequentemente prescritos em odontologia para controle da dor e inflamação pós-operatória. Qual o principal mecanismo de ação desses fármacos?
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Tema central: Analgésicos não esteroides (AINEs) na odontologia atuam principalmente reduzindo a dor e a inflamação pós-operatória por interferirem na síntese de mediadores inflamatórios.

Alternativa correta: B — Inibição da ciclooxigenase (COX) e redução de prostaglandinas

AINEs inibem as isoenzimas COX-1 e/ou COX-2, bloqueando a conversão do ácido araquidônico em prostaglandinas (ex.: PGE2, PGI2) e tromboxano (TXA2). As prostaglandinas sensibilizam nociceptores periféricos, participam do edema e da febre; logo, sua redução explica o efeito analgésico, anti-inflamatório e antipirético. Em odontologia (exodontias, cirurgias periodontais), isso se traduz em menor dor e edema pós-operatórios. Evidências e diretrizes (ADA 2020; UpToDate; Goodman & Gilman) recomendam AINEs, isolados ou combinados ao paracetamol, como primeira linha para dor odontológica, frequentemente superiores a opioides.

Por que as demais estão incorretas?

A) “Bloqueio dos receptores opioides”: opioides atuam como agonistas de receptores μ no SNC, não por bloqueio. Esse mecanismo é central e distinto dos AINEs, que agem majoritariamente na via periférica pela inibição da COX. Além disso, opioides não reduzem inflamação.

C) “Estimulação da liberação de endorfinas”: AINEs não promovem liberação de opioides endógenos. A analgesia dos AINEs decorre da diminuição de prostaglandinas, não do sistema opioide endógeno.

D) “Bloqueio dos canais de sódio periféricos”: este é o mecanismo de anestésicos locais (ex.: lidocaína), que impedem a condução do impulso nervoso. AINEs não bloqueiam canais de sódio.

Estratégia para provas

  • Associe AINEs à tríade: Inibe COX → ↓ Prostaglandinas → ↓ Dor/Edema/Febre.
  • COX-1: proteção gástrica, função plaquetária e renal; sua inibição explica efeitos adversos (GI, sangramento). COX-2: mais relacionada à inflamação; inibidores seletivos tendem a menos eventos GI, porém maior risco cardiovascular.
  • Pegadinha comum: confundir com opioides (receptores μ) ou anestésicos locais (bloqueio de canais de sódio).

Aplicação clínica em odontologia: Para dor pós-operatória, diretrizes da ADA (2020) recomendam AINEs (ex.: ibuprofeno) sozinhos ou com paracetamol como primeira escolha, reduzindo necessidade de opioides e seus efeitos adversos. Atenção a contraindicações: úlcera péptica ativa, DRC grave, risco de sangramento e uso de anticoagulantes (devido ao efeito no TXA2/plaquetas).

Fontes úteis: American Dental Association guideline on acute dental pain (2020); UpToDate – Nonopioid analgesics; Goodman & Gilman’s The Pharmacological Basis of Therapeutics.

Gabarito: B

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