Sobre as manifestações oculares da hanseníase, é correto afi...
Gabarito comentado
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Tema central: manifestações oculares da hanseníase. O Mycobacterium leprae acomete estruturas “frias” da face e nervos cranianos, sobretudo V (trigêmeo – sensibilidade corneana) e VII (facial – fechamento palpebral). Nas formas multibacilares, especialmente a lepromatosa (virchowiana), há maior infiltração difusa e risco de complicações oculares.
Alternativa correta: D – Lagoftalmo por paralisia do nervo facial. O acometimento do VII par (ramos para o músculo orbicular) impede o fechamento completo das pálpebras, expondo a córnea e predispondo a ceratopatia de exposição, úlcera e infecção. É comum nas formas multibacilares, notadamente a lepromatosa, pelo alto bacilo-alvo e neurite crônica. Conduta prática: MDT (rifampicina, dapsona, clofazimina), lubrificantes, oclusão noturna, proteção ocular, tratar neurite com corticoide quando indicado e, se refratário, tarsorrafia ou reanimação palpebral. (Referências: Ministério da Saúde/OMS; UpToDate; Kanski’s Clinical Ophthalmology)
Análise das incorretas
A) “Irite rara (<5%)” – Incorreto. A irite/iridociclite é uma das complicações mais frequentes nas formas multibacilares, relacionada à infiltração direta e a reações hansênicas (tipo 1 e 2). Estudos e textos de referência relatam prevalências bem acima de 5% em lepromatosos, com sinais como miose irregular e sinéquias. (Kanski; UpToDate)
B) “Esclerite na borderline” – Incorreto. O mais típico é episclerite e escleromalácia por infiltração crônica; esclerite verdadeira é incomum e não é característica específica da forma borderline. Dor e hiperemia podem ocorrer, mas a associação proposta é imprecisa. (Kanski; MS/OMS)
C) “Catarata infrequente e apenas na virchowiana” – Incorreto. A catarata é frequente em hanseníase por uveíte crônica, uso de corticoides e idade, e pode ocorrer em várias formas, embora mais comum nas multibacilares. Não se restringe à lepromatosa. (UpToDate; Kanski)
E) “Ceratite neuroparalítica mais comum na tuberculoide” – Incorreto. A ceratite neurotrófica decorre de lesão do V1 (trigêmeo) com anestesia corneana e é mais vista nas formas multibacilares (lepromatosa/borderline lepromatosa), não na tuberculoide. Pode coexistir com lagoftalmo, agravando a exposição. (Kanski; UpToDate)
Estratégia de prova: procure palavras-chave: VII par → lagoftalmo; V1 → perda de sensibilidade corneana; evite cair em extremos como “rara” ou “apenas”, que costumam sinalizar pegadinhas. Relacione “multibacilar/lepromatosa” a maior risco ocular difuso.
Referências essenciais: Ministério da Saúde – Diretrizes de Hanseníase; WHO Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy; UpToDate – Ocular complications of leprosy; Kanski’s Clinical Ophthalmology.
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