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Q3195376 Medicina
Um paciente hipertenso de longa data, sem controle adequado da pressão arterial, realiza exame oftalmológico. No exame de fundo de olho, você observa sinais avançados de retinopatia hipertensiva. Qual achado é mais indicativo de retinopatia hipertensiva em estágio crônico e pode estar associado a um risco elevado de complicações visuais?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: BEstreitamento focal das arteríolas retinianas com cruzamentos arteriovenosos patológicos (sinal de Gunn/nicking).

Tema central: Retinopatia hipertensiva crônica. A hipertensão sustentada provoca remodelamento arteríolar (vasoespasmo seguido de esclerose hialina), levando a estreitamento arteriolar difuso/focal, reflexo em “fio de cobre”/“fio de prata” e cruzamentos AV patológicos. Esses achados traduzem estágio crônico e se associam a risco de oclusão venosa de retina, isquemia e perda visual. (Kanski; AAO BCSC Retina; UpToDate)

Por que a alternativa B é a correta? O estreitamento focal e o AV nicking são marcadores clássicos da fase crônica (classificação de Keith–Wagener–Barker e de Wong & Mitchell). Indicam arteriolosclerose e aumentam o risco de complicações visuais (p.ex., oclusão de ramo venoso no ponto de cruzamento), além de maior risco cardiovascular sistêmico. Evidência: UpToDate “Hypertensive retinopathy”; Wong TY, Mitchell P.

Análise das alternativas incorretas

A) Hemorragias em chama e manchas algodonosas (exsudatos moles) indicam isquemia da camada de fibras nervosas, típicas de fase aguda/maligna ou descompensação recente, não do predomínio crônico. Podem ocorrer, mas não são o melhor marcador de cronicidade.

C) Edema de papila com hemorragias peripapilares caracteriza retinopatia hipertensiva maligna (grau IV), uma emergência hipertensiva aguda. Não representa o padrão crônico habitual.

D) Dilatação venosa é inespecífica e os exsudatos moles apontam para fase aguda/isquêmica, como na alternativa A. Em crônico, predomina a arteriolosclerose com sinais de cruzamento.

E) Exsudatos duros maculares podem aparecer na hipertensão, mas a neovascularização de disco não é típica de retinopatia hipertensiva crônica; sugere mais retinopatia diabética proliferativa ou isquemia extensa (p.ex., oclusões venosas).

Pistas para a prova

- Pense em cronicidade quando ler: estreitamento arteriolar, cobre/prata, AV nicking.
- Pense em agudo/maligno quando aparecer: manchas algodonosas, hemorragias em chama, edema de papila, estrela macular.

Diagnóstico e conduta na prática

- Fundoscopia é o exame-chave; OCT auxilia se houver edema macular; angiografia fluoresceínica se suspeita de isquemia/oclusão.
- Tratamento: controle rigoroso da PA conforme diretrizes (SBC/ESC/ACC). Não há terapia ocular específica para a retinopatia crônica sem complicações; tratar eventos associados (p.ex., oclusão venosa, edema macular) segundo protocolos.

Referências essenciais: Kanski – Clinical Ophthalmology; AAO BCSC Retina; UpToDate “Hypertensive retinopathy”; Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia para HAS.

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