Um paciente hipertenso de longa data, sem controle adequado ...
Gabarito comentado
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Gabarito: B — Estreitamento focal das arteríolas retinianas com cruzamentos arteriovenosos patológicos (sinal de Gunn/nicking).
Tema central: Retinopatia hipertensiva crônica. A hipertensão sustentada provoca remodelamento arteríolar (vasoespasmo seguido de esclerose hialina), levando a estreitamento arteriolar difuso/focal, reflexo em “fio de cobre”/“fio de prata” e cruzamentos AV patológicos. Esses achados traduzem estágio crônico e se associam a risco de oclusão venosa de retina, isquemia e perda visual. (Kanski; AAO BCSC Retina; UpToDate)
Por que a alternativa B é a correta? O estreitamento focal e o AV nicking são marcadores clássicos da fase crônica (classificação de Keith–Wagener–Barker e de Wong & Mitchell). Indicam arteriolosclerose e aumentam o risco de complicações visuais (p.ex., oclusão de ramo venoso no ponto de cruzamento), além de maior risco cardiovascular sistêmico. Evidência: UpToDate “Hypertensive retinopathy”; Wong TY, Mitchell P.
Análise das alternativas incorretas
A) Hemorragias em chama e manchas algodonosas (exsudatos moles) indicam isquemia da camada de fibras nervosas, típicas de fase aguda/maligna ou descompensação recente, não do predomínio crônico. Podem ocorrer, mas não são o melhor marcador de cronicidade.
C) Edema de papila com hemorragias peripapilares caracteriza retinopatia hipertensiva maligna (grau IV), uma emergência hipertensiva aguda. Não representa o padrão crônico habitual.
D) Dilatação venosa é inespecífica e os exsudatos moles apontam para fase aguda/isquêmica, como na alternativa A. Em crônico, predomina a arteriolosclerose com sinais de cruzamento.
E) Exsudatos duros maculares podem aparecer na hipertensão, mas a neovascularização de disco não é típica de retinopatia hipertensiva crônica; sugere mais retinopatia diabética proliferativa ou isquemia extensa (p.ex., oclusões venosas).
Pistas para a prova
- Pense em cronicidade quando ler: estreitamento arteriolar, cobre/prata, AV nicking.
- Pense em agudo/maligno quando aparecer: manchas algodonosas, hemorragias em chama, edema de papila, estrela macular.
Diagnóstico e conduta na prática
- Fundoscopia é o exame-chave; OCT auxilia se houver edema macular; angiografia fluoresceínica se suspeita de isquemia/oclusão.
- Tratamento: controle rigoroso da PA conforme diretrizes (SBC/ESC/ACC). Não há terapia ocular específica para a retinopatia crônica sem complicações; tratar eventos associados (p.ex., oclusão venosa, edema macular) segundo protocolos.
Referências essenciais: Kanski – Clinical Ophthalmology; AAO BCSC Retina; UpToDate “Hypertensive retinopathy”; Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia para HAS.
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