A autora diz que o mar “se repetia e era irrepetível” e que ...

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Q566611 Português
A questão abaixo tomará por base um fragmento da crônica de Lygia Fagundes Telles, publicado no livro Invenção e Memória (Rio de Janeiro: Rocco, 2000, p. 69).
Quando entrei no pequeno restaurante da praia, os dois já estavam sentados, o velho e o menino. Manhã de um azul flamante. Fiquei olhando o mar que não via há algum tempo e era o mesmo mar de antes, um mar que se repetia e era irrepetível. Misterioso e sem mistério nas ondas estourando naquelas espumas flutuantes (bom-dia, Castro Alves!) tão efêmeras e eternas, nascendo e morrendo ali na areia. O garçom, um simpático alemão corado, me reconheceu logo. Franz?, eu perguntei e ele fez uma continência, baixou a bandeja e deixou na minha frente o copo de chope. Pedi um sanduíche. Pão preto?, ele lembrou e foi em seguida até a mesa do velho, que pediu outra garrafa de água de Vichy. Olhei se os dois estavam conversando.
A autora diz que o mar “se repetia e era irrepetível” e que era “misterioso e sem mistério”, o que exemplifica um recurso de linguagem chamado:
Alternativas

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Tema central da questão: O foco é interpretação de texto com ênfase em figuras de linguagem, mais especificamente, na identificação do paradoxo dentro do fragmento literário.

1. Explicação do conceito de paradoxo:

Segundo a norma-padrão e autores como Bechara e Cunha & Cintra, o paradoxo é uma figura de linguagem que associa ideias aparentemente contraditórias, mas que, juntas, expressam uma verdade simbólica ou inesperada. Exemplo clássico: “o menos é mais”.

2. Justificativa da alternativa correta:

Ao dizer que o mar “se repetia e era irrepetível” e era “misterioso e sem mistério”, a autora une ideias opostas num só contexto, caracterizando o paradoxo. O estudante, ao se deparar com expressões que se negam ou se anulam de algum modo, deve desconfiar dessa figura.

Essa estratégia, recomendada por gramáticos como Rocha Lima, destaca-se em textos literários por provocar reflexão, densidade e valorização de contradições naturais da vida.

3. Análise das alternativas incorretas:

  • B) Elipse: Omissão de termos facilmente subentendidos. Não ocorre aqui, pois todos os elementos essenciais aparecem.
  • C) Ironia: Diz-se o contrário do que se quer afirmar. Não há ironia, pois não há intenção sarcástica.
  • D) Hipérbole: Exagero proposital. O texto não exagera, apenas revela dualidade do mar.
  • E) Catacrese: Uso de palavra fora do seu sentido original por falta de termo específico (“braço da cadeira”). Não se observa esse recurso no trecho.

4. Estratégia para interpretar esse tipo de questão:

Atente-se para termos contraditórios lado a lado; é forte indicativo de paradoxo. Analise se a expressão estabelece um sentido novo a partir do confronto, e descarte outros sentidos literais ou gramaticais.

5. Referências normativas:

Obras como Moderna Gramática Portuguesa (Bechara) e Nova Gramática do Português Contemporâneo (Cunha & Cintra) consolidam esse entendimento.

Resumo: O uso de paradoxo por Lygia Fagundes Telles destaca a complexidade do tema, enfatizando a dualidade de sentimentos e percepções, e sua identificação correta exige atenção aos contrastes do texto.

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Gabarito A


A) Paradoxo - Consiste numa proposição aparentemente absurda, resultante da união de ideias contraditórias.


B) Elipse - Consiste na omissão de um ou mais termos numa oração que podem ser facilmente identificados, tanto por elementos gramaticais presentes na própria oração, quanto pelo contexto. 


C) Ironia - Consiste em dizer o contrário do que se pretende ou em satirizar, questionar certo tipo de pensamento com a intenção de ridicularizá-lo, ou ainda em  ressaltar algum aspecto passível de crítica. 


D) Hipérbole - É a expressão intencionalmente exagerada com o intuito de realçar uma ideia. 


E) Catacrese - Trata-se de uma metáfora que, dado seu uso contínuo, cristalizou-se. A catacrese costuma ocorrer quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, toma-se outro "emprestado". Assim, passamos a empregar algumas palavras fora de seu sentido original. Exemplos: "ASA" da xícara.

http://www.soportugues.com.br/secoes/estil/estil8.php

GABARITO A

 

Paradoxo = Ideias contrárias sem lógica.

Antítese = Ideias contrárias com lógica. ex.: Enquanto a menina dormia, o rapaz se levantava para estudar.

GABARITO: LETRA  A

ACRESCENTANDO:

Paradoxo:
Duas ideias contrárias que coexistem, que ocorrem ao mesmo tempo, implicando falta de lógica.
Amor é fogo que arde sem se ver, / É ferida que dói e não se sente, / É um contentamento descontente, / É dor que desatina sem doer. (Camões)
Que música silenciosa ele toca!
“Foi sem querer querendo.” (Chaves)

Antítese:
É o contraste entre duas palavras (antônimas), expressões ou pensamentos, provocando uma relação de oposição.
- Metade de mim te adora, a outra metade te odeia.
- Não há vida sem alegrias e sobressaltos.
- Transformou sua vida de água a vinho.

FONTE: A gramática para concursos públicos / Fernando Pestana. – 2. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2015.

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