Um paciente em choque apresenta:
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Tema central: Choque é um estado de hipoperfusão tecidual com oferta inadequada de O2, levando à disfunção orgânica. Pode ser hipovolêmico, cardiogênico, obstrutivo ou distributivo (séptico/anafilático/neurogênico). Sinais vitais e perfusão periférica são fundamentais para o reconhecimento precoce (Harrison’s; UpToDate; ATLS).
Alternativa correta (E) — Pressão arterial baixa e pulso fraco: A hipotensão associada a pulso fraco/filiforme indica queda do débito cardíaco e vasoplegia/hipovolemia, refletindo baixo fluxo arterial efetivo. Frequentemente há taquicardia, pele fria/pegajosa (exceto no choque séptico inicial), tempo de enchimento capilar prolongado, oligúria e rebaixamento do sensório. Esses são marcadores clínicos clássicos de choque em todas as etiologias (Surviving Sepsis Campaign 2021–2024; ATLS 10ª ed.).
Diagnóstico e exames úteis: Avaliar PA, pulso, perfusão periférica, diurese e estado mental. Dosar lactato, gasometria (BE), hemograma, eletrólitos, função renal/hepática. No suspeito de sepse, coletar hemoculturas antes de antibiótico. ECG, radiografia e ultrassom à beira-leito (RUSH/E-FAST) ajudam a identificar a causa (Harrison’s; UpToDate).
Conduta inicial (resumo): ABC, O2 suplementar, dois acessos calibrosos, cristaloides (ex.: 30 mL/kg em sepse), controle de hemorragia, norepinefrina como vasopressor de escolha se choque refratário a volume, e antibiótico precoce em sepse; realizar source control quando indicado (Surviving Sepsis; ATLS).
Por que as demais estão incorretas?
- A - Tosse seca e dor torácica: sintomas respiratórios/pleuríticos são inespecíficos. Podem sugerir pneumonite, TEP ou pericardite, mas não definem choque. Falta o marcador hemodinâmico (hipotensão/hipoperfusão).
- B - Temperatura elevada e sudorese: febre indica infecção/inflamação. Em sepse pode haver febre, mas sem hipotensão e hipoperfusão não configuram choque séptico (SSC: necessidade de vasopressor e lactato elevado).
- C - Dor de cabeça e visão turva: mais compatíveis com crise hipertensiva ou distúrbios neurológicos. Choque tende a cursar com tontura/síncope pelo baixo fluxo, não com cefaleia hipertensiva.
- D - Náusea e diarreia: podem causar hipovolemia, mas não são sinais de choque. O que define o choque é a hipoperfusão (PA baixa, pulso fraco, oligúria, alteração mental).
Estratégia de prova: Diante de listas de sintomas, priorize sinais hemodinâmicos (PA baixa, pulso fraco, pele fria, oligúria) em vez de sintomas inespecíficos. Cuidado com a “pegadinha” da febre: só indica choque séptico quando acompanhada de hipotensão e necessidade de vasopressor.
Referências: Surviving Sepsis Campaign (2021–2024); ATLS 10ª ed.; UpToDate (Shock in adults: recognition and initial management); Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: E
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