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Q3884412 Medicina
Paciente do sexo feminino, 22 anos, procura pronto atendimento por mal-estar, peso no corpo e dores na mão direita e dedos, em piora nos últimos 3 dias. Nega cefaleia, coriza, tosse ou falta de ar. Nega doenças prévias, considera ter boa saúde, faz uso apenas de etinilestradiol/drospirenona como contracepção, pois tem relações sexuais monogâmicas com seu namorado há 10 meses e esquece de usar preservativos consistentemente. Sabe que não está grávida, pois acaba de menstruar há 7 dias (ciclos regulares). Trabalha como professora de ensino fundamental. Nega uso de drogas ilícitas, tabagismo ou alcoolismo. Nega trauma ou esforço na mão afetada. Pressão arterial 110/72 mmHg, frequência cardíaca 114 bpm, frequência respiratória de 14 ipm, temperatura38.2 graus. Hemograma mostrando hemoglobina de 12,2, hematócrito 38%, leucócitos 13200 (90%de neutrófilos), plaquetas 260000, velocidade de hemossedimentação 48%, glicemia de 94,potássio 4,0, sódio 140, creatinina 0,82 e ureia de 40. Sorologias pendentes.
Diante do quadro atual, é correto afirmar:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O que decide a questão é a suspeita clínica de infecção gonocócica disseminada: mulher jovem, sexualmente ativa, com uso inconsistente de preservativo, febre, neutrofilia, VHS elevada e dor aguda em mão/dedos sem trauma, quadro compatível com tenossinovite/artrite por disseminação hematogênica por Neisseria gonorrhoeae. Nessa hipótese, a conduta correta é iniciar ceftriaxona empiricamente; a associação com azitromicina corresponde à lógica terapêutica clássica cobrada em prova, embora a cobertura para Chlamydia possa variar conforme diretriz.

Tema central: Infecção gonocócica disseminada
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque radiografia ou tomografia da mão/punho não são os melhores testes para confirmar a etiologia provável, que é infecciosa. Em artrite séptica/tenossinovite gonocócica, a imagem pode ser normal ou inespecífica no início e não substitui o raciocínio clínico nem a investigação microbiológica.
B
Certa
A alternativa está correta porque o quadro sindrômico é compatível com infecção gonocócica disseminada, cuja apresentação clássica inclui poliartralgia migratória, tenossinovite e/ou artrite séptica, frequentemente em adultos jovens sexualmente ativos. Aqui, a prioridade é tratar empiricamente com ceftriaxona, e a associação com azitromicina segue a leitura clássica de prova como cobertura para possível coinfecção por Chlamydia.
C
Errada
Está errada porque a alternativa afirma que culturas de secreção cervical, retal, da garganta e sangue não são necessárias. Na suspeita de infecção gonocócica disseminada, essas culturas são pertinentes na investigação e aumentam a chance de identificação do agente, embora não garantam confirmação em todos os casos.
D
Errada
Está errada porque corticoterapia não trata a causa do quadro, que é infecciosa bacteriana. Em artrite séptica ou tenossinovite infecciosa, a conduta efetiva é antimicrobiana; corticoide isolado pode mascarar a evolução clínica e atrasar o tratamento adequado.
E
Errada
Está errada porque não há síndrome meníngea nem sinais neurológicos que sustentem suspeita de meningite. A paciente nega cefaleia, não há descrição de rigidez de nuca, alteração do sensório ou outros achados que indiquem punção lombar; portanto, o líquor não tem indicação clínica neste cenário.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de afastar gonococemia por ausência de sintomas genitais e de interpretar dor em mão/dedos como problema ortopédico local, quando a combinação com febre, neutrofilia e risco sexual aponta para tenossinovite/artrite por infecção gonocócica disseminada.
Dica para questões semelhantes
  • Em jovem sexualmente ativo com febre e dor aguda em mãos, dedos ou punhos sem trauma, pense primeiro em tenossinovite/artrite por disseminação gonocócica.
  • Em suspeita de artrite infecciosa, antibiótico empírico precoce pesa mais do que imagem estrutural inicial.
  • Ausência de corrimento, disúria ou cervicite não exclui infecção gonocócica disseminada.
  • Não confunda início de tratamento empírico com dispensa de culturas: investigação microbiológica de mucosas e sangue continua tendo valor.

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