Mulher de 29 anos procura consultório com queixa de dor de c...

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Q3884411 Medicina
Mulher de 29 anos procura consultório com queixa de dor de cabeça. Diz estar apresentando dores quase diárias nas últimas semanas, severas, mas intermitentes. Classifica a dor como intensidade de 10 numa escala de 1 a 10, mas diz que não está com dor agora. Conta que já foi 2 vezes ao Pronto-socorro, porém em ambas às vezes ao ser atendida a dor já havia passado. Foi orientada a agendar consulta para investigação. Descreve a dor como agulhas perfurando da bochecha ao ouvido direito e irradiando para a lateral da mandíbula. Não consegue atribuir nenhum evento para desencadear a dor, mas percebe que já aconteceu diversas vezes enquanto se alimentava. Nega doenças prévias, fora esse quadro tem boa saúde, nega ter apresentado rash/exantemas no último ano. No exame físico geral, não se identificam alterações. Não apresenta déficits sensoriais ou motores, tampouco sinais de trauma na área onde refere dor.
Sobre o caso em questão, é correto afirmar:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O caso é compatível com neuralgia do trigêmeo: dor facial unilateral, paroxística, muito intensa, em pontadas/choques, no território de V2/V3 e desencadeada por mastigação, com exame neurológico normal entre as crises. Esse padrão sustenta a alternativa que afirma que carbamazepina ou oxcarbazepina são opções de primeira linha, mesmo com RNM sem alterações.

Tema central: Neuralgia do trigêmeo
Análise das alternativas
A
Errada
Essa orientação corresponde a medidas usadas diante de enxaqueca, com foco em gatilhos alimentares e sensoriais como luz, barulho e certos alimentos. O caso, porém, não tem fenótipo de enxaqueca: trata-se de dor facial neuropática paroxística em território trigeminal, precipitada por mastigação.
B
Errada
Oxigênio é abordagem abortiva clássica para cefaleia em salvas, não para neuralgia do trigêmeo. Além disso, faltam os elementos semiológicos de salvas: dor orbitária/periorbitária e sinais autonômicos associados. Aqui a localização facial em V2/V3 e o gatilho mecânico durante alimentação apontam para outro diagnóstico.
C
Errada
A alternativa pressupõe etiologia por herpes zoster sem sustentação clínica. A paciente nega rash/exantema, e o quadro descrito não foi caracterizado como zoster agudo ou neuralgia pós-herpética. Também não se pode afirmar, com base apresentada, que vacinação prévia impediria absolutamente esse quadro.
D
Errada
Esclerose múltipla pode ser causa de neuralgia do trigêmeo secundária, especialmente em pacientes jovens, mas não é a causa mais provável apenas por idade. O enunciado sustenta o diagnóstico sindrômico de neuralgia do trigêmeo; não há déficits neurológicos, surtos prévios ou outros achados que tornem esclerose múltipla a etiologia predominante neste cenário.
E
Certa
A alternativa está correta porque a descrição da dor é típica de neuralgia do trigêmeo: crises breves, recorrentes, unilaterais, lancinantes, em território facial compatível com ramos maxilar e mandibular, com gatilho durante a alimentação. Nessa condição, a decisão terapêutica inicial é clínica, e RNM normal não exclui neuralgia do trigêmeo clássica/idiopática nem impede iniciar tratamento com carbamazepina ou oxcarbazepina, que são fármacos de primeira escolha.
Pegadinha da questão
A banca chama o quadro de "dor de cabeça" para induzir cefaleias primárias, mas a descrição posterior é de dor facial neuropática típica de neuralgia do trigêmeo; a intensidade 10/10 e a idade jovem também podem desviar para cefaleia em salvas ou esclerose múltipla se a topografia e o gatilho mastigatório forem ignorados.
Dica para questões semelhantes
  • Se a dor for unilateral, em choques ou pontadas, com intervalos assintomáticos e desencadeada por mastigação, toque ou escovação, pense primeiro em neuralgia do trigêmeo.
  • Localização em bochecha e mandíbula favorece território de V2/V3 e ajuda a separar neuralgia do trigêmeo de enxaqueca e cefaleia em salvas.
  • Exame neurológico normal entre as crises não afasta neuralgia do trigêmeo; ao contrário, é compatível com a forma clássica.
  • RNM normal não exclui o diagnóstico nem impede tratamento inicial com carbamazepina ou oxcarbazepina.

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