Homem de 62 anos, portador de adenocarcinoma de pulmão metas...

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Q3884400 Medicina
Homem de 62 anos, portador de adenocarcinoma de pulmão metastático com dor óssea crônica, iniciou há duas semanas ajuste de analgésico para dor de forte intensidade, em associação a doses de resgate frequentes. Nas últimas 24h, familiares relatam sonolência progressiva, fala arrastada e episódios de movimentos involuntários em membros superiores. Dá entrada na Unidade de Pronto Atendimento com: PA 110x70 mmHg, FC 58 bpm, FR 8 irpm, pupilas puntiformes, mioclonias difusas.
O diagnóstico mais provável ao caso é o seguinte:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O elemento decisivo é o nexo entre o ajuste recente do analgésico com uso frequente de resgates e o toxíndrome compatível com opioide: sonolência progressiva, fala arrastada, FR 8 irpm e pupilas puntiformes. Nesse contexto, as mioclonias difusas indicam neurotoxicidade induzida por opioide, o que sustenta a alternativa C.

Tema central: Neurotoxicidade por opioide
Análise das alternativas
A
Errada
Hipercalcemia da malignidade pode causar rebaixamento do sensório, mas não explica de forma característica pupilas puntiformes e FR 8 irpm após intensificação recente de analgésico. Além disso, o conjunto sindrômico central do caso é de intoxicação opioide, e não de distúrbio metabólico confirmado laboratorialmente.
B
Errada
Síndrome serotoninérgica costuma cursar com hiperatividade neuromuscular e autonômica, com achados como clônus, hiperreflexia, agitação, febre e diaforese. Aqui o padrão é oposto: sedação progressiva, miose puntiforme e depressão respiratória. Movimentos involuntários isolados não bastam para chamar de síndrome serotoninérgica quando o restante do toxíndrome aponta para opioide.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o caso reúne duas peças que se encaixam no mesmo mecanismo farmacológico: aumento recente de exposição a opioide e sinais objetivos de efeito opioide excessivo no sistema nervoso central e na ventilação. Sonolência progressiva, fala arrastada, bradipneia e miose puntiforme caracterizam toxicidade opioide; as mioclonias difusas, nesse contexto, são manifestação reconhecida de neurotoxicidade induzida por opioide. O ponto decisivo é que o quadro não mostra apenas sedação isolada, mas a combinação de depressão respiratória e miose com fenômeno neuroexcitátorio, exatamente o padrão descrito para neurotoxicidade por opioide.
D
Errada
Crise epiléptica parcial por metástases cerebrais não justifica adequadamente a associação de miose puntiforme persistente, bradipneia e sonolência progressiva após ajuste analgésico. O caso descreve um quadro sistêmico de toxicidade medicamentosa, e não um evento neurológico focal primário; além disso, não há base para afirmar metástase cerebral.
E
Errada
Síndrome neuroléptica maligna tem como núcleo febre alta, rigidez muscular importante e disautonomia, geralmente em contexto de bloqueio dopaminérgico. O caso não traz febre nem rigidez em cano de chumbo e, ao contrário, mostra miose puntiforme e depressão respiratória, que não são o padrão dessa síndrome e favorecem fortemente toxicidade por opioide.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de interpretar as mioclonias como epilepsia ou síndrome serotoninérgica e esquecer que mioclonia pode fazer parte da neurotoxicidade por opioide; quem valoriza miose puntiforme e bradipneia reconhece o diagnóstico correto.
Dica para questões semelhantes
  • Em paciente com aumento recente de opioide, a tríade rebaixamento do sensório + depressão respiratória + miose deve ser tratada como pista central de toxicidade opioide.
  • Mioclonias não excluem opioide; quando aparecem junto de sedação e bradipneia, sustentam neurotoxicidade induzida por opioide.
  • Para diferenciar síndromes tóxico-neurológicas, compare o padrão global: opioide deprime respiração e causa miose; serotoninérgica dá síndrome hipercinética com clônus/hiperreflexia; neuroléptica maligna dá febre e rigidez.
  • Em paciente oncológico, não ancore em causa metabólica ou progressão tumoral se houver sinais semiológicos mais específicos de intoxicação medicamentosa.

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