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Q691197 Medicina
Mulher, 45 anos, hipertensa e epiléptica prévia, chega ao pronto-socorro com queixa de disúria há 1 semana, associada à taquicardia e hipotensão. Foi feito o diagnóstico de pielonefrite e iniciado o tratamento, mas a paciente evoluiu com insuficiência respiratória e rebaixamento do nível de consciência, sendo submetida à intubação orotraqueal e transferida à UTI. Exames laboratoriais mostraram disfunção renal grave, sendo indicada hemodiálise. A paciente fazia uso contínuo de hidroclorotiazida e fenitoína. Estava em programação cirúrgica de histerectomia por miomatose volumosa. Sobre esse caso, assinale a alternativa INCORRETA.
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Tema central: O caso aborda insuficiência renal aguda (IRA) secundária a pielonefrite complicada, evoluindo com choque séptico e necessidade de UTI, em uma paciente com múltiplos fatores de risco clínicos e medicamentosos.

Justificativa da alternativa incorreta (E):

A biópsia renal de urgência não é indicada para elucidação diagnóstica em quadros de IRA com causa clínica evidente, como pielonefrite complicada por sepse. Nestes casos, a conduta é pautada por avaliação clínica e laboratorial, e o protocolo do Ministério da Saúde enfatiza o manejo do choque e da infecção (PCDT Infecção do Trato Urinário, 2022). Reservamos a biópsia para IRA de etiologia indefinida ou quando há suspeita de glomerulopatias rapidamente progressivas (Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª edição).

Análise das demais alternativas:

A) CORRETA PARCIALMENTE. De fato, hidroclorotiazida pode contribuir para hipovolemia e IRA, especialmente a pré-renal. Apesar de a fenitoína raramente causar IRA intrínseca, a questão refere-se à possibilidade, não sendo o maior erro conceitual da lista.

B) CORRETA. Miomatose volumosa pode causar obstrução urinária e IRA pós-renal (UpToDate – Acute kidney injury: Etiology and differential diagnosis in adults, 2022).

C) CORRETA. A paciente apresenta sinais clássicos de choque séptico (taquicardia, hipotensão, rebaixamento), compatíveis com a principal causa da evolução clínica.

D) CORRETA. O uso crônico de diuréticos está associado a hipovolemia, agravada na presença de hipotensão e taquicardia, favorecendo IRA pré-renal (Diretriz Brasileira de Hipertensão 2020, SBC, p.16).

Pontos-chave para provas:

  • Fique atento quando a alternativa propuser exame invasivo de urgência sem respaldo em evidências.
  • Reconheça IRA pós-renal, principalmente quando houver quadro obstrutivo urinário.
  • Associar uso de diuréticos com possíveis agravos em situações de instabilidade clínica.

Resumo: O manejo da IRA nesta paciente é clínico e voltado à estabilização hemodinâmica e ao tratamento da infecção. A biópsia renal é desnecessária e não preconizada neste contexto.

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Comentários

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A alternativa incorreta é a letra E. Embora a paciente tenha apresentado disfunção renal grave e precise de hemodiálise, a biópsia renal de urgência não é indicada em casos de insuficiência renal aguda (IRA) intrínseca, que é o caso descrito. A IRA pode ter várias causas, incluindo uso de medicamentos nefrotóxicos como a hidroclorotiazida e a fenitoína, como mencionado na alternativa A. A obstrução uretral decorrente da miomatose uterina extensa, como mencionado na alternativa B, também pode levar a uma IRA pós-renal. A hipovolemia, como mencionado na alternativa D, também pode ser um fator contribuinte. O choque séptico, mencionado na alternativa C, é uma complicação possível em pacientes com pielonefrite, mas não é a única hipótese diagnóstica.

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