Texto IIITecendo a manhãUm galo sozinho não tece uma manhã:e...

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Q2765174 Português

Texto III


Tecendo a manhã


Um galo sozinho não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele

e o lance a outro; de um outro galo

que apanhe o grito que um galo antes

e o lance a outro; e de outros galos

que com muitos outros galos se cruzem

os fios de sol de seus gritos de galo,

para que a manhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos.


E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendendo para todos, no toldo

(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo

que tecido, se eleva por si: luz balão.


João Cabral de Melo Neto.

O poema de João Cabral tem como um dos temas o fazer poético. Sendo assim, os galos são:

Alternativas

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Tema central: A questão explora interpretação de texto e figuras de linguagem (especialmente a metáfora), conhecimentos decisivos para análise de poemas em concursos.

Justificativa da alternativa correta (A):

No poema, a expressão “um galo sozinho não tece uma manhã” revela que os galos são usados metaforicamente para representar não apenas indivíduos isolados, mas a necessidade de participação coletiva. Em termos simbólicos, os galos representam os poetas – aqueles que, juntos, constroem a “manhã” (o fazer poético, a obra).

De acordo com a norma-padrão e gramáticas como a de Bechara, a metáfora consiste em uma substituição de sentido baseada na analogia implícita. Ou seja, “galo” não é, literalmente, poeta, mas se torna símbolo do criador de poesia nesse contexto.

Análise das alternativas incorretas:

B) Eufemismo: Eufemismo é figura de linguagem usada para suavizar ideias desagradáveis. O poema não busca amenizar ou suavizar o ato de poetar, mas ressaltá-lo metaforicamente.

C) Metonímia: Metonímia ocorre por proximidade ou associação concreta (como ‘beber um copo’ em vez de ‘beber o conteúdo do copo’). Não há relação de contiguidade cerebral entre galo e poema: o que ocorre é uma relação de similaridade (metáfora).

D) Personificação: Trata-se de atribuir características humanas a seres inanimados ou abstratos (por exemplo, “o vento canta”). Os galos já são seres animados, e suas ações, no poema, não extrapolam a natureza animal; portanto, não há personificação.

Estratégias e Recomendações:

Sempre relacione o sentido figurado aos recursos expressivos do texto; leia atentamente trechos simbólicos, buscando analogias. Cuidado com pegadinhas: figuras de linguagem se diferenciam por detalhes conceituais (analise sempre se é semelhança, proximidade ou humanização).

Autores de referência (Bechara, Cunha & Cintra) reforçam: a metáfora ocorre quando há transferência de sentido por analogia, como neste poema.

Conclusão: A alternativa correta é A) – galos como metáfora dos poetas, refletindo a coletividade essencial ao fazer poético.

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