Segundo Clastres, a passagem da história à lógica, na pergun...
Gabarito comentado
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Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a oposição entre o plano histórico e o plano lógico explicitada no trecho: "se sou capaz de me espantar que a servidão voluntária seja a invariante comum a todas as sociedades, a minha mas também aquelas sobre as quais me informam os livros, é evidentemente porque imagino o contrário de tal sociedade, é porque imagino a possibilidade lógica de uma sociedade que ignore a servidão voluntária." Como a pergunta pede o sentido da "passagem da história à lógica", a resposta correta é a que preserva essa passagem do dado histórico geral para a possibilidade de pensar o contrário da servidão voluntária.
- Quando o texto opõe dois planos, identifique exatamente o que pertence a cada um; aqui, história é o conjunto das sociedades conhecidas, e lógica é a possibilidade de pensar o contrário.
- Elimine alternativas que convertam reflexão teórica em fato histórico, programa político ou doutrina, se o texto não fizer esse passo.
- Aceite inferência contextual apenas quando ela estiver ancorada em trecho explícito; aqui, "igualitária" decorre de "sem sua divisão entre dominantes e dominados".
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Comentários
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A pessoa tinha que fazer essa prova com um kit de doril ao lado.
Só ferro
[...] "А possibilidade de formular uma interrogação tão destrutiva remete, simples mas heroicamente, a uma lógica dos contrários: se sou capaz de me espantar que a servidão voluntária seja a invariante comum a todas as sociedades, a minha mas também aquelas sobre as quais me informam os livros, é evidentemente porque imagino o contrário de tal sociedade, é porque imagino a possibilidade lógica de uma sociedade que ignore a servidão voluntária." [...]
não faço ideia, mas deve estar nesse ponto.
A alternativa correta é:
A
✅ Entendendo o núcleo do texto
O filósofo Étienne de La Boétie questiona:
Por que muitos obedecem voluntariamente a um só?
Já Pierre Clastres explica que a importância dessa pergunta está em um movimento intelectual:
“passagem da história à lógica”
- História → mostra sociedades reais, marcadas pela servidão voluntária
- Lógica → permite imaginar o contrário, ou seja:
- uma sociedade sem servidão
✔ Esse é o ponto central:
romper com o que parece “natural” e pensar outra possibilidade
Por que a alternativa A está correta?
“inaugura uma oposição entre [...] sociedades [...] baseadas na servidão voluntária e a possibilidade de sociedades igualitárias.”
✔ Perfeito, porque:
- o texto fala em “lógica dos contrários”
- La Boétie imagina o oposto da realidade histórica
- isso cria uma oposição:
- sociedade com dominação
- sociedade sem dominação
❌ Por que as outras estão erradas?
B)
❌ Fala em “precedente histórico”
- O texto não trata de mudança histórica real
- Trata de possibilidade lógica, não histórica
C)
❌ Diz que ambos os termos se tornam naturais
- O texto faz o contrário:
- questiona o que parecia natural
D)
❌ Usa “transcendência” de forma inadequada
- O texto não entra em metafísica
- Apenas fala de imaginação lógica
E)
❌ Fala em “bases de uma sociedade libertária”
- Isso extrapola o texto
- O autor não propõe um projeto político, apenas destaca uma possibilidade de pensamento
A) CORRETA: Segundo Clastres, La Boétie opera uma "lógica dos contrários". Ao observar que a servidão voluntária é a "invariante comum" de todas as sociedades históricas conhecidas, ele utiliza a lógica para conceber o seu oposto: uma sociedade que ignore essa servidão. Essa operação rompe com a ideia de que a divisão entre dominantes e dominados é uma necessidade biológica ou natural da humanidade, permitindo imaginar sociedades igualitárias (sociedades "contra o Estado").
B) Incorreta: O texto afirma que essa passagem ocorre da história à lógica, e não que abre um "precedente histórico". La Boétie transcende a história conhecida para formular uma possibilidade lógica, pois, na história até então relatada, a servidão era a regra.
C) Incorreta: Pelo contrário, La Boétie recusa a evidência natural. Ele não torna a servidão natural; ele a questiona justamente por não aceitar que ela seja o único modo possível de existência social.
D) Incorreta: A transcendência mencionada no texto refere-se ao pensamento de La Boétie que ultrapassa os limites da história conhecida para dizer que "outra coisa é possível". O texto não diz que a "história vivida" se torna transcendente, mas que o filósofo transcende a história para pensar o político.
E) Incorreta: Embora La Boétie seja um precursor de ideais libertários, o texto foca no "espanto" e na ruptura lógica. A servidão voluntária não é o "ponto de partida para um novo processo histórico" no sentido cronológico, mas o objeto de uma interrogação que desnaturaliza o poder.
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