Transpõe-se adequadamente uma passagem do texto para o discu...

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Q3916766 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Uma escolha para viver


      Li em algum lugar uma fábula interessante. Sem ser literal, preservo o sentido que me ficou dela.

      Na Criação do mundo, um dos intendentes do Céu foi encarregado de definir o tempo de vida que cada espécie deveria ter.

   Disse o intendente para a Tartaruga: - Você se dá bem com essa couraça, com essa neutralidade, com essa indiferença aos homens... Vai durar muitos e muitos anos.

     Diante do Papagaio, sentenciou: – Essa ideia de plagiar os humanos, imitando-os e gozando-os, divertindo-os e divertindo-se, faz de você um malandrão... Bem merece uma vida longa.

     E assim foi seguindo o intendente, dotando as criaturas da longevidade que lhe parecia justa, a partir do critério adotado.

   Chegou a vez do Cachorro. O intendente, surpreso, olhou bem nos olhos dele, avaliou seu temperamento, reconheceu suas intenções e não teve dúvida:

   - Quer dizer que você já decidiu ser amigo incondicional dos homens? Permanecerá como companheiro fiel até dos que pouсо venham a se importar com você? E seguirá os andarilhos nas estradas, se estreitará com os miseráveis nos cantos e nos becos, irá morar com os viciados sob as pontes? Pois então vou te aquinhoar com uns poucos anos: que tua virtude valha teu sacrifício.

    Assim sentenciado, o Cachorro abanou o rabo e olhou em volta, irrequieto, à procura de um amigo humano. Dispunha-se a ficar ao lado dele, fosse quem fosse: iria consolá-lo das aflições que viesse a sentir, compartilharia com ele as pequenas alegrias, enfrentaria com ele as chateações deste mundo.


(Alarico Valado, a editar)
Transpõe-se adequadamente uma passagem do texto para o discurso indireto em:
Alternativas

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

DISCURSO DIRETO:

  • é introduzido por um verbo de elocução, seguido de dois-pontos e mudança de linha para um novo parágrafo;
  • é iniciado por um travessão, que indica a mudança da voz do narrador para a voz da personagem;
  • é feito na 1.ª pessoa do discurso (eu ou nós).

DISCURSO INDIRETO:

  • é introduzido por um verbo de elocução, seguido de uma preposição que marca a mudança da voz do narrador para a reprodução da voz da personagem feita também pelo narrador.
  • é construído na mesma frase, não havendo mudança de linha ou de parágrafo;
  • é feito na 3.ª pessoa do discurso (ele, ela, eles, elas).

Fonte: Comentários Qc

Bom Estudos!!

Resposta: E

Justificativa: Converte corretamente o enunciado direto para o indireto, ajustando tempos (“vou aquinhoar” → “concederia”), pessoa/pronomes (“te” → “lhe”) e mantendo a relação causal (“assim sendo”). As demais mantêm traços de discurso direto, má concordância ou construção inadequada.

Errei porque, para mim, a letra "E" deveria ter uma mesóclise (conceder-lhe-ia).

Boa noite! Essa questão de Discurso Indireto é um clássico de provas de Português (como FCC e Vunesp). O segredo aqui é identificar onde o examinador "misturou" as características do discurso direto com o indireto.

No Discurso Indireto, o narrador conta o que foi dito, então as marcas de interlocução direta (como "eu", "você", "teu", "digo-lhe", aspas e pontos de interrogação) devem desaparecer ou ser adaptadas para a 3ª pessoa.

Aqui está o comentário item por item:

A) Incorreta

O erro: Uso de pronome de 2ª pessoa ("essa sua couraça") em um contexto que deveria ser estritamente de 3ª pessoa. Além disso, a estrutura "houvesse de durar" soa como uma tentativa de comando direto mal adaptada. No indireto, o ideal seria: "...afiançou à tartaruga que, por ela se dar bem com aquela couraça, duraria muitos anos."

B) Incorreta

O erro: Esta alternativa está totalmente no Discurso Direto. O uso de verbos na 1ª pessoa ("digo-lhe") e pronomes de tratamento direto ("você deve") são características de quando alguém está falando diretamente com outro. No indireto, o "eu" vira "ele".

C) Incorreta

O erro: Novamente, temos marcas de diálogo direto misturadas. O uso do pronome "teu" e do verbo "mereces" (2ª pessoa) indica que o narrador ainda está "falando" com o Papagaio. Para ser indireto, deveria ser: "...se plagiar os homens era de seu feitio, merecia uma vida longa."

D) Incorreta

O erro: Esta alternativa é a definição de Discurso Direto. O uso de aspas e do ponto de interrogação mantém a fala original exatamente como foi dita. No discurso indireto, não usamos aspas para a fala e a pergunta é transformada em uma afirmação narrativa (ex: O intendente perguntou-se se estaria certo...).

E) Correta (Gabarito)

Por que está certa: Veja como o narrador assumiu o controle total da frase. Não há aspas, não há "você", não há "eu".

"O intendente avaliou..." (Narrador descrevendo a ação).

"...decidiu que... lhe concederia..." (Uso correto da 3ª pessoa e correlação verbal: decidiu [passado] \rightarrow concederia [futuro do pretérito]).

Toda a "conversa" foi mastigada e contada pelo narrador.

Fonte menino gemini

O principal conhecimento exigido pela questão é saber diferenciar o discurso direto do indireto.

O discurso direto reproduz a fala exatamente como foi dita, mantendo pronomes, tempos verbais e marcas de oralidade, geralmente com aspas ou dois-pontos; por exemplo: Ele disse: “Eu farei isso amanhã”.

Já o discurso indireto subordina essa fala a um verbo dicendi, com adaptações de pessoa, tempo e deíxis, como em: Ele disse que faria aquilo no dia seguinte, havendo mudança de “eu” para terceira pessoa, de “farei” para “faria” e de “amanhã” para “no dia seguinte”.

Essa transposição exige estrutura subordinada (normalmente com “que” ou “se”), eliminação das marcas do direto e coerência temporal; por exemplo, a pergunta direta “Ele perguntou: ‘Você virá hoje?’” passa para o indireto como “Ele perguntou se ela viria naquele dia”, ajustando pronome, tempo verbal e referência temporal.

Como identificar corretamente, assim, o discurso?

Primeiro, verifique as marcas formais: se há aspas, travessão ou dois-pontos introduzindo fala literal (ex.: Ele disse: “Vou sair agora”), trata-se de discurso direto.

Segundo, observe se há verbo dicendi seguido de oração subordinada (geralmente com “que” ou “se”), como em “Ele disse que sairia”, o que indica discurso indireto.

Terceiro, analise se houve adaptação de pessoa, tempo e deíxis: “eu” → “ele”, “agora” → “naquele momento”, “irei” → “iria”; se essas mudanças ocorreram, confirma-se o indireto.

Olhando para a questão você pode perceber facilmente que a única alternativa que tem essas característica do discurso indireto é a alternativa E:

O intendente avaliou a intenção do Cach0r00 e decidiu que, assim sendo, (ele) lhe concederia uns poucos anos.

  1. o verbo é seguido de oração subordinada "que"
  2. há adaptação de pessoa "ele" e tempo "concederia"

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