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Q3769054 Odontologia
Um paciente submetido a procedimento odontológico prolongado apresenta necessidade de readministração de anestésico local. Na primeira reinfiltração, observa-se rápido restabelecimento da anestesia profunda com menor volume de solução. No entanto, após novo episódio de dor e reinfiltração tardia, o controle da dor não é eficaz, mesmo com dose adequada.

Com base nos mecanismos envolvidos na readministração de anestésicos locais, assinale a alternativa que explica corretamente essa falha anestésica.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a combinação de reinfiltração precoce eficaz e reinfiltração tardia ineficaz em procedimento prolongado, o que caracteriza taquifilaxia associada a alterações locais do tecido, com pior difusão do anestésico e redução da sua ação no bloqueio neural. Esse mecanismo corresponde à alternativa A.

Tema central: Taquifilaxia anestésica local
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque descreve o mecanismo compatível com a falha anestésica após reinfiltração tardia: taquifilaxia associada a alterações locais do tecido. O ponto decisivo não é falta de dose, e sim mudança do microambiente tecidual após manipulação prolongada. Em tecido mais ácido, o anestésico local, que é base fraca, permanece relativamente mais ionizado, atravessa pior a membrana neural e bloqueia menos. Além disso, edema, hemorragia e coágulo dificultam sua difusão até o nervo. Esse conjunto explica por que a reaplicação precoce ainda recupera a anestesia, mas a tardia perde eficácia.
B
Errada
A alternativa erra o mecanismo. A discussão sobre fibras do manto e fibras centrais pertence à dinâmica de bloqueio e regressão intraneural, não ao motivo principal de falha de reinfiltração tardia em tecido já alterado. Além disso, a formulação apresentada está invertida segundo a própria base. O quadro clínico pedido é de perda de eficácia por taquifilaxia e piora da difusão do anestésico no tecido, não por recuperação diferencial de fibras.
C
Errada
A alternativa é excluída porque atribui a falha exclusivamente à remoção vascular do anestésico. A base afirma que a queda de eficácia na reinfiltração tardia depende do microambiente local, com acidificação tecidual e alterações como edema, hemorragia e coágulo, que prejudicam a penetração e a ação do fármaco. A vascularidade pode influenciar a duração, mas não explica sozinha esse padrão temporal nem autoriza dizer que o problema se reverte apenas com vasoconstritor.
D
Errada
A alternativa contém erro farmacológico de base. Não é correto afirmar que anestésicos locais de curta duração não possuem ligação proteica. Além disso, a falha descrita no enunciado não decorre de ausência de ligação proteica nem isso tornaria impossível qualquer efeito em reinfiltrações subsequentes. O mecanismo sustentado pela base é taquifilaxia associada a condições locais desfavoráveis à difusão e ao bloqueio neural.
E
Errada
A alternativa não se sustenta porque o próprio enunciado mostra que houve anestesia eficaz inicialmente e novo restabelecimento da anestesia na primeira reinfiltração. Isso contradiz resistência congênita ao anestésico local como explicação do caso. Além disso, a base descreve essa hipótese como rara e inadequada para explicar um padrão clássico de falha tardia por alterações locais do tecido.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre curta duração do anestésico e taquifilaxia: o caso não é falha por dose insuficiente ou simples remoção vascular, e sim perda de eficácia da reinfiltração tardia porque o tecido ficou menos favorável à difusão e à ação do anestésico.
Dica para questões semelhantes
  • Se a reaplicação precoce funciona e a tardia falha, pense primeiro em taquifilaxia com alteração local do tecido.
  • Em anestésico local, dose adequada não garante bloqueio se o pH tecidual estiver baixo e a difusão estiver prejudicada.
  • Edema, hemorragia e coágulo são pistas de falha por barreira local à chegada do anestésico ao nervo.
  • Desconfie de alternativas absolutas como 'exclusivamente', 'impossibilitando qualquer efeito' e 'jamais' quando o caso descreve resposta anestésica prévia.

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