O passado que não se realizou funciona como a miragem da fe...

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Q3916743 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Arrependimentos


   Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Âs vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

   Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.

   A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

   O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para os fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.


(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25-27, passim)
O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa".

Mantêm-se o sentido, a correção e a coerência do período acima substituindo-se o segmento sublinhado por
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é manter o núcleo semântico do trecho "que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa"": a reescrita precisa continuar referindo-se à felicidade, conservar a ideia de possibilidade não realizada e preservar a condição hipotética ligada a uma escolha considerada correta; entre as opções, só B atende a esses critérios sem inverter a relação do período.

Tema central: reescrita com preservação de sentido
Análise das alternativas
A
Errada
Desloca o foco de "felicidade" para "possibilidade de acerto". No original, o que é apresentado como possível é a felicidade; aqui, passa a ser o acerto. Além disso, "para a qual" cria uma ligação artificial com "felicidade" e a ideia de "plenamente legítima" não corresponde ao trecho.
B
Certa
A alternativa B mantém o sentido básico do original: a felicidade aparece como algo que teria sido viável em função de uma escolha considerada correta. "possibilitada pela opção" retoma a ideia de "teria sido possível se tivéssemos feito", e "que tivéssemos considerado como correta" recupera o valor avaliativo de "escolha 'certa'". Assim, preservam-se o referente, a hipótese contrafactual e a coerência do período.
C
Errada
A expressão "cuja possível escolha" não recompõe adequadamente a relação com "felicidade" e embaralha o que está sendo qualificado. Além disso, "a mais perfeita" não equivale a "certa": intensifica o sentido e introduz uma noção de perfeição que não está no texto.
D
Errada
Introduz conteúdo novo ao falar em "melhor seleção", elemento ausente no original. Também altera a lógica da frase, porque já não se trata da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha considerada correta, mas de algo "dado como certo" em outra formulação semântica, incompatível com a relação original.
E
Errada
Há inversão da relação lógica. No texto, a escolha tida como correta é a condição imaginada para a felicidade; na alternativa, "sua plena realização" é que "ensejaria a correção da escolha". A felicidade deixa de ser consequência hipotética da escolha e passa a funcionar como fundamento para validá-la, o que muda o sentido.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de aceitar paráfrases com palavras próximas ao original, mesmo quando elas trocam o referente da oração, tratam "escolha 'certa'" como certeza objetiva ou invertem a relação entre escolha e felicidade.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro quem continua sendo o referente da oração reescrita; aqui, a caracterização deve recair sobre "felicidade".
  • Confirme se a reescrita preserva a hipótese irrealizada do passado, e não uma afirmação objetiva ou uma ideia de perfeição.
  • Desconfie de alternativas que mantêm vocabulário semelhante, mas deslocam o foco para "acerto", "escolha" ou outro elemento.
  • Compare a lógica entre causa, condição e consequência: se a relação entre os elementos se inverter, o sentido não foi mantido.

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Comentários

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Para manter o sentido, a correção gramatical e a coerência, a nova redação precisa preservar a ideia de condicionalidade (algo que só ocorreria sob certa condição) e a relação de causa e efeito entre a escolha feita e a felicidade alcançada.

  • Trecho original: "...que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha 'certa'."
  • Tradução da alternativa B: "...possibilitada pela opção que tivéssemos considerado como correta."

Por que está correta?

  1. Semântica: "Possibilitada" equivale a "teria sido possível".
  2. Correspondência de termos: A "escolha 'certa'" (com aspas no original indicando uma percepção subjetiva) é bem representada por "opção que tivéssemos considerado como correta".
  3. Gramática: O uso do pretérito imperfeito do subjuntivo ("tivéssemos considerado") mantém a hipótese necessária para o sentido de miragem/irrealidade que o texto propõe.

A alternativa correta é:

✅ B) possibilitada pela opção que tivéssemos considerado como correta.

✔ Explicação:

O trecho original:

“a felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha ‘certa’”

pode ser entendido como:

uma felicidade que seria possível caso tivéssemos escolhido corretamente.

A alternativa B mantém exatamente esse sentido:

“possibilitada pela opção que tivéssemos considerado como correta”

✔ preserva:

  • a ideia de condição (se tivéssemos escolhido...)
  • a relação entre escolha correta → felicidade possível

❌ Por que as outras estão erradas:

A) para a qual a possibilidade de acerto seria plenamente legítima.

Fala de “legitimidade do acerto”, o que não aparece no texto.

Não mantém a ideia condicional original.

C) cuja possível escolha fosse dada por nós como a mais perfeita.

Introduz “mais perfeita”, que não existe no texto.

Além disso, fica artificial e pouco coerente.

D) dada como certa no caso de decorrer de uma melhor seleção.

Estrutura confusa e muda o sentido:

  • “melhor seleção” não aparece no texto
  • perde a ideia direta de condição passada

E) em que sua plena realização ensejaria a correção da escolha.

Inverte a lógica:

  • no texto: a escolha correta levaria à felicidade
  • aqui: a felicidade levaria à correção da escolha

❌ Relação de causa e efeito invertida.

Quando a questão pedir para substituir um trecho com "se" + verbo no subjuntivo (tivéssemos, fizéssemos), a banca adora trocar por:

  1. Participio (Possibilitada por...)
  2. Caso (Caso tivéssemos...)
  3. Contanto que

Resumo da ópera: A letra B é a única que não inventa palavras novas que mudam o tom do texto (como "legítima" ou "ensejaria") e mantém o tempo verbal que indica aquela "viagem no tempo" de algo que não aconteceu.

Você errou essa porque ela exige uma leitura muito técnica da gramática aplicada. Não desanime, essa prova da SEFAZ é o topo da montanha!

O núcleo está em "felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha certa".

  • A ideia é: a felicidade só existiria caso a escolha correta tivesse sido feita.

A) Fala em "possibilidade de acerto legítima", mas isso não corresponde ao sentido de "felicidade possível se tivéssemos feito a escolha certa". É mais abstrato e muda o foco.

B) correta. A felicidade seria possibilitada pela opção que julgássemos correta. É equivalente ao original, preservando correção e coerência.

C) "Mais perfeita" não corresponde ao simples "certa". Além disso, a formulação é rebuscada e perde clareza.

D) Aqui aparece "melhor seleção", que altera o sentido. O texto não fala em "melhor", mas apenas em "certa".

E) Inverte o sentido: sugere que a realização da felicidade corrigiria a escolha, quando no original é a escolha certa que possibilitaria a felicidade.

GAB -B

Oração Subordinada restritiva...

"felicidade que teria"

"opção que tivéssemos"

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