Paciente do sexo masculino de 65 anos, IMC de 30, há 3 dias,...
Paciente do sexo masculino de 65 anos, IMC de 30, há 3 dias, dor em fossa ilíaca esquerda associada à febre aferida de 38ºC. Nega alteração do hábito intestinal ou urinário. Relata ser o primeiro episódio dessa dor e nega cirurgias e internações prévias. Ao exame físico, estável hemodinamicamente, abdome globoso, flácido, doloroso à palpação de fossa ilíaca esquerda com hipersensibilidade ao exame, sem tumorações palpáveis e Giordano negativo. Exames laboratoriais com leucocitose sem desvio e PCR 150. Solicitado tomografia de abdome e pelve com contraste endovenoso, a qual evidenciou diverticulite Hinchey II, com abscesso pélvico de 4 cm. Qual é a conduta para esse caso?
Gabarito comentado
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Tema central: O caso aborda diverticulite aguda complicada (Hinchey II) com abscesso pélvico de 4 cm em paciente estável, exigindo conhecimento da classificação de Hinchey e dos protocolos de tratamento de abscessos diverticulares.
Alternativa correta: C) Antibioticoterapia via endovenosa e drenagem percutânea por via transabdominal.
Justificativa: O paciente apresenta diverticulite complicada pelo critério de Hinchey II, que corresponde à presença de abscesso intra-abdominal/pélvico. De acordo com diretrizes nacionais e internacionais, abscessos maiores que 4 cm devem ser abordados com drenagem percutânea guiada por imagem associada a antibioticoterapia parenteral, pois essa combinação reduz risco de sepse, necessidade de cirurgia de urgência e complicações associadas (Jcol.org.br, RMMG.org).
Segundo a “Atualização no Tratamento da Diverticulite Aguda do Cólon”: “Abscessos maiores devem ser tratados com drenagem percutânea guiada por ultrassonografia ou TC, associados a antibioticoterapia (grau de recomendação B), mantendo-se o doente internado.”
Análise das alternativas incorretas:
A) Antibioticoterapia via oral e alta hospitalar: Errada. Válida apenas em casos leves não complicados ou Hinchey I com ausência de sinais sistêmicos, abscessos pequenos (<2 cm) e quadro clínico controlado. Com abscesso de 4 cm, a estratégia é insuficiente.
B) Antibioticoterapia endovenosa com internação: Isoladamente insuficiente para abscessos >4 cm. Sem drenagem, há risco de persistência/incremento da infecção.
D) Videolaparoscopia com lavagem: Reservada para quadros Hinchey III-IV ou falha da abordagem percutânea. É procedimento invasivo desnecessário neste estágio.
E) Retossigmoidectomia laparoscópica com anastomose primária: Supertratamento. Indicado apenas em peritonite difusa, necrose/ruptura ou falha do tratamento clínico/drenagem, não para abscesso Hinchey II passível de resolução menos invasiva.
Dicas de prova: Atenção à classificação de Hinchey, ao tamanho do abscesso e à conduta destinada à maior gravidade. Palavras como “drenagem”, “percutânea” e “endovenosa” são chaves para reconhecer a abordagem padrão. Diversas bancas trabalham pegadinhas, trocando indicações pela gravidade e pelo método de drenagem.
Resumo: Em complicações como Hinchey II, priorize drenagem percutânea + antibioticoterapia EV. Esta é conduta respaldada por evidências científicas e protocolos assistenciais, como em UpToDate e Sabiston – Tratado de Cirurgia.
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