A abordagem inicial ao paciente com intoxicação exógena por...
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Tema central: Descontaminação gastrointestinal na intoxicação por via oral. Objetivo: reduzir a absorção do tóxico de forma seletiva, respeitando tempo de ingestão, tipo de substância e condições clínicas (especialmente via aérea). Priorize sempre ABCDE antes de qualquer medida.
Alternativa correta: C
Carvão ativado atua por adsorção, ligando-se a muitas substâncias no lúmen e diminuindo a absorção sistêmica. É mais eficaz se administrado até ~1 hora após a ingestão (pode ser útil além disso em fármacos de liberação prolongada ou que retardam esvaziamento gástrico). Contraindicado em rebaixamento de consciência sem via aérea protegida, risco de aspiração, íleo, obstrução/perfuração, e em cáusticos e hidrocarbonetos. Não adsorve bem metais (ferro, lítio), álcoois e ácidos/bases fortes. Baseado em AACT/EAPCCT Position Statements, UpToDate e Goldfrank’s Toxicologic Emergencies.
Análise das incorretas
- A) Catárticos salinos (ex.: sulfato de magnésio) não são recomendados rotineiramente: benefício não comprovado e risco de desidratação e distúrbios eletrolíticos. Além disso, ausência de ruídos hidroaéreos sugere íleo e é contraindicação. Diretrizes AACT/EAPCCT desaconselham o uso isolado.
- B) Lavagem gástrica não é rotina; indica-se apenas em ingestões ameaçadoras à vida, idealmente dentro de 1 hora, com via aérea protegida e quando o tóxico pode ser recuperado. Alegar eficácia até 6 horas e para “qualquer substância” é incorreto. Riscos: aspiração, perfuração, hemorragia.
- D) Induzir vômito (xarope de ipeca) está obsoleto e contraindicado, sobretudo em cáusticos/corrosivos e hidrocarbonetos, por risco de reexposição esofágica e aspiração. Não reduz mortalidade.
- E) Leite como “antídoto universal” é mito. Não neutraliza tóxicos; em derivados de petróleo, aumenta risco de aspiração e pneumonite. Em cáusticos, neutralização é contraindicada; pode-se considerar pequena diluição com água precocemente se o paciente consegue deglutir, mas não há papel para leite.
Estratégia para a prova: identifique 3 chaves: 1) tempo desde a ingestão; 2) segurança da via aérea; 3) natureza do tóxico (cáustico/hidrocarboneto/metais). Frases absolutas (“sempre”, “qualquer substância”, “antídoto universal”) costumam indicar erro. Priorize intervenções com evidência e indicações precisas.
Referências essenciais: AACT/EAPCCT Position Statements (carvão, lavagem, catárticos, ipeca); UpToDate – Initial management of the poisoned patient; Goldfrank’s Toxicologic Emergencies; Ministério da Saúde – Protocolo de Intoxicação Exógena.
Gabarito: C
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Comentários
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A lavagem gástrica NÃO é indicada em casos de ingestão de substâncias cáusticas ou ácidas.
está contraindicado porque a passagem da sonda ou a indução de vômitos podem causar perfuração no trato digestivo já fragilizado e aumentar o risco de aspiração pulmonar do agente corrosivo, o que pode evoluir para graves complicações, como mediastinite, peritonite e pneumonite química.
- a lavagem gástrica é contraindicada pelo risco de agravar as lesões e aumentar a mortalidade.
AFIRMA “Lavagem gástrica e indução do vômito são contraindicadas em ingestão de substâncias cáusticas”.
O manejo correto inclui:
- Não realizar lavagem gástrica ou indução de vômitos;
- Monitorizar vias aéreas e sinais vitais;
- Solicitar endoscopia digestiva alta precoce para avaliar extensão das lesões;
- Oferecer suporte clínico e, se necessário, cuidados intensivos.
A lavagem gástrica em intoxicações exógenas é indicada apenas em ingestões ameaçadoras à vida dentro de 1 hora, com via aérea protegida.
É contraindicada para cáusticos/corrosivos (risco de perfuração) e hidrocarbonetos, sendo um procedimento de exceção, não rotina. O carvão ativado é frequentemente preferido.
Pontos-Chave das Questões (Qconcursos):
- Não é de Rotina: As questões destacam que a lavagem gástrica não deve ser usada de forma rotineira, mas restrita a casos específicos e graves.
- Contraindicações Cruciais: O procedimento é em casos de ingestão de substâncias cáusticas/corrosivas (ácidos ou bases fortes) devido ao risco elevado de perfuração esofágica ou gástrica.
- Tempo Limite: Geralmente indicada quando o paciente é atendido dentro de após a ingestão do agente tóxico.
- Segurança: Requer proteção das vias aéreas (intubação se necessário) para evitar aspiração, especialmente se houver rebaixamento do nível de consciência.
- Mitos: O uso de leite como "antídoto universal" é falso e contraindicado em muitos casos.
Os catárticos salinos são rotineiramente indicados a fim de propulsionar o material ingerido através do trato gastrointestinal.
É um procedimento de urgência que deve ser realizado o mais precoce possível.
As principais indicações são:
- Intoxicação exógena
- Perioperatório
- Hemorragia gástrica
- Algumas afecções gástrica
São contraindicações
- Pacientes com Glasgow ≤ 8, exceto se forem intubados.
- Ingestão de cáusticos ou corrosivos, com exceção do Paraquate, que, por ter efeito sistêmico muito importante, mesmo sendo cáustico, a lavagem gástrica é indicada.
- Ingestão de hidrocarbonetos com alta volatilidade (solventes em geral).
-Varizes de esôfago de grosso calibre.
- Hematêmese volumosa.
- Cirurgia recente do trato gastrintestinal (ex.: gastroplastia).
- Ingestão de materiais sólidos com pontas.
- Ingestão de pacotes contendo drogas.
Portanto a ingestão de substâncias corrosivas é uma contraindicação e não uma indicação.
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