A abordagem inicial ao paciente com intoxicação exógena por...

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Q3615763 Enfermagem
A abordagem inicial ao paciente com intoxicação exógena por via oral visa, primordialmente, diminuir a absorção do agente tóxico e acelerar sua eliminação. Diversas medidas de descontaminação gastrointestinal podem ser consideradas pela equipe de saúde, contudo, a aplicação indiscriminada desses procedimentos é proscrita, pois cada um possui indicações e contraindicações precisas que dependem da substância ingerida, do tempo decorrido e das condições clínicas do paciente. Considerando as medidas gerais no atendimento ao paciente intoxicado por ingestão, assinale a alternativa correta.
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Tema central: Descontaminação gastrointestinal na intoxicação por via oral. Objetivo: reduzir a absorção do tóxico de forma seletiva, respeitando tempo de ingestão, tipo de substância e condições clínicas (especialmente via aérea). Priorize sempre ABCDE antes de qualquer medida.

Alternativa correta: C

Carvão ativado atua por adsorção, ligando-se a muitas substâncias no lúmen e diminuindo a absorção sistêmica. É mais eficaz se administrado até ~1 hora após a ingestão (pode ser útil além disso em fármacos de liberação prolongada ou que retardam esvaziamento gástrico). Contraindicado em rebaixamento de consciência sem via aérea protegida, risco de aspiração, íleo, obstrução/perfuração, e em cáusticos e hidrocarbonetos. Não adsorve bem metais (ferro, lítio), álcoois e ácidos/bases fortes. Baseado em AACT/EAPCCT Position Statements, UpToDate e Goldfrank’s Toxicologic Emergencies.

Análise das incorretas

  • A) Catárticos salinos (ex.: sulfato de magnésio) não são recomendados rotineiramente: benefício não comprovado e risco de desidratação e distúrbios eletrolíticos. Além disso, ausência de ruídos hidroaéreos sugere íleo e é contraindicação. Diretrizes AACT/EAPCCT desaconselham o uso isolado.
  • B) Lavagem gástrica não é rotina; indica-se apenas em ingestões ameaçadoras à vida, idealmente dentro de 1 hora, com via aérea protegida e quando o tóxico pode ser recuperado. Alegar eficácia até 6 horas e para “qualquer substância” é incorreto. Riscos: aspiração, perfuração, hemorragia.
  • D) Induzir vômito (xarope de ipeca) está obsoleto e contraindicado, sobretudo em cáusticos/corrosivos e hidrocarbonetos, por risco de reexposição esofágica e aspiração. Não reduz mortalidade.
  • E) Leite como “antídoto universal” é mito. Não neutraliza tóxicos; em derivados de petróleo, aumenta risco de aspiração e pneumonite. Em cáusticos, neutralização é contraindicada; pode-se considerar pequena diluição com água precocemente se o paciente consegue deglutir, mas não há papel para leite.

Estratégia para a prova: identifique 3 chaves: 1) tempo desde a ingestão; 2) segurança da via aérea; 3) natureza do tóxico (cáustico/hidrocarboneto/metais). Frases absolutas (“sempre”, “qualquer substância”, “antídoto universal”) costumam indicar erro. Priorize intervenções com evidência e indicações precisas.

Referências essenciais: AACT/EAPCCT Position Statements (carvão, lavagem, catárticos, ipeca); UpToDate – Initial management of the poisoned patient; Goldfrank’s Toxicologic Emergencies; Ministério da Saúde – Protocolo de Intoxicação Exógena.

Gabarito: C

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Comentários

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A lavagem gástrica NÃO é indicada em casos de ingestão de substâncias cáusticas ou ácidas.

está contraindicado porque a passagem da sonda ou a indução de vômitos podem causar perfuração no trato digestivo já fragilizado e aumentar o risco de aspiração pulmonar do agente corrosivo, o que pode evoluir para graves complicações, como mediastinite, peritonite e pneumonite química.

  • a lavagem gástrica é contraindicada pelo risco de agravar as lesões e aumentar a mortalidade.

AFIRMA “Lavagem gástrica e indução do vômito são contraindicadas em ingestão de substâncias cáusticas”.

 O manejo correto inclui:

  • Não realizar lavagem gástrica ou indução de vômitos;
  • Monitorizar vias aéreas e sinais vitais;
  • Solicitar endoscopia digestiva alta precoce para avaliar extensão das lesões;
  • Oferecer suporte clínico e, se necessário, cuidados intensivos.

A lavagem gástrica em intoxicações exógenas é indicada apenas em ingestões ameaçadoras à vida dentro de 1 hora, com via aérea protegida.

É contraindicada para cáusticos/corrosivos (risco de perfuração) e hidrocarbonetos, sendo um procedimento de exceção, não rotina. O carvão ativado é frequentemente preferido.

Pontos-Chave das Questões (Qconcursos):

  • Não é de Rotina: As questões destacam que a lavagem gástrica não deve ser usada de forma rotineira, mas restrita a casos específicos e graves.
  • Contraindicações Cruciais: O procedimento é em casos de ingestão de substâncias cáusticas/corrosivas (ácidos ou bases fortes) devido ao risco elevado de perfuração esofágica ou gástrica.
  • Tempo Limite: Geralmente indicada quando o paciente é atendido dentro de após a ingestão do agente tóxico.
  • Segurança: Requer proteção das vias aéreas (intubação se necessário) para evitar aspiração, especialmente se houver rebaixamento do nível de consciência.
  • Mitos: O uso de leite como "antídoto universal" é falso e contraindicado em muitos casos.

Os catárticos salinos são rotineiramente indicados a fim de propulsionar o material ingerido através do trato gastrointestinal.

É um procedimento de urgência que deve ser realizado o mais precoce possível.

As principais indicações são:

-  Intoxicação exógena

-  Perioperatório

-  Hemorragia gástrica

-  Algumas afecções gástrica

São contraindicações

- Pacientes com Glasgow ≤ 8, exceto se forem intubados.

- Ingestão de cáusticos ou corrosivos, com exceção do Paraquate, que, por ter efeito sistêmico muito importante, mesmo sendo cáustico, a lavagem gástrica é indicada.

- Ingestão de hidrocarbonetos com alta volatilidade (solventes em geral).

-Varizes de esôfago de grosso calibre.

- Hematêmese volumosa.

- Cirurgia recente do trato gastrintestinal (ex.: gastroplastia).

- Ingestão de materiais sólidos com pontas.

- Ingestão de pacotes contendo drogas.

Portanto a ingestão de substâncias corrosivas é uma contraindicação e não uma indicação.

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