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Q3915026 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


Desigualdades sociais dificultam acesso à educação infantil no Brasil



    As desigualdades socioeconômicas repercutem também no acesso à educação infantil no Brasil. Essa é uma constatação do estudo inédito. O desafio da equidade no acesso à educação infantil: uma análise do CadÚnico e do Censo Escolar, realizado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

    O estudo cruza informações do CadÚnico com o Censo Escolar, a partir de microdados de 2023. A desigualdade pode ser comprovada pelo fato de apenas 30% do total de 10 milhões de crianças de baixa renda na primeira infância, inscritas no CadÚnico, estarem em creches, em dezembro daquele ano. Já na pré-escola, etapa obrigatória da educação básica, apenas 72,5% das crianças de 4 e 5 anos que vivem em famílias de baixa renda no CadÚnico estavam matriculadas.

    A presidente da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Mariana Luz, defende muito a creche na vida das crianças, sobretudo na primeira etapa (até 3 anos de idade).

    “Ela é muito benéfica, em especial para crianças que estão em alguma situação de vulnerabilidade, porque a gente está falando de a creche ser um espaço de aprendizagem, desenvolvimento, mas também um espaço de segurança”, avaliou.

    A desigualdade de acesso à educação infantil pelas famílias de baixa renda é ainda mais acentuada na Região Norte, com taxa de matrícula na creche entre as crianças de baixa renda de 16,4%, em 2023, seguida do Centro-Oeste (25%) e Nordeste (28,7%). Apenas Sudeste (37,6%) e Sul (33,2%) apresentavam taxas um pouco superiores à média nacional de 30% para a população do CadÚnico.

    De acordo com o estudo, as diferenças são notadas também na pré-escola, com a taxa de matrícula para as crianças inscritas no CadÚnico variando de 68% a 78% nas regiões do país, com Norte e Nordeste mostrando as menores taxas.

    O estudo revela que os municípios menores e com menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) enfrentam mais dificuldades para garantir vagas, em função de restrições financeiras, ou por falta de capacidade técnica, o que reforça a importância de políticas públicas que apoiem os territórios mais vulneráveis, com objetivo de gerar mais equilíbrio na oferta de educação infantil em todo o país. Mariana Luz afirmou que o papel do setor público é alcançar as comunidades e ofertar o direito das crianças, sejam indígenas, quilombolas, brancas, negras, e garantir que esse direito seja também de qualidade e adequado à realidade de cada grupo, lembrando sempre que a educação básica é um direito da criança.



Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025- 12/desigualdades-sociais-dificulta-acesso-educacao-infantil-no-brasil (adaptado).

Ao analisar os dados apresentados no texto, observa-se que o acesso à educação infantil no Brasil é profundamente influenciado por fatores socioeconômicos e regionais. Considerando essa perspectiva, assinale a alternativa que expressa corretamente a relação entre desigualdade social e acesso à educação infantil discutida no texto. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a compatibilidade da alternativa com a materialidade textual. A base explicita que o texto relaciona o acesso à educação infantil a fatores socioeconômicos e territoriais, com o trecho “A desigualdade pode ser comprovada pelo fato de apenas 30% do total de 10 milhões de crianças de baixa renda na primeira infância, inscritas no CadÚnico, estarem em creches, em dezembro daquele ano. [...] O estudo revela que os municípios menores e com menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) enfrentam mais dificuldades para garantir vagas, em função de restrições financeiras, ou por falta de capacidade técnica”. Assim, a alternativa sustentada pelo texto é D, enquanto A introduz causa não mencionada.

Tema central: desigualdade e acesso
Análise das alternativas
A
Errada
Pela base de decisão, a alternativa D é a que corresponde ao texto, pois sintetiza a relação apresentada entre baixa renda, desigualdade regional e dificuldades estruturais de municípios com menor capacidade financeira e técnica. Já a alternativa A não encontra apoio no texto, porque atribui a baixa matrícula à recusa das famílias, causa não textualizada nem inferível do enunciado.
B
Errada
Está errada porque falseia os dados do texto. Não houve universalização do acesso: o próprio texto informa apenas 30% de matrícula em creche e 72,5% na pré-escola entre crianças de baixa renda inscritas no CadÚnico. Além disso, as diferenças regionais são apresentadas como relevantes, não como secundárias.
C
Errada
Está errada por contrariar informação explícita. O texto afirma que, na pré-escola, as taxas “variando de 68% a 78% nas regiões do país, com Norte e Nordeste mostrando as menores taxas”. Portanto, não há homogeneidade regional nem base para dispensar ações específicas por região.
D
Certa
Esta é a alternativa sustentada pelo texto. Ela reproduz a relação apresentada entre baixa renda, desigualdade regional e dificuldades estruturais de municípios com menor capacidade financeira e técnica. O conflito com o gabarito oficial existe, mas não altera a aderência textual da alternativa.
Pegadinha da questão
A confusão real está em aceitar como textual uma causa que o texto não apresenta: a recusa das famílias. A base mostra que a argumentação do texto aponta causas estruturais e desigualdades socioeconômicas e regionais, não decisão familiar desvinculada dessas condições.
Dica para questões semelhantes
  • Confirme se a alternativa repete a tese central do texto ou se acrescenta uma causa que não foi textualizada.
  • Use os dados numéricos e os recortes regionais como prova de sentido; eles delimitam o que pode e o que não pode ser afirmado.
  • Não confunda obrigatoriedade legal de uma etapa escolar com universalização efetiva do acesso.
  • Quando houver gabarito em conflito com a literalidade, identifique primeiro a alternativa sustentada pelo texto e depois registre o choque com o gabarito oficial.

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