“O Carnaval foi o derradeiro centro de interesse popular no plano lúdico. O nome é mais ou menos recente, meados do século XIX. O título real com que o recebemos foi o Entrudo,
anunciando a vinda ascética da Quaresma e a despedida sonora da carne, com a Quarta-Feira de Cinzas,
de arrependimento expresso e passageiro. O Entrudo que o Brasil conheceu e furiosamente amou veio
resistindo quatrocentos anos, Entrudo português, tumultuoso, glutão, insaciável, despejado de
maneiras, violento, humaníssimo de alegria, confiança, intimidade, desejo de participação coletiva,
fusão de todas as classes, níveis sociais, temperamentos, distâncias de cultura e poder.”
CASCUDO, LuÌs da Câmara. Folclore do Brasil. Editora Global, 2016.
“Estudar o carnaval brasileiro é entrar em contato com o Brasil profundo e diverso, com as mais
diferentes manifestações, seja pelas fantasias, pelas danças, pelo caráter festivo ou religioso. A partir
disso, abre-se uma oportunidade de trabalho multidisciplinar, em que professores de diferentes
disciplinas podem trabalhar o carnaval como tema macro, abordando questões artísticas, de saúde,
históricas e sociais, geográficas, entre outras.”