Por que temos somente as mitocôndrias das
nossas mães?
Cientistas podem ter descoberto por que as
mitocôndrias de origem paterna são degradadas
na fertilização.
Você consegue acordar todos os dias graças a sua
mãe. E a sua avó. E a sua bisavó. E assim por
diante. Não só porque elas gestaram seus
antepassados, é claro; mas também porque suas
mitocôndrias, as usinas de energia do corpo
humano, são exclusivamente de origem materna.
Dentro das células, existem duas organelas que
possuem DNA. A principal delas é o núcleo,
onde fica o material genético com basicamente
todas as informações que formam o indivíduo.
Mas ele não é o único. As mitocôndrias também
possuem material genético, ainda que em uma
proporção bem menor (somente 37 genes,
comparado a 20 mil do genoma). O DNA
nuclear, encontrado na forma de cromossomos, é uma combinação de informações vindas tanto da
mãe quanto do pai. Mas no caso do mtDNA
(DNA mitocondrial), a história é outra. As
mitocôndrias possuem o DNA somente das mães,
aquelas presentes no óvulo. Isso significa que
toda mulher tem o mesmo mtDNA de sua mãe,
que tem o mesmo de sua avó, e assim por diante.
Dessa forma, é possível voltar na linhagem até encontrar uma mulher que foi a ancestral comum
de todas as pessoas vivas hoje. Essa teoria é chamada “Eva Mitocondrial”, e supõe-se que
essa mulher tenha vivido há mais ou menos 200
mil anos.
Os espermatozoides também possuem
mitocôndrias. Então por que só a do óvulo vai
parar no feto? No caso dos espermatozoides, as
mitocôndrias ficam na peça intermediária – uma
parte que fica de fora da fecundação. O
espermatozoide é dividido em três partes: a
cabeça, a peça intermediária e a cauda. A cabeça é onde fica o núcleo, com o DNA nuclear, e o
acrossomo, região na ponta onde ficam enzimas
e pedaços do complexo de Golgi, que vão ajudar
o gameta a entrar no óvulo. … na peça
intermediária que ficam as mitocôndrias. Isso
porque, para “correr” e chegar primeiro no óvulo, os espermatozóides gastam uma grande
quantidade de energia para movimentar a cauda
o mais rápido possível. E essa pode ser uma das
razões pelas quais temos somente o mtDNA
materno.
Nova pesquisa
Quando o espermatozóide entra no óvulo, sua
cauda fica para trás, com nenhum ou poucos
resquícios do mtDNA paterno após a fertilização.
Um estudo publicado na Nature Genetics
recentemente pode explicar o porquê. A principal
hipótese é de que a alta geração de energia das
mitocôndrias presentes nos espermatozóides
poderiam levar a um aumento no número de
mutações do mtDNA. Além disso, o mtDNA
paterno não possui uma proteína responsável por
proteger esse material durante a passagem para o óvulo. Dessa forma, ao entrar no óvulo, o
mtDNA do espermatozóide é degradado por
enzimas específicas presente no próprio gameta
masculino. Em outras palavras, o mtDNA possui
uma enzima que causa a sua própria destruição
momentos antes da fertilização, visto que a sua
alta produção de energia poderia levar a
mutações em seu genoma. De acordo com um
dos pesquisadores do estudo, o biólogo
Shoukhrat Mitalipov do Centro de Terapia
Celular e Genética Embrionária da Universidade
de Ciências e Saúde do Oregon, o mesmo não
acontece com o óvulo. Em 2018, um estudo
publicado na PNAS revelou um caso em que
foram encontrados mtDNA paternos nas células
dos filhos. [...]
Revista Superinteressante. Disponível em:
https://super.abril.com.br/ciencia/por-que-temos-somente-as-mitocondrias-das-nossas-maes/
Considere as palavras I. mitocôndrias, II.
recentemente e III. fecundação, que ocorrem no
texto. Essas palavras apresentam elementos que
indicam seus processos de formação. A(s)
palavra(s) que apresenta(m) marca indicativa do
processo de composição é (são):
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