... mesmo que não se possa traçar uma correlação direta e li...

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Com base no mesmo assunto
Q26122 Português
O acordo ortográfico que visa a unificar a escrita do
português nos países que o adotam como língua oficial tem
implicações profundas de ordem técnica e comercial, além de
provocar ansiedade em brasileiros mergulhados em dúvidas no
seu empenho diário para falar e escrever bem. Dominar a
norma culta de um idioma é plataforma mínima de sucesso para
profissionais de todas as áreas. Engenheiros, médicos, economistas,
contabilistas e administradores que falam e escrevem
certo, com lógica e riqueza vocabular, têm maior possibilidade
de chegar ao topo do que profissionais tão qualificados quanto
eles, mas sem o mesmo domínio da palavra. Por essa razão, as
mudanças ortográficas interessam e trazem dúvidas a todos.

As mudanças previstas podem ganhar contornos mais
amplos em um momento em que os idiomas nacionais sofrem
todo tipo de pressão desestabilizadora. Segundo o lingüista
David Crystal, a globalização e a revolução tecnológica da
internet estão dando origem a um novo mundo lingüístico. Entre
os fenômenos desse novo mundo estão as subversões da
ortografia presentes nos blogs e nas trocas de e-mails. David
Crystal cunhou o termo netspeak para designar as formas
inéditas de expressão escrita que a internet gerou. A inclusão
de símbolos audiovisuais, os links que permitem saltos de um
texto para outro - nada disso existia nas formas anteriores de
comunicação, que se tornou mais ágil e veloz, aproximando-se,
nesse sentido, da fala.

Até no âmbito profissional a objetividade eletrônica está
imperando. A carta comercial que iniciava com a fórmula "Vimos
por meio desta" é peça em desuso. Gêneros como a carta
circular e o requerimento caminham para a extinção; o e-mail
tem absorvido essas funções. Embora a língua sofra ataques
deformadores diários nos blogs e chats, a palavra escrita nunca
foi usada tão intensamente antes. Os mais otimistas apostam
que os bate-papos da garotada, travados com símbolos e
interjeições, podem ser a semente de uma comunicação escrita
mais complexa. Pode ser assim e seria ótimo. Por enquanto,
uma maneira de se destacar na carreira e na vida é mostrar nas
comunicações formais perfeito domínio da norma culta do
português. Vários estudos demonstram a correlação positiva
entre um bom domínio do vocabulário e o nível de renda,
mesmo que não se possa traçar uma correlação direta e linear
entre uma coisa e outra. Além de conhecer as palavras, é
preciso que se tenha alguma coisa a dizer, de forma clara e
racional.

(Jerônimo Teixeira. Veja. 12 de setembro de 2007, p. 88-91,
com adaptações)
... mesmo que não se possa traçar uma correlação direta e linear entre uma coisa e outra. (último parágrafo)

A oração transcrita acima representa, no período,
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No período "Vários estudos demonstram a correlação positiva entre um bom domínio do vocabulário e o nível de renda, mesmo que não se possa traçar uma correlação direta e linear entre uma coisa e outra.", a locução "mesmo que" introduz oração concessiva que admite a informação anterior, mas lhe impõe ressalva; por isso, a oração transcrita restringe o alcance da afirmação sobre a correlação positiva e conduz à alternativa B.

Tema central: oração concessiva
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. A oração não funciona como comprovação imediata do que foi afirmado antes. O trecho probatório está na menção a "Vários estudos demonstram"; já a oração introduzida por "mesmo que" faz o movimento oposto: acrescenta uma ressalva sobre como essa correlação deve ser entendida. Concessão não equivale a comprovação.
B
Certa
A alternativa B está correta porque a oração transcrita acrescenta uma ressalva à ideia anterior. O autor afirma a existência de correlação positiva entre domínio do vocabulário e nível de renda, mas, com "mesmo que", impede que essa correlação seja entendida de modo absoluto ou simplificador. O efeito semântico-discursivo é de restrição do alcance da afirmação anterior, não de sua negação.
C
Errada
Incorreta. Não há valor condicional. A oração não estabelece exigência para que o fato anterior se realize, como ocorreria em estrutura de condição. O sentido é concessivo: admite-se que não se possa traçar correlação direta e linear, sem que isso elimine a afirmação principal da correlação positiva.
D
Errada
Incorreta. A oração não traz qualquer marca de tempo nem informa quando ou por quanto tempo o fato ocorre. Seu papel no período é semântico-discursivo de ressalva, introduzido por "mesmo que", e não temporal.
E
Errada
Incorreta. A oração não expressa certeza sobre a afirmativa anterior nem a reforça de modo categórico. Ao contrário, ela relativiza a leitura da afirmação principal ao esclarecer que a correlação mencionada não é "direta e linear". Ressalva concessiva não é marcador de certeza.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre concessão e outros valores, sobretudo condição, e também a leitura errada de que a ressalva negaria a correlação anterior. O trecho não nega a correlação positiva; apenas restringe seu alcance.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando perguntar o que a oração representa no período, examine sua função de sentido dentro da frase, não apenas a classificação isolada da conjunção.
  • Em estruturas com "mesmo que", verifique se a oração subsequente faz ressalva à principal; se fizer, o efeito tende a ser de relativização ou restrição, não de prova.
  • Se a oração posterior mantiver a ideia principal, mas impedir leitura absoluta dela, o valor decisivo é de concessão com efeito de limitação de alcance.

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Comentários

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"mesmo que" introduz uma idéia de concessão, logo, a alternativa que melhor representa o período é a "B". Embora restrinja o sentido da afirmação anterior, não implica essa oposição no impedimento de tal afirmação.Conjunções subordinadas concessivas (embora, mesmo que, ainda que, posto que, por mais que, apesar de, mesmo quando, etc).
Complementando o comentário anterior, as conjunções concessivas soam como uma "reclamação" (como se houvesse um problema mas que ele não fosse tão grande a ponto de impedir o que vai ocorrer) e sempre exigem o verbo no modo subjuntivo.Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações.

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