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Q3367235 Medicina
Qual das seguintes afirmações sobre a apendicite aguda durante a gravidez é correta?
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Tema central: Apendicite aguda na gestação é um desafio diagnóstico porque a anatomia e a fisiologia gravídicas alteram sintomas, exame físico e exames laboratoriais. A escolha correta dos métodos de imagem seguros é decisiva para confirmar o diagnóstico sem expor o feto a radiação desnecessária.

Alternativa correta (E) – Justificativa: Em gestantes com suspeita de apendicite, recomenda-se ultrassom (US) com compressão graduada como primeira linha; se o US for inconclusivo, a ressonância magnética (RM) sem gadolínio é indicada por alta acurácia e segurança fetal. A tomografia (TC) fica reservada a casos em que US/RM não estejam disponíveis ou não esclareçam o diagnóstico. Diretrizes: ACOG – Imaging during pregnancy, WSES Guidelines 2020 para apendicite aguda, UpToDate.

Achados clínicos relevantes: Dor abdominal que pode iniciar periumbilical e migrar, mas na gestação avançada o apêndice pode deslocar-se cranialmente, levando dor em QSD ou flanco direito. Náuseas/vômitos e febre discretos. Leucocitose pode ser fisiológica na gestação (não confiável isoladamente). Sinais peritoneais podem ser atenuados.

Análise das alternativas incorretas:

A – “Mais comum no primeiro trimestre”: Falso. Apendicite pode ocorrer em qualquer trimestre; estudos mostram distribuição relativamente homogênea, com leve predomínio no segundo trimestre em algumas séries. Não há evidência de maior incidência no primeiro trimestre. Referências: WSES 2020; UpToDate.

B – “Apresentação típica e facilita o diagnóstico”: Falso. A gestação dificulta o diagnóstico: dor pode deslocar-se para QSD/flanco, sinais peritoneais menos evidentes e leucocitose basal. Por isso o uso de imagem é central. Sabiston – Tratado de Cirurgia; UpToDate.

C – “Tratamento conservador é padrão”: Falso. O tratamento de escolha é apendicectomia (preferencialmente videolaparoscópica no 1º–2º trimestres; no 3º, individualizar). Manejo apenas com antibióticos tem maior risco de recorrência/perfuração e não é padrão em gestantes. Diretrizes SAGES/ACOG/WSES.

D – “Não tratada raramente complica”: Falso. Apendicite não tratada aumenta peritonite, sepse, parto prematuro e perda fetal (taxas de perda fetal sobem significativamente quando há perfuração). Portanto, atraso diagnóstico é perigoso. WSES 2020; UpToDate.

Estratégia de prova: Diante de “gestação + dúvida diagnóstica”, pense em US primeiro, seguido de RM sem contraste se inconclusivo. Lembre que leucocitose e localização da dor são pouco confiáveis isoladamente na gestação. TC é exceção.

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