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Q3367233 Medicina
Um homem de 33 anos, previamente saudável, procura o pronto-socorro com história de febre (T: 37,8 o C), dor abdominal há 36 horas, iniciada em região periumbilical e atualmente localizada na fossa ilíaca direita. Relata náuseas e falta de apetite. Ao exame físico, está estável hemodinamicamente; apresenta defesa de parede no quadrante inferior direito do abdome e dor à descompressão brusca na fossa ilíaca direita (sinal de Blumberg positivo) e dor à mobilização passiva do quadril direito (sinal do Psoas positivo). Hemograma revela leucocitose com desvio à esquerda.
Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Apendicite aguda não complicada, com quadro clínico típico (dor migratória para FID, anorexia/náuseas, febre baixa, defesa localizada, sinais de irritação peritoneal e leucocitose). O sinal do psoas sugere apêndice retrocecal.

Gabarito: E – Apendicectomia videolaparoscópica em até 24 horas.

Justificativa da alternativa correta: Em apendicite não complicada, o tratamento padrão é apendicectomia precoce, preferencialmente por videolaparoscopia, idealmente em até 24 horas do diagnóstico. Vantagens: menor dor, menor infecção de ferida, alta mais rápida e avaliação de cavidade. Diretrizes WSES 2020/2023 e UpToDate recomendam abordagem cirúrgica precoce em pacientes estáveis com quadro compatível. Fazer profilaxia antibiótica pré-operatória contra gram-negativos e anaeróbios (ex.: ceftriaxona + metronidazol) e reservar antibiótico pós-operatório para casos complicados (perfuração/abscesso/gangrena). Fontes: WSES Guidelines (Di Saverio et al.; 2020/2023), UpToDate, Sabiston/Schwartz.

Estratégia de interpretação: - Dor que migra para FID + Blumberg positivo = irritação peritoneal localizada. - Sinal do psoas reforça apêndice retrocecal, mas não muda a conduta. - Leucocitose com desvio apoia inflamação aguda. - Paciente estável e sem sinais de peritonite difusa → cirurgia precoce, não “imediata agora”, mas dentro de 24h.

Análise das alternativas incorretas:
A) Antibioticoterapia exclusiva e observação: A terapia não operatória pode ser considerada em casos muito selecionados (confirmação por imagem, sem fecalito, adesão ao seguimento), mas não é o padrão-ouro em concursos. Há recidiva relevante (≈20–40%/1 ano) e necessidade posterior de cirurgia em parte dos casos. Diretrizes WSES/UpToDate priorizam apendicectomia para pacientes jovens com quadro típico.

B) Antibioticoterapia por 7 dias e revisão ambulatorial: Regime prolongado sem cirurgia não é recomendado como rotina para apendicite não complicada. Risco de falha terapêutica, progressão e recidiva. Antibiótico é profilaxia pré-op (dose única) e tratamento pós-op apenas se complicado.

C) Drenagem percutânea do apêndice inflamado: Drenagem é indicada para abscesso/coleção bem delimitada (apendicite complicada) sob imagem. No cenário típico sem abscesso, não há indicação.

D) Apendicectomia aberta por laparotomia ampla: Abordagem ampla é desnecessária em quadro não complicado. Se aberta, o usual seria incisão de McBurney/Rocky-Davis. A via laparoscópica é preferida por menor morbidade.

Dica de prova: Quando o enunciado traz clínica “de livro” e estabilidade hemodinâmica, pense em videolaparoscopia precoce. Reserve “drenagem” para abscesso e “apenas antibiótico” para contextos muito selecionados e com decisão compartilhada.

Referências: WSES Guidelines for Acute Appendicitis (2020/2023); UpToDate – Acute appendicitis in adults: Clinical features and treatment; Sabiston Textbook of Surgery; Schwartz’s Principles of Surgery.

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