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Q3367220 Medicina
Um paciente de 65 anos, com histórico de hipertensão e diabetes mellitus controlados, apresenta dor intensa no hipocôndrio direito há quatro dias, associada a febre de 38,5 °C e náuseas. Ao exame físico, observa-se sinal de Murphy positivo e massa palpável no quadrante superior direito. Os exames laboratoriais revelam leucocitose de 19.000/mm³ e proteína C reativa elevada. A ultrassonografia abdominal mostra vesícula biliar distendida com espessamento de parede e presença de cálculos, sem evidências de coleções pericolecísticas.
Não há disfunção de órgãos ou sistemas. De acordo com os Critérios de Tokyo 2018, qual é a classificação de gravidade da colecistite aguda desse paciente e a conduta terapêutica mais apropriada?
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Gabarito comentado

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Tema central: Classificação de gravidade da colecistite aguda pelos Critérios de Tokyo 2018 (TG18) e conduta. A TG18 estratifica em Grau I (leve), Grau II (moderada) e Grau III (grave) conforme achados clínicos, duração e disfunção orgânica.

Gabarito: D – Colecistite aguda Grau II (moderada); colecistectomia laparoscópica precoce após estabilização clínica.

Por que é Grau II? TG18 define Grau II quando há qualquer dos seguintes: leucócitos >18.000/mm³, massa palpável em hipocôndrio direito, síntomas >72h ou marcada inflamação local. O quadro descrito cumpre múltiplos critérios (WBC 19.000, dor há 4 dias, massa palpável), sem disfunção orgânica — o que exclui Grau III.

Conduta adequada (TG18/UpToDate/WSES): estabilização clínica + antibiótico de amplo espectro (ex.: ceftriaxona + metronidazol; piperacilina-tazobactam em casos mais graves/comórbidos) e colecistectomia laparoscópica precoce, idealmente nas primeiras 24–72 h da admissão, realizada por equipe experiente. Mesmo com sintomas >72 h, a abordagem precoce é preferível quando factível.

Estratégia de prova: identifique “sem disfunção orgânica” (exclui Grau III) e procure critérios de Grau II: WBC>18.000, massa palpável, >72h de sintomas. Ultrassom com cálculos e parede espessada confirma o diagnóstico.

Análise das alternativas:

A – Grau I com tratamento conservador. Incorreta: há critérios claros de Grau II. Além disso, a conduta padrão não é apenas antibiótico; é antibiótico + colecistectomia laparoscópica precoce (TG18).

B – Grau III; colecistostomia percutânea. Incorreta: não há disfunção de órgãos (cardiovascular, renal, respiratória, neurológica, hepática ou hematológica). Colecistostomia é opção para Grau III ou pacientes sem condições cirúrgicas, como ponte para cirurgia eletiva.

C – Grau II; colecistectomia aberta imediata. Incorreta: o padrão-ouro é a via laparoscópica. Abertura é reservada para contraindicações à laparoscopia ou conversão intraoperatória.

E – Grau III; antibiótico conservador. Incorreta: além de não ser Grau III, mesmo em gravidade elevada, apenas antibiótico é insuficiente quando há foco controlável; indica-se drenagem biliar (colecistostomia) e posterior colecistectomia.

Referências úteis: Tokyo Guidelines 2018/2022; UpToDate (Acute calculous cholecystitis: Clinical features and diagnosis; Management); WSES Guidelines; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Dica final: em enunciados, atente para “>72 h de sintomas”, “WBC >18.000” e “massa palpável” — sinais chave de Grau II. “Disfunção orgânica” muda o jogo para Grau III.

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