O autor do texto considera que, em muitas histórias, certo...
A rainha má mandou chamar um lenhador e instruiu-o a levar Branca de Neve para a floresta, matá-la, desfazer-se do corpo e voltar para ganhar sua recompensa. Mas o lenhador poupou Branca de Neve. Toda a história depende da compaixão de um lenhador sobre o qual não se sabe nada. Seu nome e sua biografia não constam em nenhuma versão do conto. A rainha má é a rainha má, claramente um arquétipo, e os arquétipos não precisam de nome. O Príncipe Encantado, que aparecerá no fim da história, também não precisa. É um símbolo reincidente, talvez nem a Branca de Neve se dê ao trabalho de descobrir seu nome. Mas o personagem principal da história, sem o qual a história não existiria e os outros personagens não se tornariam famosos, não é símbolo de nada. Ele só entra na trama para fazer uma escolha, mas toda a narrativa fica em suspenso até que ele faça a escolha certa, pois se fizer a errada não tem história. O lenhador compadecido representa dois segundos de livre-arbítrio que podem desregular o mundo dos deuses e dos heróis. Por isso é desprezado como qualquer intruso e nem aparece nos créditos.
Muitas histórias mostram como são os figurantes anônimos que fazem a história, ou como, no fim, é a boa consciência que move o mundo. Mas uma das pessoas do grupo em que conversávamos sobre esses anônimos discordou dessa tese, e disse que a entrada do lenhador simbolizava um problema da humanidade, que é a dificuldade de conseguir empregados de confiança, que façam o que lhes for pedido.
(Adaptado de Luiz Fernando Verissimo, Banquete com os deuses)
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Gabarito: D
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a tese do texto de que personagens anônimos podem ser, ao mesmo tempo, apagados e determinantes para a narrativa. Isso aparece no trecho: "Mas o personagem principal da história, sem o qual a história não existiria..." e é reforçado por "Muitas histórias mostram como são os figurantes anônimos que fazem a história". Esse critério exclui as alternativas que atribuem simbolismo, acaso, irrelevância ou equiparação indevida.
- Em questões de interpretação, procure a frase em que o autor generaliza a ideia do exemplo particular; aqui, a tese se amplia em "Muitas histórias mostram...".
- Se a alternativa atribuir simbolismo, confira se o texto realmente autoriza isso; nesta questão, há negação expressa: o personagem "não é símbolo de nada".
- Não confunda pouco tempo de aparição com pouca função narrativa; o texto pode atribuir ao personagem breve uma importância estrutural decisiva.
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Comentários
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GAB: D
O trecho que ratifica a resposta é:
"Mas o personagem principal da história, sem o qual a história não existiria e os outros personagens não se tornariam famosos, não é símbolo de nada. Ele só entra na trama para fazer uma escolha, mas toda a narrativa fica em suspenso até que ele faça a escolha certa, pois se fizer a errada não tem história. O lenhador compadecido representa dois segundos de livre-arbítrio que podem desregular o mundo dos deuses e dos heróis. Por isso é desprezado como qualquer intruso e nem aparece nos créditos. "
Bom estudo para todos!
"toda a história depende da compaixão de um lenhador sobre o qual não se sabe nada".
por isso que a letra D é a resposta.
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