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Q4322634 Português

Leia o texto a seguir.


Excesso de proteína pode trazer riscos à saúde, alertam especialistas


Sophie Egan


    Se você andou pelos corredores de alimentos embalados de um supermercado recentemente, ou deu uma olhada nas atuais diretrizes alimentares dos Estados Unidos, pode ter ficado com a impressão de que, quando se trata de proteína, quanto mais, melhor.


    Cereais embalados, pipoca, mistura para panqueca e bebidas de café estão sendo enriquecidos com o nutriente. E a nova pirâmide alimentar invertida, que o governo Trump divulgou em janeiro, destaca a proteína de forma proeminente, com bife, frango e queijo no topo.


    Pesquisas sugerem que a maioria dos adultos americanos está consumindo muito mais proteína do que o necessário para uma boa saúde. Uma pesquisa de 2025 com 3.000 adultos americanos mostrou que 71% estavam tentando comer mais proteína. O percentual era de 59% em 2022.


    A proteína é um nutriente essencial. Mas [...] não é necessariamente melhor, diz Bettina Mittendorfer, professora de nutrição e fisiologia do exercício na Faculdade de Medicina da Universidade de Missouri. E em alguns casos, comer muito mais do que os especialistas em nutrição recomendam pode trazer alguns riscos.


    Não existe uma regra rígida sobre quanta proteína é demais, dizem os especialistas, e muitas pessoas podem exceder as quantidades recomendadas sem problemas. Mas problemas potenciais podem surgir quando as pessoas consomem muito mais do que cerca de 1,2 g de proteína por quilograma de peso corporal por dia, diz Mittendorfer.


Doenças cardíacas e diabetes tipo 2


    A maioria da proteína que os americanos consomem vem de carne e outros produtos de origem animal. Em um estudo publicado em 2021, pesquisadores do Departamento de Agricultura descobriram que alimentos de origem animal (incluindo carne bovina, frango e carnes curadas) representavam quase 70% do consumo de proteína das pessoas.


    Pesquisas sugerem que aqueles que consomem maiores quantidades de carne vermelha e processada tendem a ter riscos mais elevados de doenças cardíacas e diabetes tipo 2, diz Donald Hensrud, professor associado de nutrição e medicina preventiva na Faculdade de Medicina da Mayo Clinic.


    Em uma grande análise publicada em 2023, por exemplo, pesquisadores descobriram que comer 100g extras de carne vermelha (equivalente a cerca de uma costeleta de porco fina e desossada) por dia aumentava o risco de doenças cardíacas em 11% — e cada 50g adicionais de carne vermelha processada (equivalente a cerca de uma salsicha padrão) por dia aumentava em 26%.


    Outro estudo, também publicado em 2023, descobriu que entre os quase 217 mil participantes (majoritariamente mulheres), aqueles que consumiam mais carne vermelha tinham um risco 40% maior de desenvolver diabetes tipo 2 do que aqueles que consumiam menos, e que aqueles que consumiam mais carne vermelha processada tinham um risco 51% maior.


    Carnes vermelhas e processadas tendem a conter altos níveis de gorduras saturadas, que podem elevar os níveis sanguíneos de colesterol LDL (ou "ruim") e aumentar o risco de infarto e AVC. Esses alimentos também podem aumentar a inflamação e a resistência à insulina, diz Hensrud, o que também poderia elevar os riscos de doenças cardíacas e diabetes tipo 2.


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/06/excesso-

de-proteina-pode-trazer-riscos-a-saude-alertam-especialistas.shtml. Adaptado.

Acesso em 03/06/2026

“Pesquisas sugerem que aqueles que consomem maiores quantidades de carne vermelha e processada tendem a ter riscos mais elevados de doenças cardíacas e diabetes tipo 2, diz Donald Hensrud, professor associado de nutrição e medicina preventiva na Faculdade de Medicina da Mayo Clinic” (7º parágrafo). Nesse trecho, as expressões em destaque produzem um efeito de sentido veiculado por um determinado mecanismo, que é o de:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No trecho “Pesquisas sugerem que aqueles que consomem maiores quantidades de carne vermelha e processada tendem a ter riscos mais elevados de doenças cardíacas e diabetes tipo 2”, “sugerem” e “tendem a” modalizam a associação como tendência, não como consequência necessária e universal. Esse critério semântico sustenta a alternativa C.

Tema central: Modalização epistêmica e tendência
Análise das alternativas
A
Errada
“Sugerem” e “tendem a” não substituem nem retomam anaforicamente o termo “pesquisas”. Sua função é indicar o grau de certeza e o caráter tendencial da afirmação. A continuidade do tema das pesquisas não transforma essas expressões em mecanismos de coesão referencial.
B
Errada
Os percentuais posteriores quantificam diferenças de risco; não garantem que cada indivíduo desenvolverá uma doença. Por isso, a precisão numérica é compatível com a cautela de “sugerem” e “tendem a”, sem produzir contradição ou ruptura de coerência.
C
Certa
A alternativa C reúne dois efeitos compatíveis. A ideia de risco é reiterada, pois já havia sido introduzida em “E em alguns casos, comer muito mais do que os especialistas em nutrição recomendam pode trazer alguns riscos.” Ao mesmo tempo, a associação é formulada com cautela, sem afirmar que todos os consumidores terão maior risco ou desenvolverão as doenças.
D
Errada
“Sugerem” e “tendem a” não são conectores adversativos: expressam cautela e tendência, não oposição. Portanto, não estabelecem, nesse trecho, um contraste entre os resultados das pesquisas e as recomendações governamentais.
Pegadinha da questão
Confundir reforço temático com aumento de certeza: o trecho reitera a advertência sobre riscos, mas a formula com menor força assertiva. Também é incorreto supor que percentuais precisos transformem uma tendência em consequência inevitável.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se as expressões indicam certeza ou apenas uma tendência sustentada por indícios.
  • Separe a retomada de um tema do grau de certeza com que ele é apresentado: reiterar um risco não significa afirmá-lo categoricamente.
  • Diante de percentuais, observe o que eles quantificam: diferenças de risco não equivalem à garantia de adoecimento.
  • Classifique a função das expressões no trecho, sem lhes atribuir uma oposição temática presente em outras partes do texto.

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Comentários

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GAB. C

As expressões “sugerem” e “tendem a” são modalizadores epistêmicos, pois diminuem o grau de certeza da afirmação.

  • “Pesquisas sugerem” → indica que os estudos apontam para uma conclusão, mas não a apresentam como verdade absoluta.
  • “Tendem a ter” → indica uma tendência, e não uma relação necessariamente válida para todos os indivíduos.

Assim, o trecho reforça a ideia de risco, já apresentada no texto, mas atenua a força da afirmação, deixando margem para incerteza e evitando uma generalização absoluta.

JOSUÉ 1:9 ♥

1. Atenuação da força assertiva (Margem de incerteza científica)

Repare na diferença entre estas duas frases:

  • Frase categórica (sem atenuação):

    "Quem come carne vermelha tem doenças cardíacas e diabetes."

    (Afirmação absoluta, trata como uma certeza incontestável).

  • Frase atenuada (usada no texto):

    "Pesquisas sugerem que aqueles que consomem [...] tendem a ter riscos mais elevados..."

    O verbo "sugerem" indica uma hipótese forte apontada por dados, e não uma lei universal.

  • O verbo "tendem" mostra uma inclinação ou probabilidade estatística, admitindo que existem exceções (nem todo mundo que come carne processada desenvolverá a doença).

Isso expressa exatamente o que a banca chamou de "margem de incerteza científica".

2. Reforço da ideia de risco

O trecho não diz que a carne provoca a doença diretamente de forma determinística, mas sim que ela eleva os riscos. Ao citar um especialista ("diz Donald Hensrud, professor associado...") e atribuir a constatação a "pesquisas", o autor reforça que a relação entre o consumo e o desenvolvimento de doenças não é mero achismo, mas uma correlação de risco respaldada por evidências.

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