A prevalência de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) primár...
I. Atualmente, a maioria dos pacientes apresenta a forma secundária da doença, mais comumente causada por doença renal.
II. A HAS é, em geral, assintomática, mas até 40% dos pacientes apresentam hipertrofia ventricular esquerda no momento do diagnóstico.
III. O diagnóstico e o tratamento precoce da HAS na infância e adolescência associam-se a um maior risco de HAS e ateromatose carotídea no adulto.
IV. A HAS é definida como medida de pressão arterial sistólica (PAS) e/ou diastólica (PAD) > percentil 95 (com base em percentis de idade, sexo e altura) em três ocasiões distintas, pelo método auscultatório.
V. A medida da pressão arterial deve ser realizada no braço esquerdo, apoiado ao nível do coração.
Gabarito comentado
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Tema central: Hipertensão arterial na infância e adolescência — triagem, definição diagnóstica, dano a órgão-alvo e técnica de medida.
Gabarito: C — corretas as assertivas II e IV.
Por que a alternativa C é a correta?
II. “HAS é em geral assintomática, mas até 40% têm HVE ao diagnóstico” — verdadeira. Crianças e adolescentes com HAS costumam ser assintomáticos, e a hipertrofia ventricular esquerda (HVE) é o dano a órgão-alvo mais frequente, presente em cerca de 20–40% no diagnóstico, especialmente em estágios mais altos e em obesos. Evidência: Diretriz AAP 2017 e revisões do UpToDate.
IV. “Definição: PAS e/ou PAD ≥ P95 (idade/sexo/estatura) em 3 ocasiões, método auscultatório” — verdadeira. Para <13 anos, usa-se percentis; para ≥13 anos, aplica-se ≥130/80 mmHg. A confirmação deve ser em três visitas e preferencialmente por ausculta (padrão-ouro). ABPM é útil para fenômeno do avental branco. Referências: AAP 2017; Diretriz Brasileira de Hipertensão (SBC/SBP).
Análise das assertivas incorretas
I. “A maioria apresenta forma secundária (renal)” — falsa. Em adolescentes, a HAS primária hoje é mais frequente, impulsionada por obesidade, história familiar e estilo de vida. A forma secundária predomina nos pré-escolares e em casos com sinais de doença sistêmica. Diretrizes AAP/SBP.
III. “Diagnóstico e tratamento precoces associam-se a maior risco de HAS e ateromatose carotídea na vida adulta” — falsa. O que aumenta o risco futuro é a manutenção da HAS desde jovem (“tracking”). Diagnosticar e tratar precocemente reduz PAS/PAD, regressa HVE e atenua espessamento médio-intimal carotídeo. A assertiva inverte a relação causal.
V. “Medir PA no braço esquerdo, apoiado ao nível do coração” — falsa (pegadinha). A posição e o apoio estão corretos, mas o braço de escolha é o direito para padronização e rastreio de coarctação da aorta. Realize medidas bilaterais na avaliação inicial. Use manguito adequado (largura ≈40% e comprimento 80–100% da circunferência do braço). AAP/SBP.
Dicas de prova e raciocínio clínico
- Palavras-chave: “maioria secundária” (desconfie — hoje, em adolescentes, é primária); “braço esquerdo” (o correto é direito); “diagnóstico/tratamento aumentam risco” (inversão lógica).
- Critério diagnóstico: confirmar em 3 visitas, usar percentis <13 anos e corte de 130/80 para ≥13 anos; preferir ausculta.
- Dano a órgão-alvo: solicitar ecocardiograma para HVE; avaliar microalbuminúria e fundoscopia conforme caso.
- Conduta básica: mudança de estilo de vida para todos; fármacos (IECA/BRAs, BCC, tiazídicos) se estágio 2, HVE, DRC/DM, sintomas ou falha não farmacológica (AAP 2017; SBP/SBC).
Referências essenciais: AAP Clinical Practice Guideline for Screening and Management of High Blood Pressure in Children and Adolescents (2017); Diretriz Brasileira de Hipertensão (SBC/SBP, 2020); UpToDate: Hypertension in children and adolescents.
Conclusão: Corretas II e IV; incorretas I, III e V.
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